Catequese renovada

Pe. Inácio José do Vale, OSBM

“Formar catequista como comunicadores de experiências de fé, comprometidos com o Senhor e sua Igreja, com uma linguagem inculturada que seja fiel à mensagem do Evangelho e compreensível, mobilizadora e relevante para as pessoas do mundo de hoje, na realidade pós-moderna, urbana e plural”. (Diretório Nacional da Catequese, n.14b).

“Passados 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II, ainda estamos presos a uma catequese em função dos Sacramentos da Eucaristia e da Confirmação”, afirma escritor, educador e lassalista irmão Nery,fsc.


Impulsos conciliares para a renovação da catequese. A Lumen Gentium,e todo o desenvolvimento pós-conciliar sobre Igreja, abriram novas perspectivas para renovação do conceito e da prática da catequese. Destaco dois Diretórios Catequéticos: Diretório Catequético Geral (DCG), de 1971, e o Diretório Geral para a Catequese (DGC), de 1997. Também são importantes: as Exortações Apostólicas pós – sinodal, de Paulo VI, Evangelii Nuntiandi (A evangelização no mundo contemporâneo), e a de João Paulo II, Catechesi Tradendae (A catequese hoje); e o Catecismo da Igreja Católica. E, no Brasil, temos os Documentos da CNBB: Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo; o Diretório Nacional de Catequese (DNC) e o Estudo 97: Iniciação à Vida Cristã. Todos documentos obrigatórios para se falar de catequese pós – conciliar com conhecimento de causa.
A eclesiologia na dinâmica da catequese. Não se compreende catequese sem as linhas orientadores da Lumen Gentium que exigem, na prática, a experiência de ser membro da comunidade de Jesus Cristo e do povo de Deus, de vivência da Palavra de Deus na vida do cristão e da comunidade, e de um sentido profundo e envolvente de oração, celebração e liturgia. Porém, o processo catequético fica incompleto sem a atitude essencial do amor, do serviço e da abertura ao chamado de Deus para viver conforme Sua santa Vontade, o que implica caminhar na santidade de vida. “A vontade de Deus é a nossa santificação” (1 Ts 4,3). Nessa dinâmica situa-se a vida cristã como vocação e, nela, as diversas e complementares vocações no povo de Deus. Evidentemente, Maria deve ser assumida na catequese, muito mais do que pelo devocionismo que nem sempre leva a Jesus, mas pela imitação de sua entrega plena à Vontade de Deus, de seu apresentar-nos e levar-nos a Jesus e de fazer o que Ele nos pede (Jo 2, 5). Mas não há catequese autêntica sem uma compreensão verdadeira de Plano Salvífico e de Reino de Deus, a ser construído no dia-a-dia desta vida e na ação transformadora no mundo, Reino que será realizado plenamente na vida eterna feliz.
Renovação Catequética
“Graças à assimilação do Magistério da Igreja e à formação melhor de generosos catequistas, a renovação da Catequese tem produzido fecundos resultados em todo o continente”, (Documento de Aparecida, nº. 99ª).
A renovação catequética, promotora da superação do período catequístico, quando se fazia uso dos catecismos e se dava importância á memorização das formulas, chegou com força ao Brasil, e a toda a América Latina. Uma autêntica hermenêutica do Concílio Vaticano II eclodiu nas Conferências Episcopais da América Latina, dando amplo espaço a renovação catequética, que ganhou vida e tomou corpo no Brasil com o documento Catequese Renovada da CNBB, em 1983. Uma revolução catequética foi instaurada: novo modelo teológico, com vertente mais antropológica, ocupava o lugar cativo da teologia descente; a Igreja do Corpo de Cristo – entendida de modo estático e hierárquico! – cedia lugar para a nova imagem de Igreja do povo de Deus; a pedagogia do ensino – entendendo o destinatário da catequese como uma tábula rasa – abria espaço para a pedagogia de aprendizagem, alicerçada no francês Jean Piaget ou no brasileiríssimo pedagogo dos pobres, o pernambucano Paulo Freire. Uma visão muito otimista da humanidade! Assim, a catequese se propõe revelar aos catequizandos o que eles têm dentro de si mesmos sem saber, fazendo uma conexão entre fé e vida. Uma pedagogia muito indutiva: o encontro com Deus se dava a partir da vida, da experiência concreta a luz da Palavra. E quantas conquistas se obtiveram, quantos desafios enfrentados com sucesso, quanta encarnação na realidade latino-americana, de modo particular, que só podia resultar em avanços.
Escreve a doutora em teologia e professora Solange Maria do Carmo: “A todos os catequistas e catequetas desejamos abertura ao novo e compromisso com as conquistas já feitas: um equilíbrio difícil e fundamental diante dos desafios da pós-modernidade”.
A missão dos catequistas e catequetas são gloriosas e monumentais porque são promotores da cultura de vida.
A catequese é um assunto altamente espiritual e magistral que pelo seu teor evangélico conduz a família nos valores cristãos e para vida eterna.
Os catequistas são protagonistas do ensino do amor de Deus, instrumentos, discípulos e missionários do labor sapiencial da Santa Madre Igreja.
É belo doar-se aos outros sem medida na luz da caridade de Jesus Cristo. Os catequistas estão dentro desse contexto de imensurável beleza!

Pe. Inácio José do Vale
Pesquisador de Seitas
Doutor e Professor de História da Igreja
Instituto Teológico Bento XVI
Sociólogo em Ciência da Religião
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

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