Padre Crispim Guimarães
Assessor de Comunicação e Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados.
Na próxima semana, dia 12 de outubro, a Igreja Católica no Brasil, celebra a ação de Deus em meio a seu povo, através daquela que ouviu e viveu o projeto Dele como nenhum outro ser humano. Portanto, hoje, não quero ressaltar a festa de Nossa Senhora Aparecida em si, mesmo porque este é um título dado à Mãe de Jesus. Desejo aprofundar algo mais sobre ela.
Seria heresia negar a maternidade divina de Maria. Desta forma, negaríamos a ação de Deus. E para compreender a Maternidade divina temos que compreender a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se perguntarmos a alguém se é filho de sua mãe, se esta verdadeiramente o for, de certo nos lançará um olhar de espanto. E teria razão.
O homem, como sabemos, é composto de corpo e alma, sendo a alma a parte principal do seu ser, pois comunica ao corpo a vida e o movimento. A nossa mãe terrena, todavia, não nos comunica a alma, mas apenas o nosso corpo. A alma é criada diretamente por Deus. A mãe gera apenas a parte material deste composto, que é o seu ser. E como é que alguém pode, então, afirmar que a pessoa que nos dá a luz é nossa mãe?
Há em Jesus Cristo “duas naturezas”: a natureza divina e a natureza humana. Reunidas, constituem uma única pessoa, a pessoa de Jesus Cristo. Nossa Senhora é Mãe desta única pessoa que possui ao mesmo tempo, a natureza divina e a natureza humana, como a nossa mãe é a mãe de nossa pessoa. Ela deu a Jesus Cristo a natureza humana; não lhe deu, porém, a natureza divina, que vem unicamente do Pai Eterno.
Maria deu, pois, à Pessoa de Jesus Cristo a “parte inferior” – a natureza humana, como a nossa mãe nos deu a parte inferior de nossa pessoa, o corpo. Apesar disso, nossa mãe é, certamente mãe, e Maria é a Mãe da pessoa de Jesus Cristo.
Deste modo, notamos que em Jesus Cristo há uma só pessoa, a pessoa divina, infinita, eterna, a pessoa do Verbo, do Filho de Deus, em tudo igual ao Pai Eterno e ao Espírito Santo. E Maria é a Mãe deste ser divino. Logo, ela é a Mãe de Jesus, a Mãe do Verbo Eterno, a Mãe do Filho de Deus, a Mãe da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a Mãe de Deus, pois Jesus é Deus Filho, nascido do seu seio virginal. Maria é verdadeiramente a Mãe deste Deus, revestido desta humanidade, “Maria de quem nasceu Jesus” (Mt 1, 16).
Como a natureza humana de Nosso Senhor e a natureza divina não podem ser separadas, pois a Redenção não existiria se Nosso Senhor tivesse morrido apenas como homem. Logo, Nossa Senhora, Mãe de Nosso Senhor, mesmo não sendo mãe da divindade, é Mãe de Deus, pois Nosso Senhor é Deus. Se negarmos a maternidade de Nossa Senhora, negaremos a redenção do gênero humano ou cairíamos no absurdo de dizer que Deus é mortal! Mas ela encontra provas na Bíblia?
O Arcanjo Gabriel diz que o Santo que nascerá de Maria será chamado o Filho de Deus. Se o Filho de Maria é o Filho de Deus, é absolutamente certo que Maria é a Mãe de Deus (Lc 1, 35). Repleta do Espírito Santo, Santa Isabel exclama: “Donde me vem a dita que a Mãe de meu Senhor venha visitar-me?” (Lc 1, 43). Mãe do Senhor ou “Mãe de Deus” são expressões idênticas. O profeta Isaías predisse que a Virgem conceberia e daria à luz um Filho que seria chamado Emanuel ou Deus conosco (Is 7, 14).
Por isso devemos cultuar Maria? Ora, primeiro é necessário distinguir culto de adoração. Os católicos adoram somente a Deus, o culto é um modo de dignificar a pessoa que Deus escolheu para se encarnar enquanto Filho. Esta dignidade supera todas as demais dignidades, pois representa o grau último a que pode ser elevada uma criatura. Veja bem, criatura!
Se não a homenagiamos pelos méritos de Jesus Cristo, devemos observar que o primeiro violador do culto foi o próprio Deus, que mandou saudar à Virgem Maria, pelo arcanjo S. Gabriel: “Ave, cheia de graça!” (Lc 1, 28) e através de Isabel: “Bendita sois vós entre as mulheres” (Lc 1, 42). Igualmente, a própria Maria nos diz: “Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada…” (Lc 1, 48).
Todos esses atos indicam o culto à Nossa Senhora e a honra que lhe é devida. Ao celebramos Jesus Cristo, através de sua Mãe, com o título de Nossa Senhora Aparecida, somente queremos agradecer a Deus por tudo que ele nos proporcionou, assumindo por Maria, a nossa humanidade.
FONTE: Diocese de Dourados/MS