A existência de Deus

 

        “Os céus contam a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos” (Sl 19,1.2).

A existência de Deus Todo-Poderoso criador de todas as coisas boas e maravilhosas é uma verdade tão clara e plausível à inteligência que a Sagrada Escritura denomina insensatos aqueles que dizem não existir Deus (Sl 14,1).

Escutemos, pois, o testemunho de nossa consciência e o da humanidade inteira, compreendamos a linguagem maravilhosa da criação que nos circunda. A partir de então, todas as vezes que nosso olhar se perder nas profundezas do firmamento, nas belezas da natureza, na grandeza das montanhas, na imensidade dos mares, rendamos homenagem à sabedoria de Deus que criou e dispôs todas estas coisas 1.

O ser humano é capaz de reconhecer a existência do Criador através de suas obras. Pois, como afirma  São Paulo Apóstolo, “desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras” (Rm 1, 20).

O ínclito filósofo grego Aristóteles afirmava que Deus, “embora invisível a toda natureza mortal, pode ser visto em suas obras”2. E o Catecismo da Igreja Católica, fazendo eco aos dois Concílios Vaticanos, afirma: “A Santa Igreja, nossa Mãe, sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas”3.

Portanto, servindo-nos de exemplos, comparações e alguns fatos históricos, procuremos reforçar nossas convicções sobre a existência de Deus, para melhor amá-lo, servi-Lo a reverenciá-Lo. Se aprofundar no conhecimento científico e na santíssima fé, podemos viver e testemunhar com solidez a nossa crença no único e eterno amoroso Deus.

 

O CRIADOR

 

Nada é tão belo como a ordem que reina no universo. Pois estamos em presença de uma obra imensamente mais bela: o mundo. A conclusão é inevitável: este mundo não pode ter sido organizado com tanta harmonia a não ser por uma inteligência, e esta inteligência e á de Deus. O Dr. Paul Davies, catedrático em matemática aplicada no King’s College, em Londres, escreveu: “Aonde quer que olhemos no Universo, desde as extensas galáxias até os recantos mais recônditos do átomo, encontramos ordem…”.

Atribui-se ao filósofo francês Voltaire um adágio que bem sintetiza tal preposição: “Quanto mais penso, menos posso acreditar que sem um relojoeiro, este relógio possa funcionar” 4.

À mesma conclusão chega o astrônomo britânico contemporâneo Sir Fred Hoyle: “A vida não pode ter tido um início aleatório. […] Existem cerca de duas mil enzimas, e a possibilidade de obtê-las todas numa experiência aleatória é apenas uma parte em 1040.000, uma probabilidade tão chocantemente pequena que não deveria ser considerada nem sequer no caso de o mundo inteiro ser uma sopa orgânica”5. Ou seja, se impões a necessidade de um Criador.

Tanto a lei que rege o Universo como a lei da consciência, são provas  da existência de um Legislador que a tenha determinado. Assim, o apelo da consciência humana proclama a existência de um soberano Mestre das consciências, que é Deus.

 

CONCLUSÃO

 

Em todas as partes, por todas as latitudes, em qualquer grau de civilização ou de barbárie a que pertençam, todos os povos têm uma religião. Jamais encontramos na História um povo ateu. Dirigindo-nos a qualquer parte do mundo, independente do período histórico, nos deparamos com templos, altares, cerimônias e dias de festas religiosas em louvor a alguma divindade.

Quem pôde inscrever esta crença no coração do homem? Como a humanidade inteira poderia estar completamente equivocada a este respeito?

O renomado antropólogo francês Jean Louis Armand  escreveu: “Obrigado pelas minhas investigações a passar em revista todas as raças humanas, procurei nelas o ateísmo de cima a baixo. Mas não o achei, exceto em indivíduos ou em escolas mais ou menos limitadas. […] Em todo tempo e lugar, a grande maioria dos povos fugiram dele. Não achei em nenhum local uma raça importante, e nem sequer uma divisão menos importante dela, que professasse o ateísmo”6.

Sem dúvida, os povos de todos os séculos e lugares têm diferido em suas crenças. Uns adoram as pedras, outros, os animais e outros ainda, o Sol. Muitos têm atribuído aos seus ídolos os seus próprios vícios ou qualidades. Mas todos são unânimes em concordar que existe uma divindade à qual é necessário render culto.

Todos nós temos um desejo muito forte de nos comunicar com os demais. O homem é um “animal político” na definição de Aristóteles7; segundo São Tomás de Aquino, um “animal social”8. Isto se explica pelo fato de termos nascido todos com uma particularidade denominada por Cícero “instinto de sociabilidade”9. O ser humano é por natureza  crente. Foi o Criador que colocou no interior do ser humano a eternidade (Ecl 3,11). Ele crer em Deus ou em deuses. No entanto ele precisa, necessita de comunicação transcendental com algo maior que ele para prestar adoração e louvor.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor, escritor e conferencista

Sociólogo em Ciência da Religião

Religioso dos Irmãozinhos da Visitação de Charles de Foucauld

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

Notas:

(1) Luis Javier Camilo, In. Arautos do Evangelho, fevereiro de 2016, p.21.

(2) ARISTÓTELES. De mundo, c.6. O padre Louis-Claude Fillion menciona esta frase do filósofo ao analisar a acima citada passagem da Carta aos Romanos, e lembra que no Antigo Testamento se recorre com frequência ao mesmo raciocínio – que ele chama de argumento fíxico – para provar a existência de Deus (cf. FILLION, Louis-Claude. La Sainte bible commentée. 3.ed. Paris: etouzey et Ané, 1921, t. VII, p.25).

(3) CCE 36.

(4) “Pour ma part, plus j’y pense et moins je puis songer que cette horloge marche et n’ ait point d’horloger”.

(5) HOYLE, Fred; WICKRAMASINGHE, Chandra, Evolution from Space, New York: Simon and Schuster, 1984, p.176.

(6) QUATREFAGES DE BRÉAU, Jean Louis Armand. The human species. New York: Appleton, 1879, p.482-483.

(7) ARISTÓTLELES. Política. L.I, c.2,1253.

(8) SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q. 96, a.4.

(9) CÍCERO, Marco Túlio. Da república. L. I, n.25.

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