Quaresma: Saúde e Salvação

Dom Francisco Biasin
Bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ)

O hino do Ofício das leituras do tempo da quaresma nos introduz, de forma magistral, não  apenas no espírito deste tempo forte do ano litúrgico que nos prepara para a Páscoa, mas também no espírito da Campanha da Fraternidade deste ano: FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA!

Escutemos:

Agora é tempo favorável, / divino dom da Providência,
para curar o mundo enfermo / com um remédio, a penitência.

Da salvação refulge o dia, / na luz de Cristo a fulgurar.
O coração, que o mal feriu, / a abstinência vem curar.

Em corpo e alma, a abstinência, / Deus, ajudai-nos a guardar.
Por tal passagem, poderemos / à páscoa eterna, enfim, chegar.

Todo o universo vos adore, / Trindade Santa, Sumo Bem.
Novos por graça entoaremos / um canto novo a Vós. Amém.

A Campanha da Fraternidade (CF), de fato, não é uma campanha de cunho meramente social que procura sensibilizar a sociedade sobre um sério problema que atinge grande parte da população carente em nosso país, nem tem a pretensão de apresentar soluções técnicas sobre o gerenciamento de políticas públicas para melhorar o atendimento médico-hospitalar do nosso povo.

Antes de ter e para ter hospitais ou estruturas públicas que atendam com dignidade e competência as pessoas doentes, antes de ter e para ter um Sistema de Saúde que funcione a contento, atendendo à população mais carente, é necessário, como diz o hino acima, “curar o mundo enfermo, com um remédio, a penitência”. O mal que atinge a nossa sociedade e que produz tanta injustiça social, o mal que, como um câncer, corrói todo sistema é a corrupção, a aplicação dos recursos públicos em beneficiamento de grupos e pessoas que, sem escrúpulo nenhum, deles se apropriam para enricar e aumentar a sua fortuna. Os pobres que estão na ponta da máquina administrativa recebem, como pobres Lázaros, as migalhas que caem da mesa dos que se locupletam no banquete da vida. Só há um remédio, a “penitência”, isto é a conversão, a mudança de mentalidade e de estilo de vida, uma maior participação popular no gerenciamento dos recursos públicos e um controle social sobre sua aplicação!

“O coração, que o mal feriu, a abstinência vem curar!”

Quando falamos em abstinência, geralmente pensamos logo em controle dos alimentos que ingerimos. Hoje em dia o sentido da abstinência já se estende ao mundo das drogas, do álcool e enfim a todo tipo de dependência que aprisiona a pessoa tornando-a de fato dependente e dominada por um objeto, um vício ou um estilo de vida imposto pela mídia e pela cultura dominante.

Ainda não se fala, ou pouco se fala até na Igreja da dependência do pecado, da ruptura que ele provoca no âmago da pessoa, da desintegração ou fragmentação da pessoa humana e da sociedade que o mal gera.

“A sociedade, hoje, mostra descaradamente que pretende solucionar  os problemas materiais pela via do cinismo, pelo poder do mais forte. A própria medicina não hesita em se autopromover à custa da ética, recondicionando a casca, mas deixando apodrecer os valores pessoais por dentro. Há quem ache que a Igreja deveria primeiro melhorar as condições materiais, a saúde, a cultura, etc., para dar maior “base” à sua mensagem “espiritual”. Jesus, porém nos aponta outro caminho: no caso da cura do paralítico (cf. Mc 2, 1-12), ele pronuncia primeiro o perdão do pecado e depois mostra ter poder para tratar da enfermidade corporal. O mais urgente é livrar as pessoas e a sociedade do mal fundamental, o pecado. Então a libertação total deitará raízes num chão livre da erva daninha do pecado.” (Pe. Johan Konings, sj em Vida Pastoral n° 282 pag. 62).

“Da salvação refulge o dia,  na luz de Cristo a fulgurar.”

Quaresma é tempo de salvação integral e total, é tempo em que o Reino deve ser proclamado! É tempo em que Jesus tentado vence pela força da Palavra. É tempo que nos prepara à fulgurante luz pascal em que Cristo, triturado pela paixão e tendo assumido as nossa feridas e “doenças” como “homem das dores”, ressuscita “homem novo” para toda a humanidade. Nele, o homem novo, a saúde se renova, a sociedade cura as suas feridas, tudo é novo! “Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap 21,5)
Vivamos com este espírito a CF deste ano e nos tornaremos pessoas sadias, salvas, a contagiar quem está ao nosso redor e a sociedade, orientando-os para o único bem que é Cristo Jesus!

 

FONTE: Diocese Barra do Piraí/Volta Redonda-RJ

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