A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium

Pe. Otacilio F. Lacerda
Presbítero da Diocese de Guarulhos

A Lumen Gentium (LG) – Luz dos Povos – é um dos Documentos do Concílio Vaticano II realizado há 50 anos.

Creio seja oportuno oferecer ao leitor um pouco do que este Documento representa na caminhada da Igreja. Por isso, dentre os oito capítulos, optei por dois que tratam respectivamente, da Missão da Igreja e da Vocação à santidade na Igreja, dividindo em dois “posts” com o objetivo de facilitar a leitura.

A Lumen Gentium começa proclamando que Jesus Cristo é a luz dos Povos e não ela, na qual o Reino de Deus ocupa o horizonte maior.

“A Igreja existe em função do Reino, para anunciá-lo, antecipá-lo em si mesma, reconhecê-lo atuando fora dela. E conhece-se o Reino postando-se no seguimento de Jesus” – (Pe. JB Libânio).

A Igreja é apresentada como Mistério a ser realizado entre os povos, como uma vontade salvífica do Pai, realizada na missão do Filho e vivificada pelo Espírito Santo (LG n.4).

Mistério Trinitário: A igreja vem da Trindade, vive da Trindade e caminha para a Trindade, o que chamamos de Comunhão Trinitária. A “trindade é a melhor comunidade”.

“A Igreja, espelhando-se na Trindade de que é participação, tende a manter as distinções, as diferenças de ministérios e carismas. Eles, por sua vez, entrelaçam-se de tal modo em comunhão que constituem uma unidade na diferença.
Todos são chamados à santidade por vocação. É um chamado que é universal a partir de Cristo: A missão essencial da Igreja é a santificação, pois ela é santa e todos são chamados à santidade e deve ser vivida nos diversos estados de Vida que compõem o povo de Deus (LG 40).

“Retomando a ideia patrística de Igreja, ‘povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo (LG 4), o Vaticano II lembra que todos os batizados e batizadas têm dignidade, liberdade, formam a comunidade dos filhos e filhas de Deus e são templos do Espírito Santo (LG 9).

Todo o Povo de Deus, por causa do sacerdócio comum dos fiéis, é chamado à plena participação e a uma vida santa ( LG 10). Aliás, não só os católicos, mas também os demais cristãos e toda a humanidade são destinados a ser Povo de Deus (LG 13)”, nos diz o Pe. José Lisboa Moreira de Oliveira no artigo da VP. P.15.

Muitas vezes a santidade é confundida com atitudes de beatice ou carolice. No linguajar comum, especialmente dos grupos fundamentalistas atuais, das comunidades neoconservadoras que estão surgindo ultimamente no interior da nossa Igreja, a santidade é relacionada com atitudes alienadas e com comportamentos desequilibrados e totalmente distantes do mundo real, afirma o Pe. José Lisboa.

A santidade, segundo a LG, está profundamente relacionada com o quotidiano e com a prática concreta da vida de cada dia: para ser santa a pessoa não precisa fugir do seu estado de vida:

“A santidade não se dá nas nuvens, em outro planeta, fora da realidade, mas no quotidiano da vida. A santidade é um dom que deve ser acolhido e cultivado no tempo, no espaço, nas ocupações e nas circunstâncias em que nos situamos” (LG 41).

“No tocante à santidade dos cristãos leigos e leigas, o Vaticano II destaca o significado do trabalho, da participação na construção do bem comum e da cidadania, do labor quotidiano, com suas alegrias e também com suas cruzes.

A vida matrimonial ganha especial destaque, uma vez que é considerada um exemplo para a construção da fraternidade” (Pe. José Maria – p. 17).

A santidade é um presente de Deus: a Igreja é santa porque a Trindade é santa, porque a sua origem e a sua fonte são santas (LG 39). Ela não é uma exclusividade de determinadas pessoas ou de certos grupos. Santidade não é propriedade privada de ninguém.

De modo que ninguém pode se santificar isoladamente. Santifica-se enquanto é pertencente a uma comunidade. A santidade constitui-se num chamado que o Pai, pelo Filho, na ação do Espírito, dirige a toda a humanidade e, de modo particular, a todas as pessoas batizadas.

A santidade tem prerrogativa exclusiva de Deus, pois só Deus é Santo, não é algo adquirido pelos esforços e méritos das pessoas, mas uma dádiva, um dom divino, tem três elementos básicos:
– a pertença
– a missão
– o testemunho.
Há algumas marcas que a LG acentua sobre a Igreja:

– é universal
– é histórica
– ela está a serviço do Reino de Deus
– Tem sua raiz na Sagrada Escritura
– Igreja é Sacramental e dos Sacramentos
– é colegial
– é laical
– Igreja é santa e pecadora
– a Igreja tem que abolir todo triunfalismo, centralismo, clericalismo, jurisdicismo
– a Igreja é Ecumênica – aberta ao diálogo
– a Igreja move-se pelo sopro e ação do Espírito.

Finalizo propondo que fortaleçamos nossos passos no caminho da santidade:

– Na prática do Mandamento do Amor – a vocação de toda pessoa humana é um convite a amar – nós somos criados no amor e para o amor (LG 16);

– Cultivo dos mesmos sentimentos e pensamentos que havia em Cristo Jesus para sermos sal e luz (LG 42).

– Crescer e frutificar alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia e por todos os Sacramentos

– Fortalecer a vida de Oração – leitura orante

– Amor aos empobrecidos, como a maior expressão concreta de amor a Deus – comunhão, fraternidade e a partilha.

– Cada um vivendo a sua vocação naquilo que ela tiver de próprio, de específico.

– O testemunho de unidade – pelo seu testemunho a Igreja torna presente (visível) o Ausente (invisível) Jesus: eis a nossa Missão.

Vivendo a vocação à santidade, partiremos sempre em missão, na fidelidade ao Verbo que Se fez Carne e nos revelou o Amor do Pai, na força e na comunhão do Espírito. Esta é a nossa missão.
“Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16).

E para cuidar dessa dialética está o ministério ordenado como primeiro responsável. Cabe respeitar a diferença, movendo-se nas águas da unidade batismal” – completa Pe. J.B. Libânio.

A Missão da Igreja é tornar-se lugar, espaço e comunidade onde a humanidade pode encontrar Deus em Jesus Cristo e ser santificada no Seu Espírito Santo.

Há um resgate de imagens que desde as origens do cristianismo representaram a Igreja: rebanho, lavoura de Deus, edifício, Jerusalém do alto, templo do Espírito Santo e Corpo de Cristo com diferentes membros e guiados pela única cabeça que é Cristo, a Luz dos Povos.

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por Católicos na Rede Postado em Padres

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