A Igreja de Jesus é uma só e não uma federação de Igrejas

 

Da homilia de Bento 16 na missa solene de Pentecostes, extraímos trecho abaixo. O Papa lembra que em Pentecostes se manifestou a catolicidade da Igreja.

 

“Sociedade do Espírito”: assim Santo Agostinho chama a Igreja em um de seus sermões. Ma já antes dele, santo Irineu tinha formulado uma verdade que me agrada recordar: “Onde está a Igreja, aí esta o Espírito de Deus, e onde está o Espírito de Deus, lá está a Igreja e toda graça, e o Espírito é a verdade; e afastar-se da Igreja é rejeitar o Espírito.” E ,por isso, “excluir-se da vida”., A partir do evento de Pentecostes se manifesta plenamente esta união entre o Espírito de Cristo e o Corpo místico dele, a Igreja. Gostaria de fixar-me em um aspecto peculiar da ação do Espírito Santo, isto é sobre a ligação entre multiplicidade e unidade. Disto fala na segunda Leitura da missa de Pentecostes, tratando da harmonia dos diversos carismas na comunhão do mesmo Espírito. Mas já no relado dos Atos dos Apóstolos que escutamos na mesma liturgia, esta ligação se revela com extraordinária evidência. No evento de Pentecostes fica claro que à Igreja pertencem multíplas línguas e culturas diversas; na fé elas podem compreender-se e fecundar-se mutuamente. São Lucas quer claramente transmitir uma idéia fundamental, que no próprio ato do nascimento, a Igreja já é “católica”, unversal Ela fala deste o início todas as línguas, porque o Evangelho que lhe é confiado é destinado a todos os povos, segundo a vontade e o mandato de Cristo ressuscitado (cfr Mt 28,19), A Igreja que nasce em Pentecostes não é antes de tudo uma comunidade particular – a Igreja de Jerusalém – mas a Igreja universal, que fala línguas de todos os povos. Dela nascerão depois outras comunidades em todas as partes do mundo, Igrejas particulares que são todas e sempre atuação da única e só Igreja de Cristo. A Igreja católica não é, portanto, uma federação de Igrejas, mas uma única realidade: a prioridade ontológica diz respeito à Igreja universal. Uma comunidade que não fosse neste sentido católica não seria nem mesmo Igreja. A este respeito ocorre acrescentar um outro aspecto: o da visão teológica dos Apóstolos sobre o caminho da Igreja de Jerusalém a Roma. Entre os povo representados em Jerusalém no dia de Pentecostes, Lucas cita também os “estrangeiros de Roma” (At 2, 10). Naquele momento Roma estava ainda distante, era “estrangeira” para a Igreja Nascente: ela era símbolo do mundo pagão em geral. Mas a força do Espírito Santo guiará os passos das testemunhas “até os extremos confins da terra” (At 1,8), até Roma. O livro dos Atos dos Apóstolos termina exatamente quando São Paulo, através de um desígnio providencial, chega à capital do império e ali anuncia o Evangelho (cfr At 18, 30-31). Assim o caminho da Palavra de Deus, iniciado em Jerusalém, chega à sua meta, porque Roma representa o mundo inteiro e encarna por isso a idéia lucana da catolicidade, que é a continuidade do povo da eleição e lhe faz própria a história e a missão. A este ponto, e para concluir, o Evangelho de João nos oferece uma palavra, que se ajusta muito bem com o mistério da Igreja, criada pelo Espírito. A palavra saída por duas vezes da boca de Jesus ressuscitado, quando aparece no meio dos discípulos no cenáculo, na tarde da Páscoa: “Shalom – a paz esteja convoco!” (Jo 20,19.210. a expressão “shalom” não é uma simples saudação; é muito mais: é o dom da paz prometida (cfr Jo14,27) e conquistada por Jesus pelo preço do seu sangue.., é o  fruto da sua vitória na luta contra o espírito do mal. É portanto uma paz “não como a dá o mundo”, mas como só Deus  pode dá-la. Nesta festa do Espírito e da Igreja queremos dar graças a Deus por ter  dado a seu povo, escolhido e formado no meio de todos os povos, o bem inestimável da paz, da sua paz! Ao  mesmo tempo, renovamos a tomada de consciência da responsabilidade que a este dom está  conexa: responsabilidade da Igreja de ser constitucionalmente sinal e instrumento da paz de Deus para todos os povos. Prucurei fazer- e portador desta mensagem apresentado-me recentemente na sede da ONU para dirigir a minha palavra aos representantes dos povos. Mas não é somente nestes eventos “no cúpula” que se deve pensar A Igreja realiza o seui serviço à paz de Cristo sobretudo na ordinária presença e ação no meio dos homens, com a pregação do Evangelho e com os sinais de amor e de misericórdia que a acompanha (cfr Mc 16,20).

 

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