Divórcio não combina com oração do casal

Pe. Sebastião Sant’Ana *

Por ocasião do VIII Seminário Nacional de Assessores da Pastoral Familiar, que precedeu o XII Congresso Nacional da Pastoral Familiar, realizado no Rio de Janeiro, de 5 a 7 setembro último, tive a oportunidade de fazer um rápido comentário, numa interferência no plenário, sobre os dados de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos que mostrou a relação inversa entre a oração do casal e o divórcio.


Apesar de já ter publicado tais dados nesta página, em edições passadas, vários padres e agentes da Pastoral Familiar, quase todos são leitores de O LUTADOR, consideraram-nos muito interessantes e, por isso, insistiram que eu os disponibilizasse novamente, a fim de que possam divulgá-los em suas respectivas paróquias e comunidades, sobretudo nos encontros de Preparação ao Matrimônio.
Oração do casal x divórcio

Foi Dom Walfredo Tepe quem citou, num de seus livros, a interessante pesquisa, realizada nos Estados Unidos, em que aparece claramente a relação inversa entre a oração do casal e o divórcio: quanto mais oração, menos divórcio; menos oração, mais divórcio.
Eis os resultados surpreendentes, que merecem ser avaliados e interpretados, sobretudo, como indicadores pastorais:
• Entre os casais casados só no civil: 1 divórcio em cada grupo de 2 casamentos.

• Entre os casais casados no religioso, mas que não freqüentam a Igreja: 1 divórcio em 3 casamentos.

• Entre os casais casados no religioso e que freqüentam a Igreja: 1 divórcio em 50 casamentos.

• Entre os casais casados no religioso, que freqüentam a Igreja e que rezam juntos todos os dias: 1 divórcio em 1429 casamentos.
Ao comentar esses dados, num encontro da Pastoral Familiar da Diocese de Sinop, MT, em dezembro de 2006, um agente do IBGE, presente no encontro, me informou que uma pesquisa daquele órgão, realizada em 2005, constatou uma situação muito parecida no Brasil, mas acrescentando um detalhe especial:
• Entre aqueles casais que apenas se juntam, sem nenhum vínculo institucional, civil ou religioso publicamente reconhecido, 83% se separam depois de certo tempo de convivência.
O desafio eucarístico aos casais

Freqüentar a Igreja e rezar juntos todos os dias! Não seria este um dos caminhos para que tantos casamentos dêem certo e as famílias redescubram que o sucesso familiar é possível? Por que não tentar esse caminho?
Na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, em Manaus, estamos desafiando os casais católicos mais corajosos a investirem em sua própria família através da participação diária na Eucaristia. Por isso, a partir do de 1º de julho deste ano, temos, de segunda a sábado, a celebração eucarística às 6h. Após a celebração, os participantes, sobretudo esses casais, estão fazendo a experiência de viver o dia iluminados pela Palavra de Deus e sustentados pelo Pão que é o próprio Deus.
Se a pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que, entre os casais que participam da vida da Igreja e oram juntos todos os dias, há apenas 1 divórcio em 1429 casamentos, certamente que, entre os casais que estão dispostos a ir além, investindo em suas famílias através da participação diária da Eucaristia – Palavra e Pão de Deus -, o resultado, certamente, será muito melhor.
Viver eucaristicamente é ser escolhido para amar os outros em nome de Cristo. Viver a Eucaristia leva o casal a agradecer a Deus pela sua família e a se responsabilizar por outras famílias que têm necessidade de sua ajuda. Alimentar-se diariamente daquele que é “corpo entregue” e “sangue derramado” impele o casal a ser também “pão partido para a vida do mundo”.
Passados três meses, alguns casais que aceitaram esse desafio eucarístico já chegaram a testemunhar que a experiência matinal está lhes trazendo outra qualidade de vida matrimonial, familiar, comunitária e mesmo profissional. Acima de tudo, faz aumentar o amor dos esposos. De fato, o apóstolo Paulo afirma que o amor do casal cristão é o melhor sinal (sacramento) para o mundo entender o amor de Deus pela humanidade, o amor de Cristo pela Igreja. (Cf. Ef 5,32.)
Amor de pai e mãe: alicerce de um mundo novo

O amor entre pai e mãe, vivido e manifestado no dia-a-dia da vida familiar, é fundamento, é alicerce de famílias felizes, onde os filhos se sentem seguros, demonstram equilíbrio e são ajustados emocionalmente.
Fui constatando que essa convicção, fruto de uma observação feita ao longo de quarenta anos de trabalho pastoral junto às famílias, é bem mais do que uma simples conclusão pessoal. Ela é uma verdade, é uma experiência da qual o coração não abre mão.
Vendo a maneira de o pai amar a mãe, o filho tem a melhor escola de como amar e respeitar a futura esposa. Percebendo quanto a sua mãe ama e respeita o pai, a filha também está aprendendo como, mais tarde, irá amar e respeitar o marido. Vivendo como filhos amados, saberão, no futuro, amar e respeitar seus próprios filhos.
Nessa maneira de viver o amor está o alicerce de um mundo novo, de famílias felizes. É isso que o Pe. Zezinho canta em “Utopia”, na terceira estrofe:
“Há tantos filhos

que, bem mais do que um palácio,

gostariam de um abraço

e do carinho entre seus pais.

Se os pais se amassem

o divórcio não viria;

chamem a isso de utopia

e eu a isso chamo paz!”
Na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, o saudoso Papa João Paulo II apresentou o matrimônio e a família como obra do amor de Deus. Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, criou-os para o amor e a comunhão. “O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano”. (FC, 11.)
Apesar de todos os desafios lançados hoje contra ela, vale a pena continuar acreditando na família: é obra do amor de Deus!
* Pároco da Paróquia N. Sra. de Guadalupe

Av. Prof. Nilton Lins, 510 – Flores

69058-400 – Manaus, AM

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por Católicos na Rede Postado em Família

Um comentário em “Divórcio não combina com oração do casal

  1. parabens padre por todo seu trabalho e esforcos de movimentar o grade nomero de familia em nossa paroquia em nossas comunidade especialmente na do meu bairro a de cristo rei das naçoes .
    francisca

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