50º Aniversário da Sacrosanctum Concilium – Avanços, desafios e perspectivas para a Pastoral Litúrgica no Brasil

Dom Geraldo Lyrio Rocha – Arcebispo de Mariana – MG

INTRODUÇÃO

O Concílio Vaticano II operou a maior reforma litúrgica de todos os tempos. Soprou um vento renovador em toda a Igreja. O Povo de Deus experimentou a atmosfera alegre e vibrante de um novo Pentecostes. O Documento sobre a Sagrada Liturgia, intitulado Sacrosanctum Concilium, cujo 50º aniversário estamos comemorando, abriu caminhos novos para a vida litúrgica. Certamente esse é um dos frutos mais preciosos e mais visíveis do Vaticano II.

Segundo Frei José Ariovaldo da Silva, a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II quiz “resgatar o Essencial na vida cultual da Igreja. Aquilo que está para além de todos os padrões humanos que, no corpo eclesial, acabaram roubando a cena do Espírito que anima este corpo, mas que continuam agarrados no incosciente coletivo do nosso corpo eclesial. O que se busca resgatar:
a) a divina Liturgia celebrada, isto é, experimentada como presença libertadora do mistério pascal na própria ação ritual, sufrocada que fora por um frio corpo dotutrinal ‘sobre’ Deus e seus mistérios;
b) a divina Lituriga celebrada como experiência orante por excelência de cada cristão em particular e de todo o povo reunido, fonte primeira e indispensável do verdadeiro espírito cristão, suforocada que fora pelo acúmulo de manifestções piedosas extralitúrgicas e pelo individualismo religioso;


c) a divina liturgia celebrada como escuta, acolhimento, contemplação, admiração, louvor e ação de graças pelas maravilhas operadas por Deus, sobretudo pelo mistério pascal, presente na própria ação ritual, sufocada que fora pelo desesperado esforço meramente humado de ‘chegar até Deus’ e salvar a própria alma” .

Diz o Documento de Aparecida: “Encontramos Jesus Cristo, de modo admirável, na Sagrada Liturgia. Ao vivê-la, celebrando o mistério pascal, os discípulos de Cristo penetram mais nos mistérios do Reino e expressam de modo sacramental sua vocação de discípulos e missionários. A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II nos mostra o lugar e a função da liturgia no seguimento de Cristo, na ação missionária dos cristãos, na vida nova em Cristo e na vida de nossos povos nele” (DAp 250).
No Brasil, o empenho para aplicar o Concílio no contexto de nossa realidade continua sendo muito grande, não obstante as dificuldades que encontramos no caminho. Muita coisa bonita vem acontecendo em nossas comunidades eclesiais, em toda a parte. A Igreja no Brasil pode se alegrar com os frutos colhidos ao longo destes 50 anos de intensa renovação litúrgica. Sem nenhum pessimismo, mas, com realismo pastoral, não podemos ignorar os grandes desafios que persistem em nossos dias:

1. Aplicação da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II

Em sua Carta Apostólica sobre a preparação para o Jubileu do ano 2000, o Papa João Paulo II propõe uma séria revisão de vida pessoal e eclesial: “O exame de consciência não pode deixar de incluir também a recepção do Concílio, este grande dom do Espírito feito à Igreja quase ao findar do segundo milênio /…/ É vivida a liturgia como ‘fonte e cume’ da vida eclesial? (TMA 36). “Muito resta a ser feito para assimilar em nossas celebrações a renovação litúrgica desencadeada pelo Concílio Vaticano II, como para ajudar os fiéis a fazer da celebração eucarística a expressão de seu compromisso pessoal e comunitário com o Senhor. Ainda não se alcançou a plena consciência do que significa a centralidade da liturgia como fonte e cume da vida eclesial. Persiste a pouca participação da comunidade cristã, e surge quem queira se apropriar da liturgia sem considerar seu verdadeiro sentido eclesial” (cf. SD 43). Lamentavelmente, em muitas situações continua válida a constatação feita em Puebla: “Sem dúvida, comprovamos que não se deu ainda à pastoral litúrgica a prioridade que lhe corresponde dentro da pastoral de conjunto” (DP 901).

“A consciência da ‘identidade da Igreja como mistério’ ficou obscurecida por séculos, na reflexão teológica, assim como na prática litúrgica e no estilo pastoral da Igreja. Contudo, ela constituiu a eclesiologia dos Padres da Igreja e de todo o primeiro milêncio. É mérito precioso do Movimento Litúrgico e da reforma litúrgica do Vaticano II, com suas intrínsecas conexões com a eclesiologia da Lumen Gentium, ter contribuído para resgatar este horizonte teológico, espiritual e pastoral. As deficiências do caminho percorrido até hoje vêm mais da ainda frágil assimilação desta perspectiva eclelsiológica, enraizada no mistério de Cristo e da Trindade. Disto deriva a insuficiente consciência que, por isso, a liturgia ‘pertence à Igreja’, é expressão de sua fé e da energia do Espírito que nela habita, como a própria liturgia ‘constoi a Igreja’, segundo a sintética afirmação dos Padres da Igreja” .

2.Inculturação
“Ainda não se dá atenção ao processo de um sã inculturação da liturgia. Isto faz com que as celebrações sejam, para muitos, algo ritualista e privado que não os leva à consciência da presença transformadora de Cristo e de seu Espírito, nem se traduz em compromisso solidário para a transformação do mundo” (cf. SD 43). Em relação aos indígenas, a Conferência de Santo Domingo propõe: “Promover uma inculturação da liturgia, acolhendo com apreço seus símbolos, ritos e expressões religiosas compatíveis com o claro sentido da fé, mantendo o valor dos símbolos universais e em harmonia com a disciplina geral da Igreja” (SD 248). Em relação aos afro-americanos, a mesma Conferência propõe: “A Igreja na América Latina e no Caribe quer apoiar os povos afro-americanos na defesa de sua identidade e no reconhecimento de seus próprios valores, como também ajudá-los a manter vivos seus usos e costumes compatíveis com a doutrina cristã. Da mesma forma, comprometemo-nos a dedicar especial atenção à causa das comunidades afro-americanas no campo pastoral, favorecendo a manifestação das expressões religiosas próprias de suas culturas” (SD 249). “Temos de promover uma liturgia que, em total fidelidade ao espírito que o Concílio Vaticano II quis recuperar em toda sua pureza, busque, dentro das normas dadas pela Igreja, a adoção das formas, sinais e ações próprios das culturas da América Latrina e Caribe. Nesta tarefa, dever-se-á dar uma especial atenção à valorização da piedade popular, que encontra sua expressão especialmente na devoção à Santíssima Virgem, nas peregrinações aos santuários e nas festas religiosas, iluminadas pela Palavra de Deus” (SD 53).

Vale aqui ressaltar os passos que foram dados com a elaboração do Ritual do Matrimônio próprio para o Brasil, o novo Ritual do Batismo de Crianças e o subsídio pastoral Nossa Páscoa, o Ofício Divino das Comunidades e os avanços na música litúrgica brasileira.

3. Liturgia e piedade popular

Diz o Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: “Há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho /…/. Entretanto não podemos ignorar que há sempre uma chamada ao crescimento: toda a cultura e todo o grupo social necessitam de purificação e amadurecimento. No caso das culturas populares de povos católicos, podemos reconhecer algumas fragilidades que precisam ainda de ser curadas pelo Evangelho /…/. Mas o melhor ponto de partida para curar e ver-se livre de tais fragilidades é precisamente a piedade popular” (EG 69). E continua o Papa Francisco: “O ser humano «é simultaneamente filho e pai da cultura onde está inserido». Quando o Evangelho se inculturou num povo, no seu processo de transmissão cultural também transmite a fé de maneira sempre nova; daí a importância da evangelização entendida como inculturação. Cada porção do povo de Deus, ao traduzir na vida o dom de Deus segundo a sua índole própria, dá testemunho da fé recebida e enriquece-a com novas expressões que falam por si. Pode dizer-se que «o povo se evangeliza continuamente a si mesmo». Aqui ganha importância a piedade popular, verdadeira expressão da atividade missionária espontânea do povo de Deus. Trata-se de uma realidade em permanente desenvolvimento, cujo protagonista é o Espírito Santo” (EG 122).

Na piedade popular, estaca-se especialmente o culto à Santíssima Virgem Maria e aos Santos. O Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus nos apresenta preciosos ensinamentos a esse respeito: “É da máxima conveniência, antes de mais nada, que os exercícios de piedade para com a Virgem Maria exprimam, de maneira clara, a característica trinitária e cristológica que lhes é intrínseca e essencial. O culto cristão, de fato, é por sua natureza culto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, ou, conforme se expressa a Liturgia, ao Pai por Cristo no Espírito. Nesta perspectiva, torna-se ele extensivo, legitimamente, se bem que de maneira substancialmente diversa, em primeiro lugar e de modo singular, à Mãe do Senhor, e depois aos Santos, nos quais a Igreja proclama o Mistério Pascal, por isso mesmo que eles sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados (SC 104)” (MC 25). E acrescenta Paulo VI: “A necessidade de um cunho bíblico em toda e qualquer forma de culto é hoje algo sentida, como um postulado geral da piedade cristã para adquirir novo vigor e dela tirar seguro proveito” (cf. MC 30).

Referindo-se ao culto à Mãe de Deus e a outras formas de culto Paulo VI lembra os critérios em que devemos nos inspirar e acordo com a Constituição Sacrosanctum Concilium ao recomenda vivamente os exercícios de piedade do povo cristão: “…Importa ordenar essas práticas de piedade tendo em conta os tempos litúrgicos, de maneira que se harmonizem com a sagrada Liturgia, de certo modo derivem dela, e a ela, que por sua natureza lhes é muito superior, conduzam o povo cristão (SC 13). Aqui neste ponto, quereríamos fazer alusão a duas atitudes que poderiam, eventualmente, tornar vã, na prática pastoral, a sobredita norma do Concílio Vaticano II: em primeiro lugar, a atitude de alguns a quem está confiada a cura de almas, que, aprioristicamente, desprezam os exercícios de piedade, se bem que recomendados pelo Magistério quando feitos na forma devida; e por isso, transcuram-nos e criam um vazio que não providenciam a preencher de nenhuma maneira. Ora, estes que assim procedem esquecem que o Concílio diz que se harmonizem os exercícios de piedade com a Liturgia e não que se suprimam simplesmente. Em segundo lugar, lembramos a atitude daqueles que, à margem de um são critério litúrgico e pastoral, misturam ao mesmo tempo exercícios piedosos e atos litúrgicos, em celebrações híbridas. Acontece, algumas vezes, que na própria celebração do Sacrifício Eucarístico são inseridos elementos que fazem parte de novenas ou de outras práticas piedosas, com o perigo de o Memorial do Senhor não constituir o momento culminante do encontro da comunidade cristã, mas ser como que a ocasião para algumas práticas devocionais. Aqueles que assim procedem quereríamos recordar que a norma conciliar prescreve que se harmonizem os piedosos exercícios com a Liturgia e não que se confundam com ela. Uma ação pastoral esclarecida, pois, deve, por um lado, saber distinguir e acentuar a natureza própria dos atos litúrgicos; e por outro lado, saber valorizar os piedosos exercícios, para adaptá-los às necessidades de cada uma das comunidades eclesiais e torná-los preciosos auxiliares da mesma Liturgia” (MC 30).

Afirma o Documento de Aparecida,citando o Papa Bento XVI, recorda que, referindo-se à religiosidade popular, ele nos convidou a promovê-la e a protegê-la. Essa maneira de expressar a fé está presente de diversas formas em todos os setores sociais, em uma multidão que merece nosso respeito e carinho, porque sua piedade “reflete uma sede de Deus que somente os pobres e simples podem conhecer”. A “religião do povo latino-americano é expressão da fé católica. É um catolicismo popular”, profundamente inculturado, que contém a dimensão mais valiosa da cultura latino-americana (DAp 258).

Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, diz o Papa Francisco: “As formas próprias da religiosidade popular são encarnadas, porque brotaram da encarnação da fé cristã numa cultura popular. Por isso mesmo, incluem uma relação pessoal com Deus, Jesus Cristo, Maria, um Santo. Estão aptas para alimentar potencialidades relacionais e não tanto fugas individualistas. Noutros setores da nossa sociedade, cresce o apreço por várias formas de «espiritualidade do bem-estar» sem comunidade, por uma «teologia da prosperidade» sem compromissos fraternos ou por experiências subjetivas sem rostos, que se reduzem a uma busca interior imanentista” (EG) 90. E prossegue o Papa Francisco: “Na piedade popular, pode-se captar a modalidade em que a fé recebida se encarnou numa cultura e continua a transmitir-se. Vista por vezes com desconfiança, a piedade popular foi objeto de revalorização nas décadas posteriores ao Concílio. Quem deu um impulso decisivo nesta direção, foi Paulo VI na sua Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi. Nela explica que a piedade popular «traduz em si uma certa sede de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar» e «torna as pessoas capazes para terem rasgos de generosidade e predispõe-nas para o sacrifício até ao heroísmo, quando se trata de manifestar a fé». Já mais perto dos nossos dias, Bento XVI, na América Latina, assinalou que se trata de um «precioso tesouro da Igreja Católica» e que nela «aparece a alma dos povos latino-americanos» (cf.EGnº123).

4. Os Ministérios

Em nossa Igreja particular, muitos passos já foram dados em relação aos ministérios confiados aos leigos. Entretanto, ainda temos um longo caminho a percorrer. Por razões históricas, os diversos ministérios concentraram-se nas mãos dos clérigos. Já se tornou lugar comum dizer-se que “o presbiterato não é a síntese dos ministérios e sim deve ser o minstério da síntese”. Muitos ministérios podem e devem ser confiados a cirstãos leigos e leigas. Mas, o que se entende por minsitério? “Há forte tendência, hoje, na teologia e na prática pastoral, de considerar ministério, fundamentalmente, o carisma que assume a forma de serviço à comunidade e à sua missão no mundo e na Igreja e que, por esta, é como tal acolhido e reconhecido” (CNBB, doc. 62, n. 83). “Ministério é, antes de tudo, um carisma, ou seja, um dom do Alto, do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, que torna seu portador apto a desempenhar determinadas atividades, serviços e funções em ordem à salvação (cf. CNBB, doc. 62, n. 84). Mas, só pode ser considerado ministério o carisma que, na comunidade e em vista da missão na Igreja e no mundo, assume a forma de serviço bem determinado, envolvendo um conjunto mais ou menos amplo de funções, que responda a exigências permanentes da comunidade e da missão, seja assumido com estabilidade, comporte verdadeira responsabilidade e seja acolhido e reconhecido pela comunidade eclesial (CNBB, doc. 62, n. 85). “A recepção ou reconhecimento do ministério pela comunidade eclesial é essencial ao ministério, porque o ministério é uma atuação pública e oficial da Igreja, tornando seu portador, num nível maior ou menor, seu representante. Alguns dos ministérios que os leigos e as leigas exercem são chamados de ministério de “suplência”, porque embora seu exercício não dependa da ordenação, as funções neles implicadas são historicamente consideradas próprias e típicas do ministério ordenado. Portanto, quando os leigos ou leigas as assumem, estão suprindo a falta ou impossibilidade de ministros ordenados” (cf. CNBB, Doc. 62, n. 89).

5. A formação litúrgica

“Descuidou-se a séria formação litúrgica segundo as instruções e documentos do magistério em todos os níveis” (SD 43). “A formação de que o leigo católico precisa para atuar conforme sua vocação, desenvolvendo a riqueza dos dons e talentos recebidos, não é apenas uma formação espiritual. É formação integral, que ajuda a desenvolver a dimensão humano-afetiva, a capacidade de comunicação e relacionamento com os outros, a capacidade de compreender, discernir e avaliar, a perseverança no compromisso e a fidelidade aos valores” (CNBB, doc. 62, n. 186). É fundamental que os seminaristas se familiarizem com o espírito litúrgico e se preparem bem para presidir as celebrações; para isso importa que os diversos aspectos da formação no seminário encontrem expressão privilegiada nas celebrações litúrgicas, além de observar atentamente a carga horária mínima e o conteúdo programático estabelecido. Assim, a vivência da Liturgia acompanha todas as etapas da vida do formando. É importante que desde o início do seminário, os seminaristas tenham uma participação consciente e ativa na Liturgia e aprendam gradativamente a celebrar a Liturgia das Horas. O Ano Litúrgico deve orientar a espiritualidade comunitária do seminário. Que os presbíteros se aprimorem de modo permanente para crescerem na compreensão e animação dos vários ministérios, já que para a maioria do nosso povo a celebração da Liturgia é a única evangelização de que participam de fato ao longo de sua vida. E não se esqueçam que a Liturgia mal celebrada causa frequentemente o afastamento dos fiéis. Os presbíteros valorizem a celebração da Liturgia das Horas como parte de seu ministério. Os homens e mulheres que assumem funções ou só participam na Liturgia sejam imbuídos do espírito litúrgico, tenham consciência dos mistérios que celebram e sejam capacitados para executar as suas funções; e que os irmãos e irmãs religiosos(as) tenham no programa de seu processo formativo a preocupação de transformarem a Liturgia em fonte da própria espiritualidade e de se tornarem animadores da celebração litúrgica. Tenha-se presente que a grande meta desta formação ampla e profunda é preparar agentes para a aculturação e a inculturação da Liturgia, porque homens e mulheres que vivem as duas realidades, a sócio-cultural e a celebrativa, poderão facilitar a tarefa dos responsáveis por esse processo” (CNBB, Doc. 43, 190-192 e 194-195).

“As introduções (Praenotanda) que precedem os novos livros litúrgicos contêm tesouros de teologia, de espiritualidade e de sabedoria pastoral. Quantos ministros ou fiéis as conhecem em profundidade? Outra dificuldades estão conexas com a própria estrutura dos ritos reformados como o excesso de verbalismo e a insuficência da dimensão mais contemplativa e interior da celebração, junto com a carente expressão da dimensão afetiva e corpórea das pessoas” .

6. Liturgia e Catequese

“A Catequese é intrinsecamente ligada com toda a ação litúrgica e sacramental (CT 23). Muitas vezes, porém, a praxe catequética apresenta uma ligação fraca e fragmentária com a liturgia: atenção limitada aos símbolos e ritos litúrgicos, pouca valorização das fontes litúrgicas, percursos catequéticos que pouco ou nada têm a ver com o ano litúrgico, presença marginal de celebrações nos itinerários da catequese” (DGC 30). “Para realizar suas tarefas, a catequese se vale de dois grandes meios: a transmissão da mensagem evangélica e a experiência da vida cristã. A educação litúrgica, por exemplo, necessita explicar o que é a liturgia cristã e o que são os sacramentos; porém, deve também fazer experimentar os diversos tipos de celebração, fazer descobrir e amar os símbolos, o sentido dos gestos corporais etc…” (DGC 87).

7. A pastoral litúrgica

A Liturgia “não esgota toda a ação da Igreja, mas, promovendo-a, estamos desencadeando o dinamismo de toda atividade eclesial. Coração e cérebro desta pastoral é a Equipe de Pastoral Litúrgica em nível nacional, diocesano e paroquial. Cabe-lhe planejar, nos respectivos campos de ação, a Pastoral Litúrgica, o que será mais eficiente se continuamente conhecer a situação real dos que celebram, aprofundar sempre mais seu conteúdo teológico, formar agentes e organizar sua ação. Essas equipes, grande anseio do Concílio (cf. SC 44 e 46), em alguns lugares estão caminhando muito bem, graças a Deus; em outros, porém, ainda caminham de modo muito lento face às urgências desta pastoral. A grande tarefa destas equipes é dinamizar um processo de formação de todos os participantes da Liturgia, visando, de um lado, que a celebração seja sempre mais expressiva e, de outro lado, o enriquecimento espiritual de todo o povo (cf. CNBB, Doc. 43, n. 186-189).

8. A recuperação dos símbolos e sinais

“Os sinais, importantes em toda a ação litúrgica, devem ser empregados de forma viva e digna, suposta uma adequada catequese. As adaptações previstas na Sacrosanctum Concilium e em outras normas posteriores são indispensáveis para se conseguir um rito adequado às nossas necessidades, especialmente às do povo simples, tendo em conta suas legítimas expressões culturais” (DP 926). “A força dos símbolos e sinais, sobretudo quando retirados da vida e da cultura do povo, completam a grande variedade de elementos da nossa Liturgia” (CNBB, Doc. 43. n. 84). “É meta da criatividade a introdução de novos símbolos, mais compreensíveis ao povo de hoje, porque criados pela piedade popular ou experimentados nas CEBs e outros grupos de oração. Para isso inaugure-se um processo de pesquisa, reflexão e análise, com ajuda de um grupo de trabalho integrado por teólogos, liturgistas, pastoralistas e outros” (CNBB, Doc. 43, n. 174).

9. O canto, a música, o silêncio e a dança

Não obstante os enormes avanços realizados no Brasil, ainda nos encontramos diante do grande desafio em relação ao canto litúrgico. Não basta cantar na liturgia. É preciso cantar a Liturgia.

A CNBB tem apresentado muitas reflexões e subsídios referentes a essa importantíssima questão: “Auxiliam nossa prece, reforçando a palavra que ouvimos, a linguagem universal da música, cantada ou instrumental, que os momentos de silêncio ressaltam e ao mesmo tempo abrem espaço para outro tipo de oração. E até mesmo a simples modulação da voz pode expressar nossa alegria, nossa confiança ou nossa dor. Nosso corpo, sensível e dócil ao movimento, é uma fonte inesgotável de expressão. Por isso, na liturgia têm importância os gestos, as posturas, as caminhadas e a dança” (CNBB, Doc. 43, n. 82 e 83). “A partir do Concílio, algumas intuições e critérios vão inspirando e provocando providencialmente toda uma renovação da música litúrgica:

• Liturgia é a celebração do Mistério Pascal realizada pelo Povo de Deus: a participação das pessoas, da assembléia, como exercício do novo sacerdócio, com Cristo, por Cristo e em Cristo, é de fundamental importância e constitui valor primordial;
• Canto e música, antes de ser obras codificadas para execução, são gesto vivo, experiência existencial; são vivência simbólica ‘aqui e agora’, antes de ser repertório ao qual as pessoas devam se adaptar;
• Canto e música participam da dimensão sacramental da liturgia: são símbolos importantes do Mistério de Cristo e da Igreja, e não ornamento exterior; são encarnação, em estruturas comunicativas, da Palavra, do diálogo salvífico entre as pessoas Divinas e as pessoas humanas, e não elementos rituais e estéticos de uma religiosidade qualquer;
• Canto e música, no contexto da ação litúrgica, não são realidades autônomas, mas funcionais: estão aí a serviço do Mistério da Fé, da assembléia sacerdotal. Artistas e demais atores se empenharão em encontrar a expressão musical mais bela e adequada, levando em conta o rito e as pessoas que vão executá-lo. O que deve prevalecer não são os gostos, a estética individual de cada um, mas a essencialidade do Mistério e a participação frutuosa e prazerosa de todos. Os agentes litúrgico-musicais desempenharão tanto melhor o seu papel, quanto melhores intérpretes forem da fé, da vida e do jeito de ser da sua gente (CNBB – estudos 79).

Bento XVI na Sacramentum Caritatis nos recorda: “Na arte da celebração, ocupa lugar de destaque o canto litúrgico. Com razão afirma Santo Agostinho, num famoso sermão: «O homem novo conhece o cântico novo. O cântico é uma manifestação de alegria e, se considerarmos melhor, um sinal de amor». O povo de Deus, reunido para a celebração, canta os louvores de Deus. Na sua história bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música e cânticos que constituem um patrimônio de fé e amor que não se deve perder. Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; a propósito, é necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de gêneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia. Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; consequentemente, tudo — no texto, na melodia, na execução — deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos. Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo — como foi pedido pelos padres sinodais — que se valorize adequadamente o canto gregoriano,como canto próprio da liturgia romana” (Sac.C 42).

10. O espaço celebrativo

O templo é sinal da presença e ação salvífica do Pai; é imagem do Corpo Místico de Cristo, único e verdadeiro templo, construído com pedras vivas para oferecer sacrifícios novos (cf. Jo 2,19 e 21). O próprio Deus consente que nossos edifícios sejam sua casa, pois nesse espaço ele nos dá vivenciar a sua união conosco e a união fraterna entre nós. Por isso, a igreja-edifício é sinal também da Igreja-Comunidade. Assim este edifício não é uma construção qualquer: é sinal da Igreja peregrina, é imagem da Igreja celeste. A Igreja, como família de Deus, precisa de uma casa para reunir-se, dialogar, viver na alegria e na comum-união os grandes momentos de sus vida religiosa” (cf. CNBB, Doc. 43, n. 139, 140 e 141). “Como pede sua natureza, a igreja terá de ser adquada às celebrações sacras, bela, resplandecente de nobre formosura e não de mera suntuosidade e verdadeiramente sinal e símbolo das realidades celestes. A disposição geral do edifício deve manifestar de algum modo a imagem do povo reunido e permitir uma ordem inteligente, bem como a possibilidade de se exercerem com decoro os diversos ministérios” (RDI, 3).

Diz Bento XVI, na Sacramentum Caritatis que a profunda ligação entre a beleza e a liturgia deve levar-nos a considerar atentamente todas as expressões artísticas colocadas ao serviço da celebração.(122) Uma componente importante da arte sacra é, sem dúvida, a arquitetura das igrejas,(123) nas quais há de sobressair a coerência entre os elementos próprios do presbitério: altar, crucifixo, sacrário, ambão, cadeira. A este respeito, tenha-se presente que a finalidade da arquitetura sacra é oferecer à Igreja que celebra os mistérios de fé, especialmente a Eucaristia, o espaço mais idôneo para uma condigna realização da sua ação litúrgica; (124) de fato, a natureza do templo cristão define-se precisamente pela ação litúrgica, a qual implica a reunião dos fiéis (ecclesia), que são as pedras vivas do templo (1 Pd 2, 5). O mesmo princípio vale para toda a arte sacra em geral, especialmente para a pintura e a escultura, devendo a iconografia religiosa ser orientada para a mistagogia sacramental. Um conhecimento profundo das formas que a arte sacra conseguiu produzir, ao longo dos séculos, pode ser de grande ajuda para quem tenha a responsabilidade de chamar arquitetos e artistas para comissionar-lhes obras de arte destinadas à ação litúrgica; por isso, é indispensável que, na formação dos seminaristas e dos sacerdotes, se inclua, entre as disciplinas importantes, a História da Arte com especial referimento aos edifícios de culto à luz das normas litúrgicas. Enfim, é necessário que, em tudo quanto tenha a ver com a Eucaristia, haja gosto pela beleza; dever-se-á ter respeito e cuidado também pelos paramentos, as alfaias, os vasos sagrados, para que, interligados de forma orgânica e ordenada, alimentem o enlevo pelo mistério de Deus, manifestem a unidade da fé e reforcem a devoção” (SacC 41).

A Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR) apresenta orientações que, lamentavelmente, nem sempre são conhecidas e observadas. Nos programas propostos aos artistas, bem como na seleção de obras a serem admitidas na igreja, procure-se uma verdadeira qualidade artística, para que alimentem a fé e a piedade e correspondam ao seu verdadeiro significado e ao fim a que se destinam (cf. IGMR 289).

Para edificar, reformar e dispor convenientemente os edifícios sagrados, consultem os responsáveis a Comissão diocesana de Liturgia e Arte Sacra. O Bispo diocesano recorra também ao parecer e auxílio da mesma Comissão, quando se tratar de estabelecer normas nesta matéria, de aprovar projetos de novos edifícios sagrados ou resolver questões de certa importância (IGMR 291).

A ornamentação da igreja deve visar mais a nobre simplicidade do que a pompa. Na escolha dessa ornamentação, cuide-se da autenticidade dos materiais e procure-se assegurar a educação dos fiéis e a dignidade de todo o local sagrado (IGMR 292).

Convém que a beleza e nobreza de cada vestimenta decorram não tanto da multiplicidade de ornatos, mas do material usado e da forma (IGMR 344).

11. O Dia do Senhor

“Perdeu-se para muitos o sentido do “dia do Senhor” e da consequente exigência eucarística (SD 43). “No século XX, sobretudo depois do Concílio, a comunidade cristã cresceu muito no modo de celebrar os Sacramentos, sobretudo a Eucaristia. É preciso prosseguir nesta direção dando particular relevo à Eucaristia dominical e ao próprio Domingo, considerado um dia especial de festa, dia do Senhor ressuscitado e do Dom do Espírito, verdadeira Páscoa da semana” (NMI, 35). “Núcleo de todo o Ano Litúrgico e ponto de convergência de todos os dias da semana, o Domingo espera, urgentemente, mais atenção de nossa pastoral”(CNBB, Doc. 43, n. 119). “Parece hoje mais necessário que nunca recuperar as profundas motivações doutrinais que estão na base do preceito eclesial, para que apareça bem claro a todos os fiéis o valor imprescindível do Domingo na vida cristã” (DD 6).

12. As Missas na TV e as “Missas show”

“Precisamos fazer a celebração sempre mais autêntica, mais unida à vida, para transformar a vida toda em oração” (CNBB, Doc. 43, 196). Diante dos problemas que as transmissões televisivas têm apresentado, a CNBB promoveu alguns encontros de grande importância. Já no encontro de setembro de 1998, foram assumidas, em conjunto, as seguintes proposições:
• Sempre se deve ter presente que o que celebramos na liturgia é o mistério pascal de Cristo. Isso deve aparecer nas transmissões televisivas, ajudando o telespectador a entrar nessa dimensão celebrativa, associando-se à Páscoa de Cristo. Os fatos significativos e os acontecimentos da vida devem ter lugar na celebração, associando-se os sinais de morte e de vida ao mistério pascal do Senhor. Assim, vai-se expressando que a Páscoa de Cristo se realiza em nossa vida e nossa vida se insere no mistério de Cristo.
• Haja, por parte de todos, respeito e fidelidade ao que está estabelecido pelo Magistério da Igreja sobre a celebração da Santa Missa e o Culto Eucarístico. Recomenda-se o estudo aprofundado da Instrução Geral sobre o Missal Romano e das orientações a respeito do Culto Eucarístico fora da Missa, especialmente por parte dos que presidem e dos responsáveis pela elaboração dos roteiros de celebração. É necessário que sejam observadas as normas e orientações do Magistério para que se evitem desvios e abusos especialmente nas transmissões televisivas pois essas ultrapassam os limites das paróquias e dioceses e se constituem, de certa forma, modelo de celebração para as comunidades eclesiais. Por isso, deve-se redobrar a atenção nessas celebrações, inclusive para que não criem problemas em muitas dioceses, como lamentavelmente vem acontecendo.
• Como os destinatários da celebração da Missa na TV são principalmente os que estão impossibilitados de participar na assembleia litúrgica na comunidade eclesial, sejam explicitamente mencionados nos roteiros da celebração. Ao mesmo tempo, haja forte motivação para estimular os que podem a que participem da celebração na comunidade.
• Toda a celebração se realize com unção e tenha sempre um tom mais de oração do que de discurso ou de teatro. Evite-se tanto a postura artificial, fria e rígida como os exageros no sentido contrário. Deve-se evitar também a falta de autenticidade, o populismo e outras expressões que não condizem com a celebração litúrgica. É preciso zelar muito para que transpareça a dimensão de sacralidade do mistério celebrado.
• Haja empenho na formação, tanto litúrgica como na arte da comunicação, dos que presidem e dos demais agentes que atuam na produção e na realização das Missas de TV.
• Valorize-se o espaço celebrativo, tanto na conveniente decoração do ambiente, como também na disposição dos vários elementos: altar, mesa da Palavra, cadeira de quem preside, estante do comentarista, coral, assembleia e outros.
• Como a linguagem celebrativa é eminentemente simbólica, dê-se o devido valor aos símbolos litúrgicos, garantindo-lhes sempre a devida autenticidade, beleza e verdade. Cuide-se da expressão artística do canto, do espaço, dos objetos e das vestes litúrgicas.
• Quanto às vestes, leve-se em conta o que diz a Instrução Geral sobre o Missal Romano: “Na Igreja que é o Corpo de Cristo, nem todos os membros desempenham a mesma função. Esta diversidade de ministérios se manifesta exteriormente no exercício do culto sagrado pela diversidade das vestes litúrgicas, que por isso devem ser um sinal da função de cada ministro. As vestes litúrgicas contribuam para a beleza da ação sagrada. Convém que a beleza e a nobreza de cada vestimenta decorra não tanto da multiplicidade de ornatos, mas do tecido e da forma (IGMR 297 a 306).
• O canto e a música sejam devidamente valorizados, respeitando-se a índole própria da celebração, inclusive quanto ao tempo litúrgico e aos diversos momentos celebrativos e levando-se em conta os critérios artísticos da composição e execução.
• As transmissões de caráter nacional estejam atentas a essa realidade e tenham a preocupação em expressar, o quanto possível, a riqueza e a variedade de nosso País.

13. Ars Celebrandi

Lamentavelmente, “ainda não se assimilou satisfatoriamente o espírito da reforma do Concílio Vaticano II. O espírito da reforma não penetrou ainda no sangue, na mente, no coração, no corpo dos agents das celebrações.
Resultado: porque os atores das celebrações litúrgicas (mormente na Missa), sobretudo os princippais, não estão qualificados como pessoas de fato orantes em seu agir ritual, continuam a repetir padrões antigos e não conseguem contribuir para a formação e animaçáo de discípulos e missionários de Jesus Cristo a partir da liturgia. Pelo contrário, enfadam os participantes das assembhleias que aos poucos, buscam outros ambientes mais ‘convincentes’ que não a liturgia: nas seitas e em manifestações piedadosas, mesmo dentro da Igreja Católica, testemunhando inclusive que aí, de fato ‘encontraram Jesus, tiveram uma experiência de Deus’. No meu entender, em grande parte, o êxodo dos católicos é motivado pelo não convencimento dos principais atores em seu agir nas celebrações litúrgicas” .

Na Exortação Apostólica Sacramentum Caritais, Bento XVI afirma: “Durante os trabalhos sinodais, várias vezes, foi recomendada a necessidade de superar toda e qualquer separação entre a arte da celebração (ars celebrandi, isto é, a arte de celebrar retamente) e a participação plena, ativa e frutuosa de todos os fiéis: com efeito, o primeiro modo de favorecer a participação do povo de Deus no rito sagrado é a condigna celebração do mesmo; a arte da celebração é a melhor condição para a participação ativa (actuosa participatio). Aquela resulta da fiel obediência às normas litúrgicas na sua integridade, pois é precisamente este modo de celebrar que, há dois mil anos, garante a vida de fé de todos os crentes, chamados a viver a celebração enquanto povo de Deus, sacerdócio real, nação santa (1 Pd 2, 4-5.9)” (Sac. C 38)

Conclusão

“A Igreja encontra o sentido último de sua convocação na vida de oração, louvor e ação de graças que o céu e a terra dirigem a Deus por ‘suas obras grandes e maravilhosas’ (Ap 15,3s; 7,9-17). Esta é a razão pela qual a liturgia ‘é o cume ao qual tende a atividade da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana sua força’ (SC 10). Mas a liturgia é ação do Cristo total, Cabeça e membros, e, como tal, deve expressar o sentido mais profundo de sua oblação ao Pai: obedecer, fazendo de toda a sua vida a revelação do amor do Pai pelo gênero humano. Por isso, o culto cristão deve expressar a dupla vertente da obediência ao Pai (glorificação) e da caridade com os irmãos (redenção), pois a glória de Deus é que o ser humano viva (cf. SD 34). “O gesto litúrgico não é autêntico se não implica um compromisso de caridade, um esforço sempre renovado por sentir como sente Cristo Jesus, e uma contínua conversão” (Medellín, Liturgia, n. 3). Na hora presente de nossa América Latina, como em todos os tempos, a celebração litúrgica coroa e comporta um compromisso com a realidade humana, precisamente porque toda a criação está inserida no desígnio salvador que abarca a totalidade do ser humano (cf. Medellín, Liturgia n. 4). Como consequência da deficiência de uma autêntica renovação litúrgica, o Documento de Santo Domingo aponta a falta de coerência entre fé e vida em muitos católicos, incluindo, às vezes, a nós mesmos ou alguns de nossos agentes de pastoral (SD 44).

“O serviço litúrgico tem, por si mesmo, um valor evangelizador que a Nova Evangelização deve situar em lugar de grande destaque. Na liturgia Cristo Salvador se faz presente hoje. A liturgia é o anúncio e realização dos feitos salvíficos (cf. SC 6) que nos chegam a tocar sacramentalmente; por isso, convoca, celebra e envia /…/ Sustenta o compromisso social enquanto orienta os fiéis a assumir sua responsabilidade na construção do Reino /…/ A celebração não pode ser algo separado ou paralelo à vida. Por último, é essencialmente pela liturgia que o Evangelho penetra no coração das culturas. Por isso, as formas de celebração litúrgica devem ser aptas para expressar o mistério que se celebra e, por sua vez, ser claras e inteligíveis” (cf. SD 35). “Sem capacidade de contemplação, a liturgia, acesso a Deus através de sinais, converte-se em ação carente de profundidade” (SD 37).

SIGLAS:

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
CT – Catechesi Tradendae
DD – Dies Domini
DGC – Diretório Geral para a Catequese
DP- Documento de Puebla
EG – Evangelii Gaudium
IGELM – Introdução Geral ao Elenco das Leituras da Missa
IGMR – Instrução Geral sobre o Missal Romano
NMI – Novo Millennio Ineunte
SC – Sacrosanctum Concilium
SacC – Sacramentum Caritatis
SD – Documento da Conferência do Episcopado Latino-americano em Santo Domingo (1992)
RDI – Ritual de Dedicação de Igreja
TMA – Tertio Millennio Adveniente

Mariana, 03 de dezembro de 2013

FONTE: Arquidiocese de Mariana/MG

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