Pe. Inácio José do Vale,osbm
Um dos maiores pensadores da esquerda em atividades no mundo, com formação pela Universidade, o Masschusetts Institute of Technology (MIT), o americano Noam Chomsky diz: “Os Estados Unidos sempre estiveram fora do espectro de sociedades industriais na escala e na dedicação do fundamentalismo religioso”.
Fundamentalismo, fanatismo, intolerância e seitas fazem parte da história religiosa americana.
Em julho de 1956, o navio Swallow, de Barbados, no Caribe, ancorou em Boston, Massachusetts, no território que hoje pertence aos Estados Unidos da América. Richard Bellingham, vice-governador da colônia de Massachusetts, ordenou que as passageiras Mary Fisher e Ann Austin fossem detidas no navio. Entre seus pertencentes foram encontrados cem livros que supostamente continham “doutrinas deturpadas, heréticas e blasfêmias”.
Os livros foram queimados em praça pública. Depois, as mulheres foram presas, despidas e examinadas para ver se tinham marcas de bruxaria. A janela de sua cela foi tapada, de modo que por cinco semanas ficaram no escuro. Quem se atrevesse a falar com elas corria o risco de pagar uma multa de 5 libras. Finalmente, Mary Fisher e Ann Austin foram mandadas de volta pra Barbados.
Um cronista da época perguntou aos magistrados protestantes: “Por que a chegada duas mulheres vos assustou tanto, como se um terrível exército tivesse invadido vossas fronteiras?” Essas duas mulheres “perigosas” eram, na verdade, as primeiras missionárias quacres, ou a Sociedade dos Amigos, a chegar à América do Norte.
“A data tradicional para a origem da Sociedade dos Amigos é 1652″, diz o livro a Relligious History of the American People (História Religiosa do Povo dos Estados Unidos).
Os pregadores que não eram de Massachusetts e pregavam nessa cidade corriam risco de vida. Uma pregadora quacre chamada Mary Dyer foi expulsa três vezes pelas autoridades, mas as três vezes ela voltou e continuou a expor suas opiniões. Eles a enforcaram no dia 1º de junho de 1660, em Boston.
A Grande Vergonha
Por que a população Carcerária americana cresceu 500% desde 1975, com a existência de mais de 300 mil igrejas evangélicas nos Estados Unidos? Pergunta o pastor Wayne Cordeiro, que é consultor de igrejas nos Estados Unidos (2).
Somente nos Estados Unidos, até 1998, segundo os dados do pastor Dave Amstrong, somavam um total de 33.800 denominações protestantes (3).
Os Estados Unidos não só espalha o terror das armas pelo mundo, como a exportação das seitas com suas heresias da teologia da prosperidade, a onda do movimento dos falsos apóstolos e a famigerada Nova Era, com o seu novo engodo: O Segredo.
O maior escândalo no protestantismo é a divisão, a quebra da unidade, os cismas. Esta maldição causa dissabores na família e na sociedade. É uma grande vergonha para o cristianismo, devido à falta de caridade e de ética. Isso faz o respeito ser pisoteado e a moral cristã passar um grande vexame.
Foram essas atitudes anti-evangélicas que fizeram o notável pastor inglês e Príncipe dos Pregadores Charles H. Spurgeon, morrer fora de qualquer denominação protestante, porém, fiel a Jesus Cristo.
Dizia Spurgeon: “Se algo é certo, você tem de fazê-lo, embora venha a sofrer perdas. Se algo é errado, ainda que resulte em ganhos, você tem de rejeitar o pecado por amor ao seu Senhor” (4).
Já no caso do outro pastor inglês John H. Newman, intelectual de renome internacional, líder do Movimento Orxord, se converte ao catolicismo. Mas tarde, foi feito cardeal.
“Quem conhece bem o protestantismo não permanece nele”, afirmava Newman.
Unidade Católica
Diante de tantas religiões, denominações cristãs e seitas não é impossível encontrar a verdade da salvação eterna e a verdadeira religião que agrada ao verdadeiro Deus. Tenhamos por tenência a colossal explicação do Papa Leão XIII para confessarmos a verdadeira fé na Igreja: “Una, Santa, Católica e Apostólica”.
“Não será difícil – escreve Leão XIII – distinguir qual a religião verdadeira, desde que se exerça nessa procura um julgamento prudente e imparcial. De fato, através de numerosas e evidentes provas (argumentis enim permultis atque illustribus), tais como as profecias realizadas, o número extraordinário de milagres, a rápida difusão da Fé em meio de inimigos e obstáculos muito graves, o testemunho dos mártires, e outras provas semelhantes, ficou manifesto que a única verdadeira religião é aquela que o próprio Jesus Cristo fundou e confiou à sua Igreja, para que ela a conserve a difunda pelo mundo”. (Leão XIII, Immortale Dei, 01/11/1885).
Entre a Igreja de Cristo e a Igreja Católica, há uma unidade indissolúvel, substancial da qual não participam as “igrejas” heréticas e dos cismáticos, pois eles são o que são precisamente porque quiseram recusar os ensinamentos da Santa Madre Igreja e romper essa unidade: ” Non enim nos ab illis, sed illi a nobis recesserunt”, “Nós não nos separamos deles, eles é que se separaram de nós” (S. Cipr. De Unit. Eccel.).
Não há espaço para o fundamentalismo religioso, fanatismo, intolerância, sectarismo e quebra da unidade na rica Tradição Católica. Sua doutrina é límpida, indissolúvel, indefectível. O Patrimônio da Fé é protegido e guiado pelo Espírito Santo na pureza da Igreja. A Igreja pode errar? A resposta é categórica, claro que não! Os erros e exageros são cometidos pelos filhos pecadores da Igreja. Esta é o corpo Santo, cuja cabeça é Santo: Jesus Cristo. São Cipriano de Cartago afirmava: “A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta”.
Nada pode contaminar a santíssima fé católica e ninguém consegue colocar corpo estranho no seu depósito. É impossível alguém macular esse dom celestial.
Afirmava o Papa Bento XV: “A Fé Católica é de tal índole e natureza, que não se pode acrescenta-lhe nem tirar-lhe nada: ou se professa por inteiro, ou se recusa por inteiro [...]. Não há, pois, necessidade de adicionar qualificativos para significar a profissão católica; basta a cada um esta profissão: Cristão é meu nome, Católico, meu sobrenome (Paciano, Epist 1,4): procure somente ser de fato aquilo que se diz” (Ad Beatissimi Apostolorum Principis).
Conclusão
O Divino Espírito Santo, que assiste contínua e ininterruptamente a Igreja de Cristo, faz o seu trabalho de isentar a esposa do Cordeiro Imaculado de qualquer erro. Dele temos a garantia apostólica, isto é, o Depósito da Fé.
A Igreja recebe a assistência do Espírito Santo para pregar incorruptível a Fé Católica – Universal e não sectária, a Revelação e não ilusão, a Verdade e não a heresia, a Unidade e não o cisma, a Hierarquia e não a anarquia.
Ensina o Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino: “Se se considera a Providência divina que dirige sua Igreja pelo Espírito Santo para que ela não erre, como ele mesmo prometeu em João 14.26, que o Espírito quando viesse ensinaria toda a verdade, que dizer, com relação às coisas necessárias à salvação, é certo ser impossível que o julgamento da Igreja Universal erre sobre as coisas que dizem respeito à fé” (Quod. IX, q. 8,a.1).
Essa é a nossa santíssima fé na Santa Igreja Católica, guiada e iluminada na porção dobrada do poder do Espírito Santo.
Só há único mediador Jesus Cristo, um único Espírito Santo, uma só fé, um só batismo, um só Deus para uma única Igreja indivisa.
A Igreja Católica de Cristo nasceu no coração de Deus e na terra em Jerusalém, as seitas dos homens não param de nascer nos Estados Unidos e mundo afora.
Pe. Inácio José do Vale,osbm
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
e-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
Referências e Bibliografia:
(1) O Globo – Especial, 27/01/2008, p.9.
(2) Cordeiro, Wayne. Faça de sua igreja uma equipe, Rio de Janeiro: Danprewan, 2002, p.15.
(3) Pergunte e Responderemos, Nº 528/2006, p.16.
(4) Fé Para Hoje, Nº 30 / 2007, p.30.
Cairns, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja Cristã, São Paulo: Vida Nova, 1995.
Niebuhr, H.R. As origens sociais das denominações cristãs, São Paulo: ASTE, 1992.