Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Padroeira do Brasil

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof. do Seminário Arquidiocesano de Diamantina e da PUC-MG/ Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina

A piedade e a devoção do nosso povo para como a Imaculada Conceição Aparecida vem de desde os anos de 1717. Sua história é riquíssima e nos trás uma espiritualidade muito grande. Para se entender as grandes romarias, vindas de todo o País, as Eucaristias, o grande numero de graças que se recebe e agradece e o culto que se presta a Maria Santíssima, precisamos saber um pouco da sua história. Só, assim, podemos entender as maravilhas que o Senhor fez Naquela que é a cheia de graça (Lc 1, 26-38), a bem aventurada entre todas as mulheres (Lc 1, 42). Diante do exposto, ressaltaremos a crônica dos acontecimentos do longínquo Outubro de 1717, nas paragens de Itaguaçu, onde coroam os oragos (títulos) que fortalecem a importância dada ao culto a Maria no Brasil, desde o século XVII até aos nossos dias. Desde o contexto da política colonizadora de Portugal, que nos foi legada pelo passado, à expectativa trepidante da passagem do Governador D. Pedro de Almeida pela Vila de Guaratinguetá, um leque de reflexões se abre a fim de entendermos a angustiosa procura de peixes para a mesa da autoridade.

A partir daqui se entende tudo o que envolve a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida. O rio Paraíba, que nasce em São Paulo e deságua no litoral fluminense, era limpo em 1717, quando os pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves resgataram a imagem de Nossa Senhora Aparecida de suas águas. Encarregados de garantir o almoço do conde de Assumar, que visitava a Vila de Guaratinguetá, eles subiam o rio e lançavam as redes, sem muito sucesso, próximo ao porto de Itaguaçu, até que recolheram o corpo da imagem. Na segunda tentativa, trouxeram a cabeça e, a partir desse momento, suas redes se encheram. Assim como os Apóstolos reconheceram Jesus (Jo 21, 7), os três pescadores reconheceram Maria. Durante 15 anos, Filipe Pedroso ficou com a imagem em sua casa, onde recebia várias pessoas para rezar do terço. Mais tarde, a família construiu um oratório. Eis, pois, Maria, a Senhora Aparecida, a grande incentivadora do “sobre ti edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18).

Em 1743 o vigário de Guaratinguetá erigiu uma capela no alto do Morro dos Coqueiros. Com a presença dos milagres, como os das velas, onde houve um espanto, vale dizer, elas se acenderam por si num tempo onde o calor era imenso; o das correntes que em meados de 1850, um escravo chamado Zacarias, preso por grossas correntes, ao passar pelo Santuário, pede ao feitor permissão para rezar à Nossa Senhora Aparecida. Recebendo autorização, o escravo se ajoelha e reza contrito. As correntes, milagrosamente, soltam-se de seus pulsos deixando Zacarias livre e a resposta ao cavaleiro de Cuiabá, que passando por Aparecida, ao se dirigir para Minas Gerais, viu a fé dos romeiros e começou a zombar, dizendo, que aquela fé era uma bobagem. Quis provar o que dizia, entrando a cavalo na igreja. Não conseguiu. A pata de seu cavalo se prendeu na pedra da escadaria da igreja (Basílica Velha), e o cavaleiro arrependido, entrou na igreja como devoto. Com esses acontecimentos, vistos por todos, a devoção a Nossa Senhora Aparecida ia crescendo. Assim como Jesus chamava multidões ( Jo 6, 2), Maria chama os devotos.

Como o número de fiéis fosse cada vez maior, teve início em 1834 a construção da chamada Basílica Velha. O ano de 1928 marcou a passagem do povoado nascido ao redor do Morro dos Coqueiros a município. A grande dádiva, pescada no rio do Paraíba, a simples estatueta, trouxe nova força e identidade a todos, sobretudo aos negros da região e circunvizinhanças que passaram a encontrar nela uma expressão “de sua raça, de sua cor, de sua história”. A cor da imagem adequa-se à população da região, formada por mamelucos, índios, negros, alguns mulatos e brancos. O castanho é a cor do índio, do mestiço, do mulato e do negro. Por outras palavras, a imagem não retrata uma Senhora comum, mas alguém que tem a cor do povo. Na sua originalidade, parece que ela era policromada de azul e branco, cores atribuídas às imagens da Senhora da Conceição. Com a ação do tempo, com o lodo do rio, e com as velas, que constantemente a ladeavam e iluminavam com a fumaça, foi-lhe dada uma cor castanha brilhante. Isso nos faz pensar nas palavras de Jesus, vale dizer: “Não fostes vós que me escolheste, mas eu que vos escolhi” (Jo 15, 16).

No dia 16 de julho de 1930, o Papa Pio XI, proclamava a Senhora Aparecida como Rainha do Brasil e sua padroeira oficial. É preciso destacar que vários Papas se interessaram por Nossa Senhora Aparecida. Ela foi objeto de especial afeto dos papas Leão XIII, Pio X, Bento XV, Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, que, pessoalmente, consagrou o novo templo edificado em honra da Santíssima Virgem Aparecida, o maior templo dedicado à Virgem Maria. Recentemente, Bento XVI, visitou o santuário, por ocasião da abertura da quinta conferência do Episcopado Latino Americano, com o tema “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo”. A saudação ao Santo Padre foi feita a 13 de maio de 2007.

A necessidade de um local maior para os romeiros era inevitável e em 1955 teve início a construção da Basílica Nova. A 4 de Julho de 1980, o Papa João Paulo II inaugurou solenemente a Nova Basílica Santuário de Nossa Senhora de Conceição Aparecida. Naquela ocasião, o Governo Federal decretou o dia 12 de outubro, solenidade da Aparecida, como feriado nacional. Quem visita, atualmente, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, entre tantas coisas que chamam a atenção, uma delas é a sala dos milagres, situada nas dependências, onde os fiéis peregrinos oferecem e guardem os ex-votos, “milagres” na expressão popular. Esta sala é tão antiga como a devoção a Nossa Senhora Aparecida, e é testemunho do amor que Maria devota aos seus filhos. Em seus desígnios de paternal providência, Deus se compraz em fazer-nos conhecer sua mensagem através de pessoas e coisas que vêm ao nosso encontro. É a história da Salvação. Em Aparecida tudo começou com o encontro de uma simples imagem que surpreendeu e causou estupefação. Maria se levanta no solo do Brasil como um foco de luz sobrenatural, na madrugada do dia 17 de Outubro de 1717. Eis, pois Maria, a Senhora Aparecida, nos levando a Jesus dizendo: “Fazei tudo o que ELE vos disser” (Jo 2, 5).

FONTE: CNBB

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