Padre Crispim Guimarães – Diocese de Dourados/MS
Quando se trava uma luta, as partes costumam dizer: “guerra é guerra”, assim vemos cotidianamente na questão da preservação da vida e dos direitos humanos. Porém, existe uma grande diferença entre os que dizem defender a vida e seus direitos e o outro lado.
Um o faz porque vê a vida como um todo, outro é capaz de defender algumas vidas impondo a morte. Mas o discurso é: somos a favor da vida e dos direitos humanos. Na realidade são a favor de algumas vidas e dos direitos de poucos, desde que seja do mais forte.
Tomemos sete pontos, hoje muito em evidência e que são apresentados como direitos, contudo na realidade são afirmações falsificadas com máscara de verdade. Em guerra vale tudo, dizem. Vejam:
a) No Brasil não existe só católicos, por isso a Igreja não pode impor seus princípios. (Ótimo, seria verdade se fosse esta a questão). O problema não é a Igreja impor, porque já afirmava o filósofo Emanuel Kant, que toda norma justa se torna universal, portanto se na Igreja existe algo justo ou em outra instituição, vale para todos, a não ser que não se queira a justiça como regra. Por exemplo, “não matar”, quinto mandamento, vale para católicos e não católicos.
b) O Estado é laico (e eu acredito que deve ser), por isso não deve admitir leis religiosas. Porém se o Estado é laico não significa que exclua o povo que é religioso. No Brasil, a maioria esmagadora é cristã e o Estado não pode fechar os olhos diante disto, é seu dever respeitar seus cidadãos, caso contrário, torna-se uma ditadura. Se o Estado é democrático não pode proibir a manifestação de seu povo, pois os cristãos podem se expressar a partir de sua fé, já que não são cidadãos de segunda classe. Se fosse uma minoria teria direitos, como não podem se manifestar sendo maioria?
c) Só os atrasados são a favor do não uso de células-tronco embrionárias, já que 75% dos brasileiros são favoráveis, mas não se esclarece que quase a totalidade dos 75% são a favor das células-tronco adultas, não da morte de embriões humanos como querem grupos econômicos e “certos cientistas”. “Se a população desconhece a diferença, como pode ser chamada a se definir a favor ou contra?”
d) O uso de células dos embriões, só não aconteceu antes porque a Igreja é contra a ciência, dizem alguns segmentos. Mentira. A Igreja é totalmente a favor da pesquisa com células-tronco adultas e é contra sim, as embrionárias, pois luta pela vida dos inocentes, contra os interesses econômicos, desencadeados por poderosas ONGs.
e) O maior número de abortos no Brasil é realizado por mulheres católicas! Olhe a maldade nesta notícia. Se 74% dos brasileiros são católicos, e os outros 26% estão divididos entre evangélicos, espíritas, sem religião, etc., é claro que o maior número tem que sair dos 74% e não de 26%, é proporcional. É necessário recordar que deste percentual, 74%, somente 20% freqüenta e assume a vida sacramental, portanto a notícia é profundamente tendenciosa.
d) Deve-se aprovar a lei da homofobia (para os grupos GLTB), pois muitos sofrem com piadas, são mortos nas esquinas, etc. Ora estas pessoas antes de terem outra orientação sexual, são pessoas, não é o assassino de homossexual que deve ir para a prisão, mas o assassino de um ser humano. Os cristãos também sofrem descriminação quando pregam a virgindade, o celibato, a honestidade, façamos uma lei também só para nós. A lei deve ser para todos, pois se uma classe consegue privilégios, as demais serão oprimidas. Todas as leis são para todos os seres humanos. Matou branco, negro, rico, pobre, heterossexual ou homossexual, cadeia para quem praticou o crime, não porque é este ou aquele. Esta deveria ser a grande luta da sociedade: aplicar as leis já existentes.
e) Se a lei da homofobia for aprovada, nem um Reitor de Seminário (onde se forma padres) poderá mandar embora um seminarista que tenha práticas homossexuais, pois será acusado de descriminação, no entanto, poderá mandar aquele que mesmo no seminário – pratica a heterossexualidade, já que não pode ser acusado de descriminação. Mas existe um agravante. Se o homossexual não puder ser “excluído” do seminário, quando um dia, praticar a homossexualidade, todos atacarão a Igreja, esquecendo-se que quis o Reitor evitar tal situação.
Estes são apenas alguns sofismas difundidos como direitos. O que é sofisma? Argumentos falsos ou raciocínios defeituosos intencionalmente aplicados para induzir a erros e que confundem muito o nosso povo. Procuremos a raiz de cada problema e cuidemos para evitar a guerra de palavras travada todos os dias nos mais variados ambientes. Jesus adverte: “os filhos do “mundo” são mais espertos que os filhos da luz”.
21, Maio, 2009 às 5:03 pm |
Sinto-me constrangido ao enviar-lhes esta denúncia, mas necessária se faz. Primeiro, quero parabenizar a CNBB pela unidade e bom relacionamento na 47ª Conferência Episcopal, na aprovação de temas polêmicos como o da “homossexualidade” e o de maior relevância, “A Formação Presbiteral”. Meu nome é Adão Nunes da Silva, sou ex-seminarista, casado, pai de dois filhos.
Morei alguns anos com Dom José Alves Trindade, já falecido, Bispo de Montes Claros-MG., fui motorista dele, sendo que após o término de meus estudos, 2º Grau, ingressei-me no seminário de Brasília. Dom Damasceno foi meu professor. Durante a minha estada no Seminário N.S. de Fátima, sofri um grave acidente automobilístico, sendo que meu Dileto Amigo Damasceno, foi um dos que nos socorreram.Porém, minha denúncia é referente à pessoa do “pe.” José Pedro Lucchi, ex-irmão marista de Montes Claros.Dom José confiou-lhe, já como padre, a direção dos nossos estudos teológicos e a partir daí nossas vidas viraram um inferno.Foram tantas covardias de ordem moral, física e espiritual que até agora não consigo entender. Os abusos morais, assédio sexual, eram tantos que teve momento que até pensei em dar fim na vida dele e na minha. Como pode, um canalha como ele, está tranquilamente exercendo o sacerdócio? Oro tanto, pedindo a Deus para que me dê força para eu perdoá-lo e não consigo. As feridas profundas, causadas por ele ao meu subconsciente, têm me prejudicado cada vez mais. Na época em que ele cursava Teologia na Bahia, houve um problema sério com ele, sendo que o mesmo é considerado como um foragido da polícia daquele Estado.Não denunciei-o antes por vários motivos:1º – Por consideração ao meu pai espiritual, Dom José;2º para não manchar a imagem da Igreja que era bastante fechada; 3º por ser um período perigoso, dos militares no poder.O assunto é longo e bastante complexo. Paro por aqui. Antecipo agradecimentos pela a atenção que a mim for dispensada. Peço suas orações, contando com vossas compreenções. Meu fraterno abraço em Cristo e Maria.
21, Maio, 2009 às 5:30 pm |
Prezado Crispim! Seu raciocínio é indiscutível.Suas idéias vão além do que a maioria pensa. Parabéns!Concordo que a lei tem que ser para todos. Sabemos, como disse o filósofo: “O homem é um animal racionlal.” No entanto, possui também o outro lado que é o irracional. É deste que precisa haver a interferência, ou seja, punição para todos os que fogem da regra do mandamento “não matar”.Seu texto é rico em assuntos polêmicos de grande relevância.Percebo ainda, que neste, encontramos orientações para outras formas de abusos como o que expus acima no outro comentário.