A Crise Vocacional e o Abandono da Vida Consagrada

Frei Inácio José do Vale

A cultura do provisório tem influência também nas crises vocacionais. Essa foi uma das constatações evidenciadas durante o dia de estudo sobre o tema, realizado no Instituto de Espiritualidade da Pontifícia Universidade Antonianum de Roma. A esse propósito, o secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Dom Frei José Rodríguez Carballo, ex-Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, que falou sobre as cifras e as motivações das crises vocacionais de religiosos, diz ele: “É verdade que os abandonos são preocupantes; assim como é verdade que não posso aceitar que tais abandonos sejam normais, porque depois de tantos anos de formação não é normal que um jovem frade ou uma jovem irmã diga: “Não quero mais isso. Deixo!”. Vemos que as cifras são significativas: estamos falando, mais ou menos, de três mil abandonos a cada ano. É o que chega à nossa Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e à Congregação para o Clero” (1).

Entre 2015 e 2016 tivemos por volta de 2.300 abandonos de religiosos e religiosas por ano
“As cifras dos abandonos nos últimos anos prosseguem constantes”, continuou. “Entre 2015 e 2016 tivemos por volta de 2.300 abandonos de religiosos e religiosas por ano”, acrescentou. Ele especificou os números precisos das causas dessas desistências, que em não poucos casos são apostasias acompanhadas de escândalo.

O mesmo Dom Rodríguez Carballo, que já ocupava o cargo de secretário de referido dicastério vaticano, havia informado em 2013 que mais de 3.000 religiosos e religiosas estavam abandonando anualmente a vida consagrada, segundo informara o “Vatican Insider”.

Em artigo publicado no L’Osservatore Romano, o alto dignitário citou 11.805 dispensas emitidas por sua Congregação em cinco anos, com uma média anual de 2.361 casos. Por sua vez, a Congregação para o Clero, havia concedido no mesmo período mais 1.188 dispensas das obrigações sacerdotais e 130 das obrigações do diaconato.

O total somado indicava que em cinco anos abandonaram hábitos e batinas 13.123 religiosos ou religiosas, ou 2.624 cada ano.

Os números engrossam com os casos cuidados pela Congregação para a Doutrina da Fé, de religiosos ou sacerdotes que renegaram a Fé (2).

Em diversos países da Europa é possível encontrar igrejas sendo vendidas ou ver os espaços sendo ocupados por empresas. Desocupar os grandes templos foi à única decisão que as igrejas – católicas ou protestantes – puderam tomar diante da queda do número de fiéis. Sem ter membros para frequentar as reuniões e sem arrecadar dinheiro para manter esses espaços, “passar o ponto” foi à única escolha que restou. A Igreja de St. Joseph, na Holanda, por exemplo, se transformou no Arnhem Skate Hall. Ali dezenas de skatistas realizam manobras radicais em um espaço onde antes cerca de 1.000 fiéis se juntavam para rezar.

A Holanda é um dos países onde o fechamento de igrejas é mais constante, a estimativa é que nos próximos dez anos 1.600 igrejas católicas devem ser fechadas e 700 protestantes deixarão de existir em quatro anos. Algumas igrejas que já foram fechadas na Holanda se tornaram empreendimentos como supermercado, floricultura, livraria, academia de ginástica e até loja de roupas femininas.

A Grande Mesquita de Fatih, na capital Amesterdã no passado foi a Igreja de São Inácio. Das 720 igrejas existentes na província de Friesland, 250 se tornaram mesquitas ou foram fechadas. A sinagoga da cidade de Haia agora responde pelo nome de mesquita Al Aqsa.

O cristianismo perdeu forças na Europa, enquanto que o judaísmo ortodoxo continua estável. Segundo o Instituto Pew Research Center a imigração tem feito com que o número de muçulmanos aumente na região chegando a atingir 6% da população em 2010.

Além da Holanda igrejas na Inglaterra também estão fechando, uma delas funciona hoje como Circomedia, uma escola de treinamento de circo. O espaço hoje usado para criar malabaristas e palhaços já foi chamado de Igreja de St. Paul localizada em Bristol (3).

Centenas de igrejas estão virando mesquitas na Europa
Em toda a Europa, o Islã estatisticamente cresce mais que o cristianismo, enquanto os judeus estão abandonando o velho continente em quantidades cada vez maiores. O Gatestone Institute, que monitora a ascensão do islamismo, fez um levantamento espantoso: a maioria das igrejas europeias estão se tornando templos islâmicos. Isso era impensável até o século passado.

O Reino Unido testemunha situações similares. A principal mesquita em Dublin, capital da Irlanda, durante séculos foi uma igreja presbiteriana. Na Inglaterra, são centenas de igrejas fechadas na última década, sendo que muitas foram reformadas para abrigar mesquitas.

Segundo dados atuais, são 3 milhões de seguidores de Maomé na terra da Rainha Elizabeth, sendo mais da metade deles imigrantes.

De acordo com o jornal La Libre, dezenas de igrejas belgas estão em perigo iminente de conversão para outros usos. Uma boa porcentagem deve virar mesquita. Em Bruxelas, metade das crianças que estudam em escolas públicas assistem aulas de religião muçulmana, embora oficialmente apenas 19% da população se declara muçulmana.

Na Alemanha, apesar de a chanceler Angela Merkel ser filha de pastor luterano e o presidente Joachim Gauck ser um pastor protestante, o cristianismo está em queda livre. Entre 1990 e 2010, a Igreja Luterana Alemã fechou 340 igrejas e a Igreja Católica perdeu mais de 400 templos.

Muitas delas foram adquiridas pela crescente comunidade muçulmana no país. Eles eram 50 mil na década de 1980, hoje passam de 4 milhões.

Segundo um levantamento do Instituto Pew, a população muçulmana na Europa na década de 1990 era cerca de 29 milhões de pessoas. A projeção era que chegassem a 58 milhões em 2030. Contudo, a crise migratória dos últimos dois anos impossibilitou qualquer previsão em curto prazo. Todos os especialistas apontam para números muito superiores nas próximas décadas.

Esse é um exemplo significativo. Um ano atrás, o líder muçulmano francês Dalil Boubakeur sugeriu transformar igrejas vazias em mesquitas (4).

Não culpe os muçulmanos pelo esfriamento cristão na Europa, diz cardeal da Áustria
Um importante cardeal católico europeu pede que cristãos não culpem os muçulmanos por querer “islamizar” a Europa. Em vez disso, deveriam trabalhar mais para encher suas igrejas e parar de vendê-las para que sejam convertidas em mesquitas.

Em entrevista recente, o cardeal da Áustria, Christoph Schoenborn, 71 anos, cujo nome foi aventado como um dos sucessores do papa, asseverou: “Quando vemos que as mesquitas estão sempre cheias e as igrejas quase sempre vazias, não podemos culpar os muçulmanos por querer islamizar a Europa. Deveríamos nos censurar por não trabalhar o suficiente para que a Europa continue sendo cristã”.
“O medo da islamização da Europa não faz sentido… Quando uma igreja é vendida na Holanda e transformada em um supermercado, isso mostra que os supermercados são mais importantes para nós que as raízes cristãs da Europa. Portanto, não deveríamos ficar surpresos com a descristianização da Europa. Só que não é culpa dos muçulmanos”, disse o cardeal (5).

Conclusão

A era pós-moderna e a era da desconstrução do sagrado, a sua identidade é a secularização e o relativismo. Dentro desse contexto temos a dessacralização, os desigreijados e o fundamentalismo religioso. Este é composto pelo fanatismo que é inimigo da razão, da ciência e da fé ortodoxa. O nosso tempo é um monstro das incompatibilidades e muito confuso! “O progresso da iniquidade e o amor de muitos se esfriará” (Mt 24,12). O ser humano está em conflitos existenciais, tomado por um individualismo exacerbado, anseia aventuras, cai na armadilha do consumismo, fraqueja diante do narcisismo e do hedonismo. Muitos indivíduos não suporta esconder tudo isso por trás da capa religiosa. A falta de uma boa formação espiritual, psicológica, a ausência de amor fraterno, a estrutura institucional ditatorial e a falta do bom senso pela dignidade da pessoa humana, tudo isso agrava o abandono da vida consagrada, da fé e da Igreja.
Frei Inácio José do Vale
Professor e conferencista
Sociólogo em Ciência da Religião
Irmãozinhos da Visitação da Fraternidade de Charles de Foucauld
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

Notas:
(1)http://www.franciscanos.org.br/?p=48432
(2)http://lumenrationis.blogspot.com.br/2017/03/entre-2000-e-3000-religiosos-abandonam.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+LuzDeCristoXTrevasDaRazo+(Luz+de+Cristo+x+trevas+da+irracionalidade)
(3)https://noticias.gospelprime.com.br/igrejas-fechadas-holanda-pista-skate/
(4)https://noticias.gospelprime.com.br/centenas-de-igrejas-estao-virando-mesquitas-na-europa/
(5)https://noticias.gospelprime.com.br/nao-culpe-muculmanos-descristianizacao-europa/

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