Como orar?

A oração é algo simples, tão simples como respirar. É a respiração da alma. Não precisa de muita preparação. Certamente, a oração vocal (Pai-Nosso, Ave-Maria etc.) é uma forma de orar, mas só tem seu verdadeiro sentido quando serve para nos levar a uma oração interior e profunda ou é expressão dela.

1. Preparo meu coração para orar

O mais importante é a atitude de busca de Deus e o silêncio interior, que é um pouco difícil, porque estamos cheios de barulho; mas é imprescindível para entrar em oração.

Para começar, tento deixar de lado as preocupações, angústias, estresse, inquietudes etc., para ir percebendo que estou com o Senhor, quem me escuta e fala comigo. E, nesse momento, isso é o mais importante e o único que conta.

Dirijo um olhar ao sacrário, onde Jesus está presente, ou ao crucifixo; e digo ao Senhor que Ele está aqui, junto a mim, amando-me, escutando-me, acolhendo-me. É muito bom entrar na experiência de que Deus me ama, sabendo que é algo delicado (não difícil), porque é mais fácil amar que deixar-nos amar.

Reconheço minhas dificuldades, problemas, misérias e pecados – não para ficar só pensando nisso, mas para tomar consciência da minha pobreza. Sei que não posso me encontrar com Deus sendo tão pobre assim, mas confio na sua graça. Coloco nas suas mãos tudo o que sou e tenho e me abandono em sua misericórdia. Peço ao Espírito Santo que me ajude a orar, porque sou fraco (cf. Romanos 8, 23).

2. Leitura da Palavra de Deus

Pego um texto da Bíblia, de preferência dos Evangelhos, das cartas de São Paulo, dos Salmos ou dos profetas. Talvez o mais simples seja ler alguma das leituras da missa do dia, especialmente do Evangelho.

Sou consciente de que não se trata de qualquer leitura: esse livro é muito diferente de qualquer outro; as palavras que contém são Palavra de Deus, a palavra que Deus dirige à Igreja e a mim, neste momento.

Não preciso correr. Faço uma leitura serena, sem pressa. O importante não é ler muito, mas mergulhar no que leio, chegando a descobrir o que Deus quer me dizer.

Depois de ler algumas frases, convém voltar a lê-las várias vezes, como se quiséssemos memorizá-las.

Mantendo sempre a paz interior, vamos prestando atenção no mais importante do que lemos: talvez uma expressão, ou até uma simples palavra. Repetimos isso muito devagar, para guardar no coração, tentando captar todo o mistério que possui e que mal consigo vislumbrar nesse momento. Vou descobrindo então o que o Senhor me diz.

Se não tenho a Bíblia ou um missal à mão, posso utilizar algum dos textos que aparecem no final deste artigo, procurando prestar atenção em apenas um deles.

3. Meditação

Pouco a pouco, vai permanecendo no meu coração uma espécie de eco da palavra que li e captei. Tento acolhê-la para descobrir o que o Senhor me diz. Para isso, procuro imaginar o que o Senhor sente e como agiria no meu lugar. Tento encontrar o eco concreto que sua Palavra tem na minha vida, evitando moralizar ou fazer propósitos agora, procurando sintonizar meus sentimentos e atitudes com os do Senhor.

Em clima de paz interior, tento responder à Palavra sobre a qual medito. É o momento de ver o que quero dizer ao Senhor. Entramos em um verdadeiro diálogo interior que tem de ir se realizando com poucas palavras, na intimidade da comunicação de coração a coração.

4. Contemplação

Cada vez vai havendo mais silêncio, até que me encontro, com tudo o que sou e tenho, diante do Senhor. A Palavra de Deus, que li e sobre a qual meditei, fica como um eco que ressoa no coração. Tudo vai ficando em silêncio, e esse eco vai se gravando no meu interior, como orvalho suave que empapa a terra. Vou me deixando empapar por Deus, sempre em paz e silêncio.

Não importa se, em algum momento, eu for assaltado pelas distrações; o melhor é não lhes dar atenção e voltar serenamente à presença de Deus.

Assim, no silêncio da intimidade com Deus, permaneço todo o tempo possível, sabendo que, ainda que eu não sinta nada, Deus está transformando a minha vida.

Preciso procurar não me deixar vencer pela pressa ou pela vontade de terminar. A intimidade com Deus requer tempo, tempo suficiente para que o orvalho da sua presença me empape totalmente. Por isso, evito a pressa e o desejo de acabar, permanecendo em sua presença com a certeza de que, neste momento, isso é o mais importante.

5. Exame

Antes de terminar a oração, é conveniente analisar como foi meu diálogo com Deus. Primeiramente, vejo a maneira como realizei minha tarefa: se me coloquei na presença de Deus, se mantive o recolhimento interior, a atitude interior de escuta, se estive em oração o tempo suficiente etc.

Juntamente com esse exame, eu deveria colher o fruto da oração: a paz, a luz que recebi sobre algum aspecto em particular, alguma inspiração etc. Pode ser útil anotar esses frutos para lembrar depois.

6. Vida

Uma vez terminada a oração, não posso voltar à vida cotidiana como se deixasse uma atividade para começar outra que não tem nada a ver. É imprescindível levar à minha vida concreta a presença de Deus, a paz e a luz que vivi na oração.

Para isso, posso procurar não começar as atividades cotidianas de qualquer jeito, mas conservando esse eco da Palavra de Deus que deixei que me empapasse; atualizando e recordando com frequência o que vivi na oração, por meio de uma frase do Evangelho, uma jaculatória ou a simples lembrança do momento de oração.

Textos para orar

Para começar a orar: Escutai, Senhor, a voz de minha oração, tende piedade de mim e ouvi-me (Salmos 26,7).

Para sentir a presença do Senhor: Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo (Mateus 28,20).

Para chegar ao Pai: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (João 14,6).

Para reconhecer-me amado por Cristo: Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim (Gálatas 2,20).

Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (João 15,9.13).

Para ter paz: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize! (João 14,27).

Para chegar a Jesus: Mas tudo isso, que para mim eram vantagens, considerei perda por Cristo. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com ele (Filipenses 3,7-8).

Para sentir o chamado do Senhor: Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína? (Lucas 9,23-25)

Para pedir com confiança: Eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á (Lucas 11,9).

Para pedir a salvação: Estando ele numa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Vendo Jesus, lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou: Senhor, se queres, podes limpar-me. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero; sê purificado! No mesmo instante desapareceu dele a lepra (Lucas 5,12-13).

Não me abandoneis, Senhor. Ó meu Deus, não fiqueis longe de mim. Depressa, vinde em meu auxílio, Senhor, minha salvação (Salmos 37, 22-23).

Para orar nos momentos difíceis: Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres (Marcos 14,36).

Para orar na desgraça: Senhor, ouvi a minha oração, e chegue até vós o meu clamor. Não oculteis de mim a vossa face no dia de minha angústia. Inclinai para mim o vosso ouvido. Quando vos invocar, acudi-me prontamente (Salmos 101,2-3).

Para perdoar: Amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso (Lucas 6,35-36)

Para ser generosos: Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói (Lucas 12,33).

Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza (Mateus 6,24).

Vós conheceis a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza (2 Coríntios 8, 9).

Para pedir perdão: Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E conforme a imensidade de vossa misericórdia, apagai a minha iniqüidade. Lavai-me totalmente de minha falta, e purificai-me de meu pecado (Salmos 50,3-4).

Para experimentar a alegria do perdão: Haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (Lucas 15,7).

Para aprender a amar: Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros (João 13,34).

A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade (1 Coríntios 13, 4-6).

Para permanecer fiel: Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna (João 6,67-68).

Para dar frutos: Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (João 15,4-5).

Para buscar só Deus: Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada (Lucas 10,41-42).

Para pedir a luz de Deus: Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja. Jesus lhe disse: Vê! Tua fé te salvou. (Lucas 18,41-42).

Para colocar-se ao serviço dos outros: Se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós (João 13,14-15).

Para ser saciado: Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão! Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede (João 6,34-35).

FONTE: Arquidiocese de Madrid

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por Católicos na Rede Postado em Artigos

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