O poder da União na Família

Côn.José Geraldo Vidigal*

Este tema é importantíssimo. Com efeito, em nossos dias, quando tudo leva a um subjetivismo alarmante, fruto do individualismo que aflora de um egoísmo deletério, multiplicam-se os penosos problemas das relações mútuas o que leva à desunião familiar. Trata-se do convívio entre os esposos, entre os pais e os filhos. É preciso, antes de tudo,  que cada um procure se auto-realizar, mesmo porque quem não sabe conviver consigo mesmo nunca obterá êxito com os outros. Nada pior para uma pessoa do que a perda da auto-confiança.

O pedagogo divino, Jesus Cristo, aliás ordenou que cada um amasse o próximo como a si mesmo (Mc 12,31). Auto-realizar-se significa alcançar o seu potencial num amadurecimento cotidiano, ou seja, cada um deve ser hoje melhor do que foi ontem em tentativas bem orquestradas ao som do discernimento interior. Uma norma elementar é que ninguém deve querer moldar os outros à sua imagem e semelhança, mas observando-se sempre os princípios elementares da caridade e da civilidade, ou seja, da boa educação. É uma arte descobrir, no relacionamento diário, o que normalmente se chama de “mania”, mas que vem a ser laivos do perfil caracterológico de cada um. Cumpre chegar a um denominador comum.
Há necessidade de uma retroalimentação contínua que patenteia até onde cada deve ser respeitado. A chamada “correção de erro” é imprescindível, pois impede enganos e desvios, isto é, quando ou os esposos entre si, ou os pais diante dos filhos, notam algo que precisa ser considerado, há sempre o momento oportuno para o diálogo, troca de idéias e, neste caso, os pais podem e devem com bons modos corrigir os filhos sem que esteja a união familiar posta em jogo. Não se podem nunca desprezar os reforços  da experiência do passado que alimentam as atitudes no presente. Nada desgasta mais o ser humano do que o conflito sem motivo ou que deveria ser evitado. O segredo da vida é transformar a agitação em cooperação, o erro em correção oportuna. Nada mais necessário do que baixar o nível de defensividade, abolindo definitivamente acusações mútuas. A interação emocional é de vital importância em toda parte.
Atitudes negativas devem ser evitadas, pois causam ressentimentos, aumentam a taxa de absenteísmo e reduzem o nível de energia positiva. Nas relações familiares se os presentes em certas ocasiões  são sinais de consideração, estima e apoio, nem sempre são um reforço positivo, se o que foi exposto acima faltar e se eles se configurarem como suborno afetivo. Sem alicerce nada duradouro se constrói. Assim também até qualquer tipo de elogio desproporcionado. É preciso sempre a busca de reforços interpessoais, como a atenção  que se manifesta nos mínimos detalhes, incluindo não se querer dominar o outro. Neste caso específico apontar erros através de queixas inoportunas é um desvio muitas vezes irreparável. Apresentar soluções é o caminho certo. O que se esquece muitas vezes é que qualquer indivíduo é do tipo ativo ou do tipo secundário. Este último é programado, por vezes rotineiro, e precisa ser avisado com antecedência para que possa se reorganizar e rever seus programas a curto e a longo prazo. O tipo primário, desprogramado, surpreende por atitudes imprevisíveis.
Fala sem pensar e age precipitadamente. A questão fundamental, em um e outro caso, é a formação da própria personalidade na busca do equilíbrio de atitudes para que se evitem perturbações emocionais que prejudiquem a união dentro do lar. Entretanto, se uma pessoa faz alguma coisa que enraivece, não se deve  atacá-la e, sim,  procurar se safar da situação constrangedora  pela via da compensação não vingativa, inclusive com o pensamento salutar de que “o tempo cura todas as feridas”. Em qualquer circunstância é mister esfriar o ânimo e não ficar curtindo o sofrimento que prejudica gravemente a saúde psicossomática. Emoções mal controladas só aumentam as inquietações. Como o ser humano é um permanente enigma, é um erro fatal não saber evitar tudo que leve à desunião. Nos momentos de angústia, ocasionada seja qual for a circunstância, nada mais saudável uma conversa amiga, cheia de compreensão. Para tudo na vida há solução! Que os pais se amem como José e Maria e que os filhos respeitem seus pais como Jesus de Nazaré. Então sim, reinará sempre o poder da união da família e coisas maravilhosas acontecerão sempre dentro do lar cristão!

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos- MG

FONTE: Arquidiocese de Marnana/MG

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