Desmatrimoniados

Padre José Fernandes de Oliveira,SCJ

A França fala em démariage, o presidente da Alemanha Joaquin Gauck abertamente o pratica, o príncipe Charles optou pelo divórcio, alguns políticos e abastados brasileiros ou divorciam ou praticam o meio termo. E há pobres que também o vivem. Os italianos falam em dematrimonialzazzione. No Brasil se fala em arranjo pós-nupcial, ou incasamento… O casal não se separa, ele vive em duas casas, com duas mulheres uma das quais é a esposa e a outra é a namorada, com o consentimento da esposa.

Como a idéia de matrimônio é a da fidelidade jurada no altar perante o juiz, e como na maioria dos países, para alguém se casar de novo deve primeiro se divorciar, há um novo arranjo na praça. Não deixa e ser matrimônio, mas um dos dois vive sob dois tetos e não é bígamo porque marido e mulher não mais se amam, e decidem que os três: ele, ela e a amante viverão o triângulo amoroso consentido.

Ele não deixa faltar nada para a esposa e os filhos, ela aceita a situação porque o divórcio para ela e os filhos traria mais problemas do que esse arranjo. Em Milão 37,3% dos filhos nasceram fora do matrimônio. Na Itália, 16,7 %. No Brasil os números se assemelham aos da Europa. Casais ficam juntos, mas não no mesmo leito. Exercem a conjugalidade da mesa com uma e a do leito com outra.

O costume cristão por muitos séculos segurou a mesa e o leito conjugal juntos, embora reis, príncipes e poderosos desafiassem a fé cristã, criando suas próprias regras. Henrique VIII foi um deles. Seu novo matrimônio custou a morte de Thomas Morus. O chanceler se demitiu do cargo para não participar do divórcio do rei contra Caarina de Aragão nem autorizar um novo casamento entre o rei e Anna Bolena uma cortesã. No passado, poderosos que não conseguiam anular sua união arranjada pelos reinos, mandavam a esposa para um palácio e viviam com a concubina no outro. Aconteceu no mundo inteiro. Ainda acontece. As leis da Igreja ou são combatidas ou ignoradas nas altas esferas. A relação entre Igreja e estado ou sociedade civil nem sempre foi bem, muito por causa da inflexibilidade das suas leis matrimoniais.

O que diz a Igreja desse arranjo que descaracteriza o casamento fiel? Não muda o discurso. Os dois devem viver juntos e não nem outra nem outro naquele matrimônio. João Batista foi decapitado por se opor a esse tipo de casamento. Enfrentou o rei Herodes que vivia com sua sobrinha, que ele roubara de seu irmão que também viver com a sobrinha Herodíades. Um dia em que o rei bebeu demais e encantado com a dança da mocinha Salomé, filha da sua amante sobrinha e mulher, disse a ela que pedisse o que quisesse. A conselho da mãe ela pediu num prato a cabeça de João Batista. O rei perdera a cabeça por conta da sobrinha e mandou cortar a cabeça do profeta que mostrou-se o único que raciocinava.

O casamento nunca foi uma instituição serena e fácil. Tem se revelado mais difícil do que consórcios políticos e econômicos. Homens poderosos, políticos, banqueiros, industriais, capazes de governar povos, dialogar com nações e sentar-se à mesa para assinar pactos de paz e cooperação; presidentes de grandes conglomerados que dialogam à exaustão para venderem seus produtos, às vezes estão no seu terceiro ou quarto casamento. Eles e elas. Encontram mais dificuldade de conviver no mesmo leito com uma pessoa do que com centenas de outras.

A historia ensina que começar um casamento ou uma relação é coisa de dias ou meses. Levar adiante ou concluí-lo está casa dia mais difícil. Culpa de quem? Delas? Deles? De ambos? Devem as igrejas abrandar suas exigências? Mas a religião existe para quê? Para concordar com os novos costumes das comunidades ou para educar para a paz e para o compromisso? Voltaremos à poligamia e à poliandria? Era um arranjo melhor do que o casamento monogâmico? Vale um debate!

FONTE: Padre Zezinho, SCJ

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