O Mestre da Oração

Côn. Vidigal*
Na sua passagem por esta terra Jesus não apenas ensinou a prece do “Pai Nosso”, mas também, através de seu exemplo, desvendou como deve se comportar o orante. Embora vivesse continuamente unido ao Pai, enquanto homem, os locais marcantes para ele entrar em oração são sumamente sugestivos. Retirava-se muitas vezes longe do bulício dos homens para um ambiente deserto, o qual facilita a contemplação, uma aplicação demorada e absorta do espírito numa sublime tertúlia.

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Jesus na Sinagoga de Nazaré

*Con. José Geraldo Vidigal

A primeira pregação de Jesus na sinagoga de Nazaré é como uma síntese de toda sua missão de evangelizador (Lc 4, 14-21). O trecho de Isaías mostra que lhe foi dado o Espírito do Senhor que estava sobre ele e lhe conferiu a unção para uma obra de libertação, de luz e de misericórdia. Ao fazer o comentário Cristo diz claramente: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”. É que Ele aplicou a si mesmo a palavra do profeta. Logo ele que os ouvintes conheciam como o filho do carpinteiro José se identificava com o Messias prometido e esperado! Todos tinham os olhos cravados nele e admiravam com sua mensagem, pois era a graça de Deus que Ele anunciava a todos. Bem sabemos que aquele arrebatamento.foi instantâneo, pois, quando Jesus afirmou que ele levaria a boa nova e seus milagres igualmente aos pagãos como no tempo de Elias e Eliseu, seus conterrâneos se enfureceram. Aí então uma primeira indagação que se deve fazer: “Qual é o ato de fé que Cristo-Messias pede a cada um, quando assim ele se manifesta como o Redentor que o Pai enviou a esta terra”? Ele quer que nos identifiquemos não a Ele, o profeta portador do Espírito, mas àqueles visados por Isaias, ou seja, os pobres, os cativos, os cegos e os oprimidos.

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Lições das Bodas de Caná

Côn. José Geraldo Vidigal*

O acontecimento que se deu em Caná, no Evangelho de São João,  tem uma considerável importância (Jo 2,1-11). Com efeito. é  o primeiro dos sete milagres narrados por este Evangelista os quais  patenteiam a divindade de Cristo. O fato ocorreu numa pequena cidade da Galiléia. Uma festa de casamento que poderia ter terminado mal, uma vez que o vinho veio a faltar e isto seria um desastre diante dos convidados. Contudo houve um final feliz porque a Mãe de Jesus, atenta como todas as mães, percebeu o que estava acontecendo e se dirigiu a seu Filho. Este se dispos a fazer a   primeira manifestação de seu poder divino. De plano, é de se admirar a atenção de Jesus e Maria para com os noivos numa gentileza que faz brilhar a fé que nele devemos ter e a confiança inabalável na intercessão da Medianeira de todas as graças. Há, entretanto, um ponto essencial a ser considerado. Este episódio se situa no início do segundo capítulo do Evangelho joanino.

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A Família de Nazaré

Con. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O domingo da Sagrada Família, logo após o Natal, apresenta o trecho do Evangelho de São Lucas sobre Jesus no templo entre os doutores, cujos detalhes podem causar perplexidade (Lc 2, 41-52). O evangelista não tinha em mira apresentar um conjunto de histórias destinadas a comover, mas oferecer acontecimentos atinentes à pessoa e à personalidade do divino Redentor. A narrativa é bem realista e até surpreendente. Jesus desgarra-se de seus pais. José e Maria O procuram durante três dias entre parentes e conhecidos e, depois, na agitada Jerusalém. Por ocasião do reencontro ecoa a queixa amarga de Maria que revelava o quanto sofreram ela e José, angustiados, à procura do filho amado. È que apenas aos poucos Jesus iria assumir a missão que viera realizar nessa terra atinente à salvação da humanidade e, tendo apenas doze anos, suas palavras dizendo que deveria estar na casa do Pai eram obscuras, não inteligíveis, de imediato, para José e Maria. São Lucas, porém, acrescentou que Sua mãe “conservava no coração todas estas coisas”.

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O poder da União na Família

Côn.José Geraldo Vidigal*

Este tema é importantíssimo. Com efeito, em nossos dias, quando tudo leva a um subjetivismo alarmante, fruto do individualismo que aflora de um egoísmo deletério, multiplicam-se os penosos problemas das relações mútuas o que leva à desunião familiar. Trata-se do convívio entre os esposos, entre os pais e os filhos. É preciso, antes de tudo,  que cada um procure se auto-realizar, mesmo porque quem não sabe conviver consigo mesmo nunca obterá êxito com os outros. Nada pior para uma pessoa do que a perda da auto-confiança.

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Preces pelos fiéis Falecidos

Côn. José Geraldo Vidigal*

Em novembro preces especiais são elevadas a Deus pelos falecidos. A existência do Purgatório foi definida em dois Concílios Ecumênicos: no de Florença, no século XV, e no de Trento, no século seguinte. Deste Concílio este texto: “A Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, baseada nas Escrituras Sagradas e nas antigas tradições dos Padres, declarou nos Santos Concílios que existe um Purgatório, e que as almas nele detidas podem ser auxiliadas pelos sufrágios dos fiéis, mas principalmente pelo Sacrifício do altar”. Lemos no segundo livro dos Macabeus (2 Mac. 12,43-46 que Judas Macabeu vencera Górgias numa batalha. Ao sepultar os seus mortos encontrou em suas túnicas algumas moedas tomadas das ofertas feitas aos ídolos de Jâmnia, o que era contra a Lei (Deut. 7,25). Fez uma coleta, recolheu 12 mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados dos mortos. Não julgou que eles tivessem pecado mortalmente, “pois considerou que, tendo morrido piedosamente, tinham assegurado uma grande paz”. Vem então a grande diretriz bíblica: “É um santo e salutar pensamento orar pelos defuntos, a fim de que sejam livres dos seus pecados”.

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O Sensacionalismo de sempre

Con. José Geraldo Vidigal*

O anúncio da descoberta de um fragmento de papiro do século IV com uma suposta referência de Jesus a uma sua esposa provocou reações mundo afora. Uma frase incompleta a provocar conclusões as mais incoerentes e insustentáveis diante de tudo que está no Novo Testamento. “Minha mulher” e nada em seguida. É de se notar que no Evangelho de São Marcos lemos o que Jesus disse: ”Minha filha”, mas a frase inteira é esta dirigida à hemorroíssa curada pelo poder do Redentor: “Minha filha, tua fé de salvou” (Mc 5,324).

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Como seguir a Jesus

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O divino Redentor não poderia ser mais claro: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mc 8,34). Para tomar a própria cruz uma condição basilar é o desapego de si mesmo. Quem não faz dos bens terrenos meros instrumentos para a caminhada nas trilhas do Mestre divino, mas a eles se apega não está em condições de colocar os seus passos nos passos de Jesus. Muitos se prendem a suas idéias, a seus projetos sem a reta intenção de procurar a própria salvação e a do próximo e, assim, desconhecem a renúncia cristã.

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