Os últimos dias da terra

Dom Redovino Rizzardo, cs

Bispo de Dourados

O dia 21 de dezembro de 2012 passou e o mundo continua a sua marcha através dos séculos. As profecias dos maias, garantindo que ele acabaria naquela data, não se realizaram, como, aliás, todas as que teimam em se fazer ouvir aqui e acolá. Para confortar os leitores desanimados com o fracasso, vários canais de televisão aproveitaram a ocasião para lançar velhos filmes sobre o assunto. Um deles foi “Os últimos dias da terra”, que consegui assistir por cinco minutos.
Na verdade, de acordo com a ciência – por enquanto, deixamos a religião de lado – , o mundo e o universo caminham para o fim. Tudo o que nasce, morre! Quando são as “profecias” que o afirmam, podemos duvidar. Mas quando é a ciência que fala, todos precisam… tomar providências. A terra e o cosmos são semelhantes a uma vela que, ao iluminar, se gasta até se extinguir.
Comecemos pelo sol, do qual depende a vida na terra. Com quatro bilhões e meio de anos de idade, está na metade de sua existência. Os cientistas garantem que poderá ainda durar, no máximo, cinco bilhões de anos. Mas já que normalmente a morte é precedida pela agonia, também ele, antes de desaparecer, entrará num longo período de arrefecimento, quando perderá sua força de sustentação e seu diâmetro crescerá cem vezes mais, engolindo vários planetas, inclusive a terra.
A essa altura, porém, a vida no planeta há tempo terá desaparecido. Quando e como? As hipóteses são várias, mas, infelizmente, em quase todas o agente principal é o homem.
Primeiramente, ela poderá acabar pela energia nuclear. Os dias 6 e 9 de agosto de 1945, em Hiroshima e Nagasaki, e 26 de abril de 1986, em Chernobyel, não passam de “café pequeno” se comparados com a hecatombe que, a qualquer momento, pode desabar sobre a humanidade, arrasando-a em poucos minutos. A história nos atesta que loucos e acidentes surgem onde e quando menos se espera…
Outra possibilidade, mais perigosa porque encoberta pela aparência de progresso e incentivada pelo poder econômico, é a degradação do meio ambiente. O desmatamento e os agrotóxicos, a poluição da atmosfera e das águas se refletem nas mudanças climáticas e, sobretudo, no envenenamento do homem. Por mais que se queira negar, o câncer é um sintoma alarmante deste suicídio coletivo da humanidade. O calor aumenta em toda a parte. Há “profetas” que temem que, nesse ritmo, já no final deste século a vida será insuportável – inclusive pelas enchentes e dilúvios causados pelo derretimento das calotas polares.
A terceira hipótese é… a falta de filhos. A tão temida explosão populacional do século passado se orienta para um “suicídio demográfico”, como afirmava o Papa João Paulo II, em 1985. A taxa de natalidade está abaixando em toda a parte, não apenas nos países ricos. A média de filhos dificilmente chega a dois por família. E, à medida que diminuem as crianças, aumentam os idosos, com as consequências sociais e econômicas que o fato acarreta.
Por fim, a vida pode terminar por causas alheias à imprudência ou maldade humana, como, por exemplo, por um asteroide. É o que aconteceu há 65 milhões de anos, quando um meteoro colidiu com a terra, no México, acabando com os dinossauros. No dia 22 de dezembro de 2012, um dia após o fim dos temores sobre uma possível catástrofe mundial, a Nasa informou que um meteorito poderia se chocar com a terra em fevereiro de 2040. “Poderia”, mas não acontecerá, porque o meteoro, de 140 m de diâmetro, “resolveu” passar a 890 mil km do planeta…
Deixando de lado a ciência, o que é que a Igreja Católica ensina sobre isso? O “fim do mundo” está presente na Bíblia. Jesus a ele se refere inúmeras vezes. Trazemos apenas uma citação, que resume as demais: «Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, porém, ninguém o sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai» (Mt 24,35-36).
Contudo, quase sempre, por “fim do mundo”, a Bíblia não entende extinção, mas consumação, restauração, plena realização. De fato, Jesus fala de «mundo novo» (Mt 19, 28), Pedro de «restauração de todas as coisas» (At 3,13), e Paulo da «criação a ser libertada da escravidão do pecado» (Rm 8,21). Numa palavra, o que o “fim do mundo” a todos pede é vigilância e compromisso.
FONTE: Diocese de Dourados/MS
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