Há pouco tempo atrás, preparando a Romaria à Aparecida do Norte, aquela bonita caravana composta por mais de 1400 pessoas da nossa Diocese, fui interpelado se não seria fanatismo sair com tão grande número de pessoas para visitar uma Imagem (supostamente a imagem de Nossa Senhora Aparecida), porque missa poderíamos celebrar aqui mesmo, argumentou a pessoa.
Existem muitos fanatismos, inclusive quando negamos ao outro o direito de expressar sua fé, ou quando preconceituosamente o acusamos de fanático. Quem nunca foi à Aparecida, dependendo do por que, pode ser também um fanático.
Quem já teve a oportunidade de tomar contato com a Palavra de Deus, mais especificamente nos capítulos um e dois do Evangelho de Jesus, narrado por Lucas, percebeu quem é Maria. Gabriel, o anjo mensageiro do Senhor, diz: “encontraste graça diante de Deus”. Neste contexto é importante recordar que Maria, ao ouvir a mensagem da parte de Deus, logo foi servir sua prima Isabel, esta por sua vez ao vislumbrar as maravilhas ocorridas no ser de Maria, a chama “Cheia de graças”. E o que significa ser “cheia de graças”? É ser agraciada por Deus, graça de gerar maternalmente o Deus Filho, fato ocorrido, porque antes fora gerado no seu coração de Mãe.
Nós acreditamos no Deus de Maria, mais que em Maria de Deus. Foi assim que ela nos ensinou quando disse: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Percorrer os caminhos de Maria, nada mais é do que acompanhar a vida de Jesus. Ninguém, nenhum ser humano por mais capacitado ou propenso à santidade, percorreu de modo tão intenso e bonito os caminhos do Mestre, quanto sua Mãe. O cristão ao visitar os ambientes a ela dedicados, simplesmente está refazendo seu itinerário, que não levará a outro lugar a não ser a Deus. Maria não nos leva a lugares desconhecidos, ela nos encaminha ao coração do Filho e ao seio da Trindade.
Quem é devoto de Maria, certamente é um apaixonado por Cristo, é uma pessoa que ouve e guarda no coração os ensinamentos do Mestre, é alguém que, semelhante ela, é capaz de reconhecer, sem soberba, que “o Senhor olhou para a pequenez de sua serva e elevou os humildes”.
De modo nenhum podemos confundir romarias com fanatismos, ao contrário, fanatismo é ficar bitolado em frente da TV ouvindo e vendo programas que não acrescentam nada na nossa vida, muitas vezes até mesmo, nos puxam para baixo, para aquilo que temos de pior. Ao invés, Romarias, como esta que realizamos, levam-nos a olhar para Deus, através de uma criatura pura, que dedicou toda vida para realizar os planos do Senhor, que ouviu e praticou a Palavra de Salvação como nenhuma outra pessoa, exceto o Filho, que é a própria Palavra.
Tenho certeza que aquelas pessoas que foram à Romaria em Aparecida, voltaram esperançosas e com um coração mais acolhedor. No entanto, é importante frisar: alguns católicos têm que parar com esta mania, que não é católica, de achar que a Igreja quer trocar Maria por Jesus, não existe nada disso, Jesus está no centro e Maria não quer seu lugar, ela quer sim, que cada cristão descubra o Cristo. Só isso!
Além do mais, no caso da Romaria, não fomos visitar simplesmente uma imagem, fomos a lugares que recordam pessoas importantes para a fé cristã e, sobretudo católica. Visitamos a igreja de Santo Antônio Galvão, homem que dedicou sua vida a causa do Reino, em particular aos mais pobres, visitamos ainda a Comunidade Canção Nova, onde diuturnamente pessoas de todas as idades servem a Deus, acolhendo homens e mulheres e propagando o espírito de Jesus Ressuscitado e por fim, estivemos no Santuário Nacional de Aparecida, onde juntamente com mais 40 mil pessoas celebramos a Eucaristia, ápice da nossa fé.
Foram os testemunhos que ouvimos após a viagem que provam o quanto foi válida a Romaria. Todos foram unânimes em dizer que reavivaram sua fé e que sentem a necessidade de trabalhar ainda mais pela Igreja Diocesana.