Dia da/o Catequista

Dom Caetano Ferrari, OFM
Bispo de Bauru (SP)

Para que os chefes dos fariseus, os fariseus e seus amigos se convertessem, pois o Evangelho é também Boa Nova oferecida a eles, Jesus convida-os no trecho evangélico da Missa de hoje, conforme o relato de São Lucas – Lc 14,1.7-14 – a praticarem duas virtudes de base: a humildade e a amizade aos pobres.


Lucas conta que num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. Lá, Jesus viu como os convivas escolhiam os primeiros lugares. Então, Ele contou-lhes uma parábola de uma festa de casamento com a intenção de questionar a etiqueta vigente na sociedade daquele tempo. Chamou-lhes a atenção para dizer que nesse tipo de festa, agora a partir do novo ensinamento, a etiqueta evangelicamente correta manda que a pessoa vá ocupar o último lugar. Além da razão teológica que Jesus deixa claro em outra ocasião – O Filho do Homem se fez humilde e obediente ao Pai – pode inclusive vir a acontecer, conforme Ele dizia, uma excelente chance de alcançar um reconhecimento público de destaque. Com efeito, como Ele explicava, quando chegar o que te convidou ele poderá te dizer em público: “Amigo, vem mais para cima”. Então, isso será motivo de honra para ti diante de todos os convidados. Se tivesses ocupado um dos primeiros lugares, poderia acontecer de chegar outro convidado mais importante que criaria para ti uma situação de humilhação pública, caso o dono da festa te dissesse: “Amigo, dá o teu lugar a ele”. Jesus sintetiza a lição sobre a humildade com esta conhecidíssima expressão: “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”.

Na sequência da narrativa, Lucas conta que Jesus passou também outro ensinamento igualmente importante, dirigindo-se diretamente ao que o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos”. Ele explicava que estes poderiam retribuir convidando-o para uma festa igual. Então, essa prática “do dá cá para receber lá”, é uma coisa que até os pagãos faziam entre si, como dissera em outra ocasião, o que não é compatível com o Evangelho. Nessa perspectiva não haveria mérito algum. Mas, tu farás a diferença quando convidares à festa os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos que não poderão fazer o mesmo. Concluindo, Jesus arrematou, dizendo-lhe : “Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. Os pobres são os prediletos do Reino que Jesus veio trazer, ideia forte do seu Evangelho.

A presente lição de Jesus se aplica também a todo discípulo que aspirar crescer na perfeição e avançar no caminho da santidade de vida cristã. Caminhar na vida com as “sandálias da humildade” e fazer o bem a quem não pode retribuir porque é pobre é priorizar os valores do Reino de Deus, segundo diz Jesus: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado de acréscimo” (Mt 6,33). A misericórdia para com os pobres é a chave da entrada no céu.

Neste agosto, um mês todo vocacional: dia do padre, dia dos pais e da família, dia da/o religiosa/o, hoje é o dia dos servidores da comunidade, especialmente, da/o catequista.

Catequista: uma vocação e missão particularmente especial na Igreja. Todos nós tivemos um/a ou mais: da primeira Eucaristia, da perseverança, da Crisma. O que se passou comigo deve ter se passado com você também, estimado/a leitor/a. Não posso me esquecer da catequista de minha infância e adolescência. No meu tempo e no meu caso catequista era uma mulher. Recordo, com gratidão e saudade, da minha catequista, a dedicação e bondade de quem me ensinou o “bê-á-bá” da fé. Você inclusive deve recordar, com os mesmos sentimentos de gratidão, quem lhe ensinou a doutrina cristã e a dar os primeiros passos rumo aos sacramentos da Igreja.

Hoje, toda a Igreja festeja o dia da/o Catequista, agradecendo as/os Catequistas atuais e rezando por elas e eles e ainda por todas/os que já estão na casa do Pai.

A Igreja não se omite deixando de reconhecer publicamente o papel importante das/os Catequistas que não só introduzem as nossas crianças no conhecimento dos fundamentos da fé, mas, sobretudo, as levam a conhecerem e a amarem a Jesus Cristo, ajudando-as a fazerem o seu primeiro encontro pessoal com Ele que marca as suas vidas para sempre.

Às/aos Catequistas agradeço, em nome da Diocese, por seu ministério. Em todas as nossas Igrejas, hoje, louvamos a Deus e a Ele suplicamos bênçãos e graças de saúde, paz e todo o bem para todas elas e todos eles.

“Senhor, enviai operários à vossa messe, porque a messe é grande e os operários são poucos”.

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