“O Amor e a Felicidade”

Pe. Otacilio F. Lacerda
Presbítero da Diocese de Guarulhos – Pároco da Paróquia Santo Antônio de Gopoúva.
Felicidade:
Princípio e Meta de todo casamento…
Como alcançá-la?
Quem e como a buscam?
Quais são as exigências para que ela, a felicidade, não seja condenada à condição de inatingibilidade?

Eis o propósito desta reflexão: refletir sobre o imensurável Mistério do Matrimônio, como nos disse o Apóstolo Paulo na Carta aos Efésios (Ef 5, 21-33).

– Quantos ignoram a Igreja, a Celebração, a Bênção, o Mistério Sagrado do Matrimônio?
– Quantos são levados pela indiferença do caráter sagrado e religioso do casamento?
– E quantos o buscam por aparência e conveniência social, sem os sinceros propósitos que são necessários para que seja celebrado?

Felizmente, há casais com sede de algo sagrado, que não se busca no imediatismo e durabilidade temporária das coisas; ou na superficialidade dos fatos; na precariedade dos relacionamentos e tão pouco na instabilidade dos sentimentos.

Há algumas exigências para que o matrimônio seja Sacramento, sinal do Amor de Deus pela humanidade, de Cristo pela Igreja.

Quais são?

Vejamos algumas que indispensáveis:

A primeira delas é o AMOR.

Digo AMOR com todas as letras em maiúsculo, pois, muitos casamentos são amores com letras minúsculas, que não suportam os ventos, as tempestades, porque muitas vezes edificados sobre a areia (Mt 7, 21-27).

O Amor é o princípio e a fonte do Amor é Deus.
Num casamento o princípio indispensável e fundamental de tudo é o Amor. Vive-se sem algumas coisas por algum tempo, mas não se vive sem o Amor por um segundo apenas!

A liberdade:
Ninguém pode casar por imposição, nem sob nenhuma condição exterior. Há de ser a expressão máxima da liberdade assumida diante de Deus.
Compromisso mútuo assumido na mesma medida e intensidade.

A fidelidade:
Acompanha o princípio do amor, que traz em si a semente da indissolubilidade – “O que Deus uniu o homem não separe”, e há de ser vivida na liberdade de dois corações que se uniram, não por imposição, tão pouco sob condição.
Casamento exige a liberdade e maturidade de ambos.

A indissolubilidade:
Realidade de comunhão indissolúvel, pois, expressa a mais bela e perfeita união de Deus com a humanidade e de Cristo com Sua Igreja.
Deixam de ser dois, tornam-se um.

A fecundidade:
Filhos não serão obras do acaso, mas frutos do amor que, por Deus, foi abençoado e vocacionado a frutificar em novas vidas. Devem estar presente como graça de perpetuar a humanidade.

Some-se a tudo isto o respeito, a responsabilidade, o zelo, a cumplicidade (como sinônimo de proteção e edificação mútua).

Evidentemente, há outros elementos que se tornam indispensáveis para que o Casamento não perca seu brilho, para que sua chama não se apague.

A Felicidade deve ser a Meta de todo casamento.

Desde o princípio Deus quis que o casamento fosse realização de sonhos; não a perpetuação de pesadelos.

Um casamento abençoado pelo Deus de Abraão, Isaac, Jacó terá como princípio fundamental o AMOR e como meta a FELICIDADE.
Mais do que uma meta: compromisso a ser vivido, assumido no quotidiano.

A felicidade buscada em perfeita sintonia e comunhão é compromisso irrevogável, inadiável, intransferível…

Mas, AMOR e FELICIDADE não se alcançam sem o Mistério da Cruz; assumida em renúncias e esforços cotidianos.

O casamento traz em si o germe da felicidade, ainda que passe pela cruz, pelo Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição.

“Quem quiser Me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz de cada dia e Me siga” (Lc 9,23).

Por isto diante do altar os noivos trocando palavras dizem – “Eu… Recebo você… por meu (minha) esposa (o) e lhe prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza; na saúde e na doença; todos os dias das nossas vidas!”.

Concluindo:

A tantos quantos possa…
– Que esta reflexão seja uma proposta de revisão, amadurecimento, reorientação dos passos, revigoramento, reencantamento…
– Que, quanto ao horizonte do casamento, traga um ângulo diferenciado, redimensionado na busca da autêntica felicidade.
– Que não intensifique angústias, mas regue o chão da fé do coração humano; regue as sementes da esperança que farão florir o jardim do amor que todo lar deve ser.
– Que contribua, para que a vida do casal seja sempre tempo de graça abundantemente derramada para revigorar os relacionamentos na santificação do casamento.

Que possa ajudar quem pretende chegar um dia diante do altar; para o Sacramento celebrar, testemunhando com a palavra e a vida que o Matrimônio é Sagrado, por Deus abençoado.

Que jamais pode ser banalizado,
Diminuído, desacreditado, desvalorizado…
Cada lar, cada família deveria ser, e há de ser,
um ensaio, e porque não, um pedaço de céu, onde a
Felicidade frutificará como expressão de relacionamentos
verdadeiros e fraternos; ternos e eternos.

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