A Crise Vocacional e o Abandono da Vida Consagrada

Frei Inácio José do Vale

A cultura do provisório tem influência também nas crises vocacionais. Essa foi uma das constatações evidenciadas durante o dia de estudo sobre o tema, realizado no Instituto de Espiritualidade da Pontifícia Universidade Antonianum de Roma. A esse propósito, o secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Dom Frei José Rodríguez Carballo, ex-Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, que falou sobre as cifras e as motivações das crises vocacionais de religiosos, diz ele: “É verdade que os abandonos são preocupantes; assim como é verdade que não posso aceitar que tais abandonos sejam normais, porque depois de tantos anos de formação não é normal que um jovem frade ou uma jovem irmã diga: “Não quero mais isso. Deixo!”. Vemos que as cifras são significativas: estamos falando, mais ou menos, de três mil abandonos a cada ano. É o que chega à nossa Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e à Congregação para o Clero” (1).

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Os Quatro Fins da Santa Missa

Padre Inácio José do Vale

Santo Inácio de Antioquia (†107), bispo e mártir, disse sobre a Eucaristia: “Esforçai-vos, portanto, por vos reunir mais frequentemente, para celebrar a eucaristia de Deus e o seu louvor. Pois quando realizais frequentes reuniões, são aniquiladas as forças de Satanás e se desfaz seu malefício por vossa união na fé. Nada há melhor do que a paz, pela qual cessa a guerra das potências celestes e terrestres.” (Carta aos Efésios).

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Seitas e a desconstrução da fé

Padre Luis Santamaría del Rio, padre católico espanhol, membro fundador de RIES e especialista no tema seitas e Nova Era. É também consultor da Comissão Episcopal de Relações Interconfessionais da Conferência Episcopal Espanhola, membro da Sociedade Espanhola de Ciências das Religiões (SECR), da Academia Americana de Religião (AAR) e da Sociedade Internacional para o Estudo das Novas Religiões (ISSNR)

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A Palavra de Deus

“O ser humano vive de toda palavra que sai da boca de Deus”(Mt 4, 4).

O bom Deus deixou a sua santa Palavra na Bíblia Sagrada. A mensagem do amor de Deus contida nas Sagradas Escrituras é a expressão concreta de paz, de fortaleza, de caridade, vida abundante e de salvação eterna. A Bíblia é o único e o verdadeiro livro do amor de Deus. Jesus, a Cruz e a Bíblia são ações máximas do amor salvífico do Pai Eterno. Jesus é o amor consumado do Pai (Jo 19, 30). A Cruz é o amor da reconciliação do pecador para  com Deus (Ef 2, 16) e a Bíblia é a gloriosa Palavra de Deus que é amor (Mt 22,29; 2 Tm 3,16; 1 Jo 4,8). Continuar lendo

Ser humilde

Padre Inácio

O célebre Doutor da Igreja Santo Tomás de Aquino afirma: “A soberba, mais do que um pecado capital, é rainha e raiz de todos os pecados. A soberba geralmente é considerada como mãe de todos os vícios e, em dependência dela, se situam os sete vícios capitais, dentre os quais a vaidade é o que lhe é mais próximo: pois esta visa manifestar a excelência pretendida pela soberba e, portanto, todas as filhas da vaidade têm afinidade com a soberba”.

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A existência de Deus

 

        “Os céus contam a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos” (Sl 19,1.2).

A existência de Deus Todo-Poderoso criador de todas as coisas boas e maravilhosas é uma verdade tão clara e plausível à inteligência que a Sagrada Escritura denomina insensatos aqueles que dizem não existir Deus (Sl 14,1).

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A obra do Espírito Santo

 

 

          O Espírito Santo é o único que torna real em sua vida tudo o que Jesus fez por você. 

                                                                                 Rev. Oswald Chambers

                                                                                 Teólogo escocês

 

“Mas recebei a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da Terra” (At 1, 8).

A vinda do Espírito Santo a Terra no dia de Pentecostes teve um  tremendo impacto (Cf. Atos 2, 1-47). Os discípulos que uma vez cheios de temor haviam se encontrado em um lugar a portas trancadas, agora, de repente, pregavam livremente o Evangelho de Jesus Cristo, o desprezado e odiado nazareno. E isso não era fogo de palha, mero entusiasmo do momento. A sobriedade do sermão do Apóstolo Pedro em Atos cap. 2 e o testemunho dos cristãos primitivos, como registrado no livro de Atos, mostram os quão convincentes eles eram. O Espírito Santo habitava neles e os revestia, frágeis vasos que eram, com o poder divino.

Este poder era sentido pelos seus ouvintes. As palavras que ouviam penetravam seus corações e ferroavam suas consciências. Eles atenderam ao chamado dos Apóstolos, voltaram-se para Deus, creram no Evangelho, e eles mesmos receberam o Espírito Santo.

Desde então,  no que diz respeito ao Espírito Santo, não houve mudanças. Ele ainda opera por meio de pessoas frágeis. Obstáculos que impedem Sua obra só surgem quando agimos em oposição ou desobediência à Palavra de Deus. E o efeito nos ouvintes também  ainda é o mesmo. Ninguém pode ser salvo se o Espírito Santo não estiver  operando nos corações e consciências das pessoas. Não esqueçamos de que através do Espírito Santo, o poder de Deus está presente e ativo (1).

 

TODOS FICARAM CHEIO DO ESPÍRITO SANTO

 

         “Enchei-vos do Espírito Santo” (Ef 5, 18).

 

Por meio do batismo nós nos tornamos os templos do Espírito Santo. O Senhor quer que sejamos cheios do Espírito (Ef 5, 18; e At 2, 4). São Paulo Apóstolo ensinou que aqueles que são cheios do Espírito Santo fazem quatro coisas. Eles:

Recitam “uns aos outros salmos, hinos e cânticos inspirados” (Ef 5,21);

“Cantam louvores ao Senhor” (Ef 5,19) em seus corações;

“Dão graças a Deus, o Pai sempre e para tudo em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5, 20);

“Submete-se uns aos outros em temos no Senhor” (Ef 5, 21).

 

Aqueles que são cheios do Espírito Santo buscam em seus corações as coisas lá do alto (Cl 3,1). Em Espírito, habitam na sala do trono de Deus. Eles entraram “por suas portas com ações de graça, em seus átrios com louvor” (Sl 100,4). Aqueles cheios do Espírito fortalecem, incentivam e submetem-se aqueles que os rodeiam. Eles podem amar o próximo, desta forma, porque eles se amam (Lc 10,27). Eles amam-se porque o Espírito Santo clama em seus corações (“Abba – Pai”) (GI 4,6)!

Seguros no amor do seu Pai, aqueles que são cheios do Espírito Santo são um povo de louvor, de gratidão, de submissão, de amor e de missão. Aceita a graça de ser preenchido e fica cheio do Espírito Santo para santificação (At 2,40). Escreve São Paulo: “O amor de Deus está derramada em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5).

 

NO FOGO COM O ESPÍRITO SANTO

 

         “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4,18).

 

O Padre Albert E. Lauer (1947-2002)  é o fundador da  comunidade religiosa dos Irmãos e Padres de Pentecostes e é também o fundador do maravilhoso Devocional “UM PÃO, UM CORPO”, considerava Lc 4,18 como a sua declaração de missão pessoal. Enquanto se preparava para a ordenação sacerdotal, ele também escolheu este versículo da Bíblia como o seu lema. E esta passagem foi também citada no seu cartão de exéquias. O Padre Albert vivia abrasado pelo Espírito Santo, e operando nos dons do Espírito Santo durante todo o seu sacerdócio.

Jesus disse: “Eu vim para acender um fogo na terra. Como eu queria que estas chamas estivessem acesas” (Lc 12,49).  Jesus disse aos seus discípulos: “Recebi o Espírito Santo” (Jo 20,2). Depois que Jesus subiu ao céu, os dons do Espírito foram derramados sobre todos nós (Ef 4,11; At 2,17) e assim a Igreja nasceu.

No Batismo, você recebeu “o poder de viver e agir sob o impulso do Espírito Santo por meio dos seus dons” (Catecismo, 1266; e Mc 1,8). No entanto, o  mundo, o diabo, e a nossa carne lutam constantemente contra o Espírito Santo para ter o controle das nossas vidas (Gl 5,17). “Por isso, eu vos exorto a reavivar o Espírito Santo em suas vidas” (2Tm 1,6-7).

O Padre Albert disse-me certa vez: “Quando mais eu digo ‘Não’ para mim, mais eu digo ‘Sim’ para o Espírito Santo”. Nesse Espírito, arrependa-se imediatamente de todo pecado. Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia ( Lc 9,23). Seja no fogo com o Espírito Santo, vivendo de modo a nunca abafar ou entristecer o Espírito (1Ts 5,19; Ef 4,30. “se vivemos pelo Espírito, procedamos também de acordo com o Espírito” (Gl 5,25) (2).

 

      APOSTÓLA DO ESPÍRITO SANTO

 

             Para uma profunda meditação do Espírito Santo vejamos o que disse A Apóstola do Espírito Santo, a bem-aventurada Elena Guerra: “Do Espírito Santo provem às almas todo o auxílio para a sua santificação. Do Espírito Santo procede à graça que faz brotar nos corações a preciosa semente da virtude. É dEle aquele divino fogo do amor que alimenta e faz crescer os bons desejos e os amadurece em obras de perfeição. Procede do Espírito Santo aquele ardor de bem querer que leva a trabalhar com santa generosidade. Do Espírito Santo emana aquela suave caridade que une o coração humano a Deus. Do Espírito Santo vem aquela paz necessária para progredir no bem. Do Espírito Santo provem as consolações que restauram e fortalecem o espírito, o suportam na dor e o impelem aos mais altos empreendimentos” (3).

É pelo poder do Espírito Santo que se realiza com ousadia a obra do Reino de Deus. Seus dons são tesouros que enriquecem a vida cristã. Os dons são ferramentas que capacitam de forma intrépida os cristãos a serem discípulos e missionários de Jesus Cristo por toda parte do mundo. Quão sublime, abissal e glorioso é o conhecimento sobre a obra do Espírito Santo e viver tomado por Ele é a nossa entrega total!

Pe. Inácio José do Vale

Irmãozinho da Visitação de Charles de Foucauld

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

Notas:

(1) Calendário Devocional Boa  Semente, 22 de março de 2015.

(2) Um Pão, Um Corpo, 31 de agosto de 2015.

(3)www.elenaguerra.org/elena/index.php?option=com_content&view=article&id=50:pensamentos&catid=35:pensa&Itemid=54

 

A Eucaristia na Lua

 

        “Jesus Cristo quer de tal modo unir-se conosco, pelo amor ardente que nos tem, que nos tornemos uma só coisa com Ele na Eucaristia.”

São João Crisóstomo (349-407)

Doutor da Eucaristia e

Patriarca de Constantinopla

 

A nave espacial Apollo 11 aterrissou na Lua em 20 de julho de 1969 com três astronautas: Neil Armstrong (1930-2012), Buzz Aldrin e Michael Collins. A maioria de nós está familiarizada com a afirmação histórica de Armstrong, quando ele pisou na superfície da Lua: “Um pequeno passo para o homem; mas um salto gigante para a humanidade.” Poucos sabem a respeito da primeira Eucaristia realizada na Lua.

Buzz Aldrin havia levado à nave um pequeno estojo da Santa Ceia Eucarística. Ele fez uma transmissão via rádio a Terra, pedindo aos ouvintes para contemplar os acontecimentos daquele dia e dar graças a Deus. Depois, com o rádio desligado, para maior privacidade, Aldrin pôs o vinho num cálice de prata, e leu: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele,  esse dá muito fruto…” (João 15,5). Em silêncio, deu graças e serviu-se do pão e vinho.

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