O que Deus exige de nós?

Dom Francisco Biasin
Bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ)

Não é uma novidade afirmar que nesta última década, não só no Brasil, mas em âmbitos eclesiais mais amplos, iniciou uma fase mais difícil para o ecumenismo, depois do florescimento que despertou muitas esperanças na segunda metade do século passado.     Alguém chegou até a falar de “inverno” do ecumenismo, outros consideram esta conjuntura como um retorno necessário a um realismo que carrega o grande peso da separação vivida ao longo de muitos séculos, outros enfim a enxergam como uma pausa de reflexão que permite recolher e valorizar os frutos do trabalho destas últimas décadas.

Talvez seja mais alentador enxergar este momento histórico como um inverno que está passando, continuando a cultivar, através do trabalho e de atitudes de diálogo persistentes em todas as Igrejas, a esperança cristã que garante a chegada de uma nova primavera.

Sem dúvida o sinal mais forte da nova primavera foi a eleição do novo bispo de Roma, o Papa Francisco, que despertou a esperança de tempos novos para a Igreja Católica e para o diálogo ecumênico. Ao receber no dia 20 de março na sala Clementina representantes de Igrejas, comunidades eclesiais e de outras religiões reiterou “a firme vontade de prosseguir no diálogo ecumênico” e inter-religioso, recomendado pelo Concílio Vaticano II, que nestes últimos tempos proporcionou “não poucos frutos”.

No Brasil, assim como em outras partes do mundo, o que se apresenta como uma grande dificuldade é o universo complexo, diversificado e desafiador das assim chamadas igrejas e grupos neo-pentecostais. Com estes o diálogo não é fácil pelas suas posturas agressivas e proselitistas em relação à Igreja Católica e a outras Igrejas históricas, pela interpretação fundamentalista da Sagrada Escritura que dificulta o diálogo teológico e pelos interesses de todo tipo que eles acobertam.

Responder a posturas agressivas com agressividade não é atitude evangélica. Fechar a porta da nossa casa porque outras portas se fecham, significaria retroceder no caminho do diálogo.

“Responder às ofensas com o amor e com a força da verdade!” é a atitude evangélica que o Papa Francisco apresentou para toda a Igreja quando é perseguida, domingo, dia 14/04, depois da Oração da Regina caeli.

Baseados nesta atitude, grupos e comunidades neo-pentecostais sérios, de postura dialogante, respeitosos em relação a cristãos de outras denominações, sob a ação do Espírito, sentiram o apelo de construir unidade pela busca do caminho da santidade. Com numerosos destes grupos, junto com membros representantes de novas comunidades surgidas no seio da Igreja Católica, a Comissão de ecumenismo da CNBB iniciou há 5 anos encontros anuais que prometem dar frutos abundantes e se constituem como que exemplares no caminho de diálogo ecumênico com o mundo neo-pentecostal.

Mesmo diante dos desafios e dificuldades que se encontram em construir pontes e canais de diálogo com cristãos de outras denominações, é necessário permanecer fiéis à oração de Jesus que pediu ao Pai o dom da unidade: “Pai, que todos sejam um para que o mundo creia!”

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) responde a este desejo de Jesus e se constitui num grande momento que favorece o ecumenismo espiritual no mundo inteiro. Este ano será celebrada de 12 a 19 de maio e terá como tema: “O que Deus exige de nós?” tirado de Miqueias 6, 6-8.

Preparados por cristãos de várias igrejas da Índia, os textos para a oração e a reflexão visam superar todo tipo de divisão entre as igrejas e na sociedade, por entender que esta é a vontade de Deus, “o que ele exige de nós”, para que sejamos instrumentos de reconciliação, de fraternidade e de paz.

Rezemos, como nos inspira a oração da celebração final:

“Deus, que nos fez diferentes uns dos outros, mas todos à sua imagem, abençoe e guarde a todos. Que os olhos zelosos de Deus nunca se apartem de cada um de nós. E que o encontro de uns com os outros seja um sinal de unidade no Espírito Santo, bem como sinal da vinda do Reino de Deus. Em nome de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.”

FONTE: Diocese Barra do Piraí/Volta Redonda-RJ

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