A Misericórdia de Deus

Padre Inácio José do Vale, OSBM

 

Superexaltat autem misericórdia judicium.

A misericórdia triunfa sobre o juízo. (Tg 2,13).

 Por santo Afonso Maria de Ligório

Bispo e Doutor da Igreja

A bondade é comunicativa por natureza, isto é, tende a transmitir aos outros os seus bens.

Deus, que por sua natureza é a bondade infinitiva, sente vivo desejo de comunicar-nos sua felicidade e, por isso, propende mais á misericórdia do que ao castigo.

Castigar – diz Isaías – é a obra alheia ás inclinações da vontade divina.

Recusar-se á para fazer a sua obra (ou vingança), obra que se lhe é alheia, obra que lhe estranha?

Quando o senhor castiga nesta vida, é para fazer misericórdia na outra.

Mostra-se irritado afim de que nos emendemos e detestemos o pecado.

Se nos manda algum castigo, é porque nos ama e nos quer livrar das penas eternas.

Quem poderá admirar e louvar suficientemente a misericórdia com que Deus trata aos pecadores, esperando-os, chamando-os, acolhendo-os quando voltam para ele?

E antes de tudo, que graça valiosíssima nos concede Deus em esperar pela nossa penitência!…

Quando o ofendeste, meu irmão, o Senhor te podia ter feito morrer; mas, ao contrário, te esperou; e em vez de castigar-te, te cumulou de bens e te conservou a vida em sua paternal providência.

Fingia não ver teus pecados, afim de que te convertesse.

E como é isto, Senhor?

Vós que não podeis ver um só pecador, vedes tantos e calais?

Vedes aquele impudico, aquele vingativo, esse blasfemo, cujos pecados crescem de dia e não os castigais?

Por que tanta paciência?…

Deus espera o pecador, afim de que se arrependa e desse modo possa perdoar-lhe e salvá-lo.

 

A Misericórdia nas Palavras do Papa Francisco

                                 A Igreja

 

“Eu creio que este seja o tempo da misericórdia. Esta mudança de época é também muitos problemas da Igreja – como o testemunho não bom de alguns padres, problemas inclusive de corrupção na Igreja, também o problema do clericalismo, só para exemplificar – deixaram muitos feridos. A Igreja é mãe: deve ir curar os feridos, com misericórdia (…) deve seguir por esse caminho de misericórdia e ir ao encontro de cada um com misericórdia. Penso que quando o filho pródigo voltou para casa, o pai não questionou. Não! O pai fez festa! Talvez depois, quando o filho quis falar, falou. A Igreja deve fazer assim: Quando há pessoas… não se limitar a esperar por elas, mas sair ao seu encontro! Esta é a misericórdia. Eu vejo este tempo como um Kairós (Tempo de Deus). Um Kairós de misericórdia. O primeiro que teve esta intuição foi João Paulo II quando começou com o processo de beatificação de Faustina Kowalska, com a instituição da festa da divina misericórdia… ele tinha algo em mente, ele intuíra que era uma necessidade deste tempo.”

Encontro do Santo Padre com os jornalistas

Durante o voo de regressão a Roma.

 

                                  Aos Bispos

 

“Faz falta uma Igreja capaz de redescobrir as entranhas maternas da misericórdia. Sem a misericórdia, poucas possibilidades temos hoje de inserir-nos em um mundo de “feridos”, que tem necessidade de compreensão, perdão e amor.”

Encontro com o Episcopado Brasileiro.

 

“Os bispos devem ser pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham “psicologia de príncipes”. Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra. Homens capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas, sobretudo para fazer crescer a esperança: que haja sol e luz nos corações. Homens capazes de sustentar com amor e paciência os passos de Deus em seu povo”.

Encontro com a comissão de Coordenação do CELAM

No Centro de Estudos do Sumaré.

 

                            A Missão dos Fiéis

 

“Ele (Cristo) deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como pessoas livres, como amigos, como irmãos, e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor. (…) Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distantes, mais indiferentes. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.”

Santa Missa pela Jornada Mundial da Juventude em Copacabana.

          Para uma meditação abissal: “É graças ao Senhor que não somos aniquilados, porque não esgotou a sua misericórdia” (Lm 3,22).

Se o Majestoso Deus é tão rico em misericórdia para com os pecadores, porque não devemos ser para com os nossos próprios irmãos?

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja

Instituto de Teologia Bento XVI

Sociólogo de Ciência da Religião

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

 

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