Comunhão aos recasados: chega de bafafá!

Quer entender de uma vez por todas a treta da Comunhão Eucarística aos recasados? Vem comeeeeeego!

Desde que o Papa Francisco publicou a encíclica Amoris Laetitia, duas interpretações tortas se destacaram entre o povo católico:

uns entenderam que liberou geral, e que todos os divorciados recasados (em estado de adultério) agora podem comungar;
outros dizem que a encíclica não mudou nada do que São João Paulo II já havia dito antes.
Péeeeeeee! Tudo errado. Cês tão brisando nas drogas?

Divorciados recasados agora podem comungar? Não. Essa é a norma geral. Porém, pode haver EXCEÇÕES – com base no que o Catecismo ensina sobre atenuantes em certas situações de pecado grave.

Entre as exceções, estão os casais em segunda união que permanecem juntos por causa dos filhos, mas não fazem sexo – o que já havia sido permitido por São João Paulo II. A novidade é que o Papa Francisco ampliou os casos de exceção.

São João Paulo II, na encíclica Familiaris Consortio, já admitia que havia diferentes níveis de culpabilidade entre os casais de segunda união. Por exemplo, quem foi responsável pela destruição do próprio casamento tem um pecado e uma culpa bem maior do que quem sinceramente fez de tudo para salvar o matrimônio, mas foi injustamente abandonado.

Há recasados e recasados… Cada casa é um caso. O problema é que muitos de nossos padres e bispos se conformam em tratar a todos os divorciados recasados do mesmo modo, bastando pregar a eles uma regra geral. Mas não é assim que um bom pastor deve agir! “Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações”, alerta São João Paulo II.

Agora, PRESTE MUITA ATENÇÃO nesse ensinamento do santo polonês:

Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações. Há, na realidade, diferença entre aqueles que sinceramente se esforçaram por salvar o primeiro matrimônio e foram injustamente abandonados e aqueles que por sua grave culpa destruíram um matrimônio canonicamente válido. Há ainda aqueles que contraíram uma segunda união em vista da educação dos filhos, e, às vezes, estão subjetivamente certos em consciência de que o precedente matrimônio irreparavelmente destruído nunca tinha sido válido.- Exortação Apostólica Familiaris Consortio
Leu com atenção? Ok. Agora volte e leia de novo! Esse trecho é a chave de leitura para que você possa entender o que o Papa Francisco determinou sobre a Comunhão para divorciados recasados.

A LINHA PASTORAL DE SÃO JOÃO PAULO II

Como você viu, São João Paulo II reconheceu que nem tudo é preto no branco, e que há uma gradação de culpabilidade em cada situação de segunda união.

Sim, de modo geral, divorciados em segunda união estão em adultério (Jesus deixou isso claro m Mateus 15) e se arriscam a ir para o Inferno. Porém, em algumas situações bem específicas, devido aos atenuantes, alguns deles não estão em pecado mortal – estão apenas em situação não-ideal e irregular.

Qual o fundamento para afirmar isso? O Catecismo da Igreja Católica (ponto 1735), que ensina que a culpabilidade de um ato pode ser diminuída ou até mesmo anulada, dependendo das circunstâncias atenuantes.

Eis aquele momento em que o católico fariseu abre o Catecismo e fica “perplecto”…

Nos casos em que a culpabilidade da segunda união não existe, São João Paulo II garantia que o Senhor, que conhece os corações, concederia ao casal a “comunhão espiritual”. Mesmo tendo a convicção, em suas consciências, de que são inocentes, não deveriam comungar, pois poderiam escandalizar e conduzir outros fieis ao erro e à confusão.

É neste ponto que o Papa Francisco dá um salto pastoral: é possível que um casal em segunda união, EM CONJUNTO COM SEU PASTOR (não sozinhos!) chegue à certeza de que ele está livre de pecado mortal. Nesse caso, poderá ter acesso à Eucaristia, ainda que de modo discreto, para evitar escândalos.

Mas é bom o povo recasado não se empolgar: o acompanhamento dos casais em segunda união não tem por objetivo lhes dar a permissão comungarem. Muitas vezes, isso não será possível, como esclarece o documento dos bispos argentinos, que foi elogiado pelo Papa Francisco:

4) Este caminho, não termina necessariamente nos sacramentos, mas pode orientar-se para outros modos de se integrar mais na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, a participação em grupos de oração ou reflexão, o compromisso em diversos serviços eclesiais etc.

Fonte: InfoCatólica

A LINHA PASTORAL DO PAPA FRANCISCO

Enquanto São João Paulo II entrega essas situações difíceis e complexas ao julgamento exclusivo de Deus (que pode ou não conceder a comunhão espiritual aos recasados), o Papa Francisco coloca mais responsabilidade na mão dos padres e bispos (que podem ou não conceder o acesso à comunhão aos recasados).

Segurem essa batata quente, sacerdotes de Deus! Não é bomba, não!

Os sacerdotes são ungidos do Senhor: podem avaliar e julgar. E assim, eventualmente, podem permitir que determinados casais em segunda união comunguem – como Deus mesmo o faria. O Papa Francisco os convida “a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajudá-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja”.

Alguém pode questionar se essa abordagem pastoral de Francisco não é muito arriscada. Eis o que papa argentino pensa sobre isso:

...prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. (…) Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6, 37).– Exortação Apostólica Evangelii Gaudium
Aos que preferem uma abordagem mais rígida, o Papa Francisco responde:

Compreendo aqueles que preferem uma pastoral mais rígida, que não dê lugar a confusão alguma; mas creio sinceramente que Jesus Cristo quer uma Igreja atenta ao bem que o Espírito derrama no meio da fragilidade: uma Mãe que, ao mesmo tempo que expressa claramente a sua doutrina objetiva, «não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada».– Exortação Apostólica Pos-Sinodal Amoris Laetitia
O PAPA ESTÁ RELATIVIZANDO A DOUTRINA?

Não, não está. O que ele fez foi flexibilizar a pastoral, de modo a socorrer os pecadores que, por uma série de condicionamentos, se veem incapazes de viver o ideal proposto pelo Evangelho acerca do matrimônio.

Para evitar qualquer interpretação tendenciosa, lembro que, de modo algum, deve a Igreja renunciar a propor o ideal pleno do matrimônio, o projeto de Deus em toda a sua grandeza (…). A tibieza, qualquer forma de relativismo ou um excessivo respeito na hora de propor o sacramento seriam uma falta de fidelidade ao Evangelho e também uma falta de amor da Igreja pelos próprios jovens.A compreensão pelas situações excepcionais não implica jamais esconder a luz do ideal mais pleno, nem propor menos de quanto Jesus oferece ao ser humano. Hoje, mais importante do que uma pastoral dos falimentos é o esforço pastoral para consolidar os matrimônios e assim evitar as rupturas.- Exortação Apostólica Pos-Sinodal Amoris Laetitia
Um Papa que se refere à pastoral dos recasados como “pastoral dos falimentos” lhes parece um relativista?

Viva o Papa Francisco!
Fonte: O Catequista

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