Compromisso com os irmãos

Dom Antonio Keller – Bispo de Frederico Westphalen.

E quem é o meu próximo?

Para um hebreu, havia dois «próximos»: os que pertenciam à sua raça e os estrangeiros. A casuística formada nos costumes que se iam enraizando acabou por estar contra este socorro as necessitados. O sacerdote e o levita deixaram de socorrer o desgraçado que encontraram e até passaram ao lado, porque a Lei criada pelos homens proibia tocar num estrangeiro, de tal modo que, se o fizessem, ficavam impuros legalmente.


Na sua vida pública, Jesus tenta ajudar estes homens a distinguir o acessório do principal e mostra-lhes as contradições em que se deixam cair: escandalizam-se por Ele «transgredir» o descanso sabático ao curar um paralítico, mas se um animal deles cair num posso, mesmo que seja um Sábado, apressam-se a recuperá-lo.
O meu próximo é todo aquele que precisa da minha ajuda, em qualquer momento.
Sendo assim, é difícil que não tenhamos ao nosso lado, em qualquer momento, alguém que precisa da minha ajuda.
Na parábola do bom samaritano encontramos a resposta à nossa dúvida. Jesus pergunta ao doutor da lei: «’Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?’ O doutor da lei respondeu: ‘O que teve compaixão dele’».
Para mais, Jesus Cristo ensinou-nos que está misteriosamente presente em cada pessoa que ajudamos.
No sermão sobre o juízo final responde: «Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um dos Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.» (Mt 25, 1 e ss).
Em que o posso ajudar. «Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.»
Há uma ordem de necessidades a socorrer. Mas é fora de dúvida que as necessidades espirituais podem ceder o passo a uma necessidade física urgente, como, por exemplo, se a pessoa está em perigo de morte ou em grave necessidade de ajuda.
Diante do bom samaritano – como do sacerdote e do levita – estava um homem em perigo de vida, a esvair-se em sangue. Mais algum tempo de abandono, e talvez tivesse morrido.
Este homem considerado pagão, pecador, segundo a mentalidade dos israelitas compreende como há de ser o seu amor:
• Amor sacrificado. Interrompe a sua viagem, deixa de lado os planos pessoais, arisca a vida, porque os ladrões podem estar ainda por ali perto e assaltá-lo, e investe o seu dinheiro para o ajudar. Não se pode amar o próximo sem sacrifício.
• Amor desinteressado. Encontra-se perante um desconhecido. Mesmo que viesse a sobreviver, no estado em que se encontrava nunca se chegaria a aperceber se ele passasse com indiferença.
É mesmo possível que os dois nunca se tenham encontrado depois da cura. Quando o samaritano regressou da viagem, para saldar a conta do alojamento do sinistrado, talvez ele já tivesse partido para a sua terra, sem agradecer tanto sacrifício.
• Amor operativo. Não se limita a atar as mãos na cabeça, lamentando a sorte daquele viajante, mas empenha-se seriamente em ajudá-lo.
• Amor vigilante. Encara este homem como uma pessoa da sua família pela qual se sente responsável. Pede ao estalajadeiro que o trate bem, e responsabiliza-se por pagar todos os gastos. ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Como posso ajudá-lo. «Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.»
As ajudas que procuramos prestar não podem ser idealistas, mas uma resposta cheia de realismo às necessidades que a pessoa apresenta. Podem oferecer-se estas indicações:
• Ajudar as pessoas no que elas mais necessitam. O bom samaritano cuidou as feridas do sinistrado, deitando-lhe azeite e vinho. O azeite suavizava as dores; e o vinho causticava-as, desinfetando-as.
Ligou-lhe as feridas, para estancar a hemorragia. A boa ajuda há de levar as pessoas à confissão sacramental, para que cesse a hemorragia do pecado e comecem uma recuperação pronta e eficaz.
Para uma classe de pessoas, a tentação é deitar só azeite… mas isto não cura as feridas. Apenas diminui as dores. Outras preferem limitar a sua ajuda a queimar, a repreender, a gritar bem alto que devem mudar de vida. Um consagrado autor português escreveu que quem lava copos de vidro não há de carregar tanto neles que os quebre; e quem corrige não há de ser tão duro que deixe a pessoas sem coragem para se corrigir.
• É preciso saber ajudar, e não substituir as pessoas. Se a nossa ajuda via alimentar defeitos ou vícios contra os quais não se quer lutar, não somos amigos das pessoas.
Sucede frequentemente com as mães que, ao quererem ajudar os filhos, os substituem nos pequenos trabalhos, tornando-os preguiçosos inveterados.
Jesus é o bom samaritano da Parábola. Encontrou-nos feridos pelo pecado, em perigo de morte eterna. Socorreu-nos, não com o dinheiro, mas com a Sua vida.
A Missa que participamos é a renovação sacramental deste mistério de Amor.
Que a Santíssima Virgem nos ajude e ensine a tirar o maior fruto desta dádiva que o Senhor nos oferece no primeiro dia de cada semana.

FONTE: Diocese  Frederico Westphalen/RS

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