PERTURBAÇÕES DAS SEITAS

Padre Inácio, OSBM
Vivemos em um mundo cheio de religiões, denominações seitas e heresias.
Há religiões de adeptos que promovem terrorismo e guerras, denominações que glorificam o pecado da divisão, seitas que perturbam a paz social, familiar, eclesial e causam escândalos, principalmente pelo cisma, e as heresias causam contendas no Corpo de Cristo.

 


Tudo isso cria uma confusão danada na cabeça das pessoas que não tem conhecimento bíblico e teológico.
Poucas décadas após a morte dos santos apóstolos, as divisões já se haviam acontecido na Igreja de Cristo. O historiador americano Will Durant escreve: “O próprio Celso (inimigo do cristianismo, do segundo século) havia sarcasticamente notado que os cristãos ‘se dividiam em muitas facções, cada um desejando ter a sua própria igreja”.
Por volta do ano 187, Santo Irineu de Lião (140 – 203), denunciava, vinte variedades de seitas. Já no ano 384, Santo Epifânio ( † 403), grande lutador contra as heresias, menciona oitenta seitas”.
Esse jamais foi o projeto de Jesus Cristo, e sim do diabo. Cristo trabalhou e orou para que todos sejam um (Jo 17, 21). O diabo trabalha para matar, roubar e destruir (Jo 10, 10).
O jornalista americano James A. Haught escreveu: “Apesar da crença universal de que a religião torna as pessoas ‘boas’, é obvio que ela faz com que algumas pessoas cometam atrocidades”. Esse é o papel da falsa religião, que tem como chefe superior o diabo.

LÍDERES PERNICIOSOS
São Pedro Apóstolo já tinha profetizado a corja de líderes falsos. “Houve, contudo, também falsos profetas no seio do povo, como haverá entre vós falsos mestres, os quais trarão heresias perniciosas, negando o Senhor que os resgatou e trazendo sobre si repentina destruição. Muitos seguirão as suas doutrinas dissolutas” (1 Pd 2, 1.2).
Na força do diabo tem de levantados líderes religiosos com poder político, financeiro e de comunicação eletrônica, promotores de doutrinas perniciosas, de escândalos sexuais, de cismas, de corrupção, de fausto e de luxúria.
Vejamos na reportagem a prática perniciosa desses líderes:
“A Vigilância Sanitária do município do Rio de Janeiro decidiu recolher uma amostra do suposto óleo sagrado que a na cura da ‘dengue’ e que está sendo distribuído durante os cultos de domingo na sede de uma denominação neopentecostal em Del Castilho. Além do óleo, oferecido em copinhos, panfletos divulgados pelo publicitário Antônio Pedro Tabet no site Kibeloco e reproduzidos no GLOBO convidam os fiéis para o culto e diz que eles receberão “um cálice com óleo santo, para que todos sejam livres desta epidemia” (1). Que Horror!”
O povo vive tremendamente, enganado e escravizado por esses líderes fraudulentos.
Cabe a cada cristão verdadeiro pregar urgentemente o Santo Evangelho Libertador de Cristo, que tem poder de libertar o ser humano desses perigosos apóstolos de Satanás. “Procurai convencer os hesitantes; a outros procurai salvar, arrancando-os do fogo; de outros ainda tende misericórdia, mas com temor, aborrecendo a própria veste manchada pela carne” (Judas vv. 22 e 33).
Dizia Santo Tomás de Aquino: “Levar os homens à verdade é o maior beneficio que se pode prestar aos outros”.
No Antigo Testamento, Deus deu a Lei ao seu povo para não cair nas garras da diabólica idolatria (Ex 20, 1-5). Porque por detrás dessa terrível prática, existiam líderes que lucravam com o comércio de ídolos e fazia desviar o povo do culto ao único e verdadeiro Deus.
No Novo Testamento, Cristo ensinou os apóstolos à guardarem seus mandamentos e pregar a Boa Nova sem fins lucrativos (Cf. Mt 10, 7-10).
Para a Igreja foi ensinado a ser fiel a doutrinas dos santos apóstolos (At 2, 42; 2 Tm 1, 12-14).
O diabo tem lutado terrivelmente nesses últimos dias contra os fieis cristãos para fazê-los quebrar a fidelidade da unidade da Santa Madre Igreja. Mas temos a promessa de Jesus Cristo: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).

FALTA AMOR EVANGÉLICO

O pregador da Casa Pontifícia, o erudito Padre Raniero Cantalamessa afirma em sua pregação sobre seitas:

1. O amor evangélico é o grande ausente das seitas.
2. São visionários fanáticos ou astutos aproveitadores que abusam da boa vontade e da ingenuidade das pessoas. Eu me refiro aos fundadores ou chefes de seitas religiosas que estão por ai.
3. As verdadeiras seitas são reconhecidas por algumas características. Antes de tudo, quanto ao conteúdo do seu credo, não compartilham pontos essenciais de fé cristã, como a divindade de Cristo e a Trindade; ou misturam com doutrinas cristãs elementos alheios incompatíveis com elas, como a reencarnação. Quanto aos métodos, são literalmente <>, no sentido de que tentam por todos os meios arrancar os fiéis da sua Igreja de origem torná-los adeptos da sua seita.
4. Geralmente são agressivos e polêmicos. Mais do que propor conteúdos próprios, passam o tempo acusando, polemizando contra a Igreja, Nossa Senhora e em geral tudo o que é católico. Estamos, com isso, nas antípodas do Evangelho de Jesus, que é amor doçura, respeito pela liberdade dos outros. O amor evangélico é o grande ausente das seitas.
5. Jesus nos deu um critério seguro de reconhecimento: << Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os reconhecereis>> (Mt 7, 15). E os frutos mais comuns da passagem das seitas são as famílias destruídas, fanatismo, expectativas apocalípticas do fim do mundo, regularmente desmentidas pelos fatos.
6. Existe outros tipos de seitas religiosas, nascidas do mundo cristão, em geral importadas do Oriente. Ao contrário das primeiras, não são agressivas; elas se apresentam com <>, pregando o amor por todos, pela natureza, pela busca do eu profundo. São formações freqüentemente sincretistas, ou seja, que agrupam elementos de diversas procedências religiosas, como no caso da Nova Era. O imenso prejuízo espiritual para quem se deixa convencer por esses novos messias é que perde Jesus Cristo e, com Ele, essa <> que Ele veio trazer.
7. Algumas dessas seitas são perigosas também no campo da saúde mental e da ordem pública. Os recorrentes casos de seqüestros e suicídios coletivos nos advertem até onde pode levar o fanatismo do chefe de uma seita.
Atentemos com muito respeito à exortação do Revmº Padre Cantalamessa, o Pregador do Papa: “Quando se fala de seitas, no entanto, devemos recitar também um <>. Com freqüência, as pessoas acabam em alguma seita pela necessidade de sentir o calor e o apoio humano de uma comunidade que não encontraram em sua paróquia.” (2).
CONCLUSÃO
Vivemos entre:
Ovelhas e lobos
Bons e ruins
Sadios e psicopatas
Santos e profanos
Salvos e perdidos
Crentes e incréus
Deus e o diabo
Igreja e seitas

O maior bem do sacerdote

O maior investimento que um sacerdote católico pode fazer em prol dos seus fiéis é deixá-los bem formados e informados sobre os perigos das seitas.

Ser católico verdadeiro

O católico que não é fiel a TRADIÇÃO da Santa Igreja Católica cai em TRAIÇÃO.
O católico que não se APROFUNDA na doutrina católica se AFUNDA em heresias.
O católico que vive criticando a Igreja e crendo em FANTASIAS é um forte candidato à APOSTASIA.
O católico que é relaxado nos SACRAMENTOS vive uma vida de TORMENTOS.
Quem não é um fiel SECRETÁRIO da fé católica é um verdadeiro SECTÁRIO.
Quem não ACEITA a unidade da verdade católica a SEITA a mentira dos cismáticos.
“Nossa maior ameaça “é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” (DA n.12)”.
No mundo em que vivemos, tomado pelo pluralismo religioso, pela cultura do engano sincretista e pelo relativismo, não há espaço para o católico, medíocre, ingênuo, superficial, boçal e irresponsável com as práticas do reino de Deus.
Pe. Inácio Jose do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Siderlândia-Volta Redonda-RJ
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
REFERÊNCIAS

(1) O Globo, 16/04/2008, p.19.

(2) ZENIT.org. – Roma, 11/04/2008.

Durant, Will. Caesar and Christ, NY, MJF Book, 1950.

Aquino, Felipe Rinaldo Queiroz de. Na Escola dos Santos Doutores, Lorena: Cléofas, 1196.

 

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