Deus e eu

 

Prof.: Felipe Aquino

O caminho da santidade, da volta para Deus, consiste em recolocar DEUS no seu lugar, devolver-lhe o Trono que lhe pertence e em nosso coração!

Em nosso coração há um Trono onde está sentado o nosso EU, naturalmente egoísta, déspota, egocêntrico e ególatra. O pecado original expulsou DEUS deste Trono, que Deus colocou em nossa alma para ali viver e reinar, e ali entronizou o nosso EGO no Seu lugar.

O Papa São João Paulo II disse um dia que “o pecado original tirou os nossos olhos do Criador e os voltou para as criaturas”. Nelas passamos a buscar a felicidade que deveria ser buscada em Deus. Consequência disso é que nos afastamos Daquele que é TUDO, e experimentamos a miséria do NADA.

Uma grande verdade que a Sagrada Escritura nos revela é esta: “pertencemos a Deus”: “Não sabeis que já não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por um grande preço” (1 Cor 6,19). O Salmista exclama no Invitatório: “Nós somos o povo de que ele é o pastor” (Sl 94,7b), por isso: “Vinde, inclinemo-nos em adoração, de joelhos diante do Senhor que nos criou” (Sl 94,6).

Se Ele nos criou como a mais excelsa expressão da Sua glória e do Seu amor, somos seus: nossa vida Lhe pertence e somente n’Ele saciaremos a sede infinita que existe no coração de cada um de nós. Falando aos gregos em Atenas, São Paulo explicou: “É nele que temos a vida, o movimento e o ser” (At 17,28a).

Após o pecado de Adão e Eva, a humanidade se afastou de Deus, a morte e a dor entraram em nossa história; mas Deus não nos abandonou ao poder da morte, Cristo nos conquistou novamente para Ele, com o preço da Sua vida. São João nos ensinou que Ele “veio para o que era seu” (Jo 1,11a) e que “tudo foi feito por ele” (Jo 1,3a). “Ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu” (2 Cor 5,15).

Pertencemos a Deus duplamente: primeiro porque fomos criados por Ele; segundo, porque nos fez renascer por Jesus Cristo, que nos “comprou” com o preço da Sua vida. São Pedro, na sua primeira carta, falou disso com clareza: “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados (…) mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum” (1 Pd 1,18a-b.19ª).

Portanto, o caminho da santidade, da volta para Deus, consiste em recolocar DEUS no seu lugar, devolver-lhe o Trono que lhe pertence e em nosso coração, porque Ele é nosso criador. Sem isso nossa vida funciona como uma roda excêntrica, isto é, com o eixo fora do seu centro. Deus deve ser o Centro de nossa vida, nosso sentir, nosso pensar, nossos desejos e nosso agir.

Temos que trocar o EU por D-EU-S no trono de nossa alma; não matando o EU, mas fazendo-o ser todo penetrado por DEUS e todo submisso a Ele. No entanto, esta é uma obra tão grande e difícil, que só o mesmo DEUS pode realizá-la em nós. A nós cabe permitir que isso aconteça e cooperar com DEUS. Por isso Ele veio em nosso socorro no Natal; assumiu a nossa natureza sem deixar a Sua, fez-se pobre para nos enriquecer, armou a Sua Tenda entre nós. Teve compaixão de nossa miséria. Reza a Igreja: “Vós, que, sem deixar de ser Deus, quisestes vos tornar homem como nós, fazei que nossa vida alcance sua plenitude na participação da vossa divindade. Pelo Vosso nascimento, Senhor, livrai-nos do mal!”

 

 

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