Padre José Antônio de Oliveira
A Igreja católica no Brasil está iniciando o segundo Ano Catequético. Até aí, nada demais. Os projetos, celebrações e outras iniciativas são comuns na Igreja. Mas alguns detalhes fazem a diferença nesse novo projeto.
Como vivemos no mundo da imagem, a primeira coisa que desperta a atenção de todos é o cartaz, pela beleza da imagem, pela riqueza simbólica. Com grande leveza, misturando o moderno com a mística, os traços nos falam do mundo, da Bíblia, da partilha, do caminho percorrido e do caminho a percorrer, da aliança (o arco), tudo isso abraçado pela Luz que é o próprio Jesus Cristo.
O lema, inspirado no texto bíblico dos discípulos de Emaús (Lc 24,15ss), é também atraente e toca a sensibilidade de todos: “Nosso coração arde quando ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”. O que pode ser mais tocante do que algo que faz nosso coração bater mais forte, que o faz arder?! Feliz a pessoa que passa por essa experiência ao celebrar, ao ouvir a Palavra, ao acolher o próximo; ao praticar um gesto de amor e misericórdia…
O objetivo, expresso no tema, é que todos se ponham a caminho, com o desejo de ser discípulos e discípulas do Mestre. Entrar pra valer na escola de Jesus, procurando seguir os seus passos, num esforço de assumir os mesmos sentimentos que estavam no seu coração. Que o fato de caminhar com Jesus e ouvir a sua Palavra faça arder o nosso coração, nos desperte para o acolhimento, nos ajude a celebrar bem e a partilhar. E que tudo isso seja o combustível para a missão de promover a vida.
O texto-base começa lembrando a importância do caminho em nossa vida e na História da Salvação. Caminhar é preciso! Ninguém pode se dar ao luxo de se acomodar, se instalar, parar no tempo, deixar a vida passar ou “empurrar com a barriga”. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Sobretudo à luz do Êxodo, da grande caminhada para fugir da escravidão e conquistar a liberdade de filhos; e da vida de Jesus, um homem itinerante, que “não esquentava lugar”, somos convocados a assumir o caminho.
No caminho estão todos. Os que têm nome (Cléofas e tantos outros) e têm história, mas também uma multidão de anônimos, insignificantes, descartáveis, excluídos, ignorados. Podem ser presidiários, dependentes químicos, povo da rua, menores abandonados, órfãos, migrantes, doentes, idosos, pessoas prostituídas e tantos outros. Cada um com seu drama e suas esperanças. Conosco também caminha Jesus, mesmo quando não o percebemos. E se interessa por nós; quer ouvir e conhecer. “Nossos chefes o mataram”. Calaram sua voz. Mataram nosso sonho. “Algumas mulheres nos deram uma esperança. Disseram que está vivo”. Resta uma brasa debaixo das cinzas.
Jesus vai puxando conversa. É importante falar. É necessário ter espaços onde podemos partilhar nossas decepções e angústias, nossas alegrias e esperanças. Precisamos de alguém que nos ouça, que se interesse por nós. Depois de ouvir bastante, Jesus toma a Palavra. A partir do que eles disseram e do que estão sentindo, das suas expectativas. Jesus vai soprando as cinzas. A chama vai sendo aos poucos reavivada. A experiência é fantástica. É gostoso sentir reacender a esperança. Não dá vontade de se separar. É bom continuar juntos. Fica com a gente! Queremos estar contigo.
O gesto de acolher leva a uma outra experiência mais profunda: o convívio, a partilha, a comunhão, o sentar-se à mesa. Comungar a vida, se alimentar do outro, comer a sua presença que alimenta e alegra o coração. De repente, Jesus se torna invisível. Mas eles não ficam tristes. Já sabem que está vivo; que irá se manifestar de outras formas, em outros lugares, em outras pessoas. O importante é saber que venceu o mal e a morte. Que a vida triunfou. Que Ele está no meio de nós.
E agora? Agora é hora de partir. É preciso levar a notícia, espalhar a esperança. E a noite, o escuro? Não importa, uma nova luz está brilhando. E o medo? Já não existe; Ele está conosco, já não estamos sós. O cansaço? Foi esquecido. Aquele encontro fortaleceu, animou, refez as forças. Agora vão retomar o mesmo caminho de antes. Só que de um jeito muito diferente. O coração agora está feliz, quer transbordar. A estrada será a mesma, eles, porém, mudaram. Agora têm um motivo, uma razão, têm um para quê.
FONTE: Arquidiocese de Mariana/MG