Dom Sérgio Aparecido Colombo
Bispo Diocesano de Paranavai/PR
“Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos”(Sl 117/118, 24).
Irmãos e Irmãs!
Ao aproximar-se a celebração do Tríduo Pascal – Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, somos convidados a mergulhar na experiência de Jesus, que assumindo nossa vida e a de toda a humanidade, alimenta a esperança como caminho para a superação de todas as injustiças e estruturas geradoras de morte. Esperança não para o futuro, mas para o hoje da história, no acontecimento do Mistério Pascal, com Jesus morrendo e ressuscitando nas situações concretas do povo sofredor: sem trabalho, sem casa, sem terra, sem saúde, sem ninguém que defenda seus justos direitos, machucado e vítima das mentiras por parte daqueles que deveriam defendê-lo. Passado e presente interpelando-nos para que passemos de situações de não vida (morte), para a vida.
O Tríduo Pascal que celebraremos, não é um olhar de consternação para os últimos dias da vida de Jesus, uma simples recordação de fatos passados, mas a concretização de todo o dinamismo de sua vida pelo do Reino da vida, levado às últimas conseqüências. Ele, que “amou até o fim”(cf. Jo13,1), compromete-nos como discípulos e missionários, a que façamos como Ele fez. “Eu lhes dei o exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz”(cf. Jo13,15). É verdadeiro discípulo de Jesus quem entrega sua vida, com despojamento, numa atitude contínua de serviçalidade ao próximo. Esse é o critério que deve determinar todas as relações: o SERVIÇO.
A Campanha da Fraternidade com o lema “Escolhe, pois, a vida”(cf.Dt30,19), pode ser sintetizada no acolhimento e no serviço à vida, desde sua concepção até o seu fim natural. O Documento de Aparecida lembra que, “Durante sua vida e com sua morte na cruz, Jesus permanece fiel ao seu Pai e à sua vontade (cf. Lc 22,42). Durante o ministério dele, os discípulos não foram capazes de compreender que, o sentido de sua vida selava o sentido de sua morte. Muito menos podiam compreender que, segundo o desígnio do Pai, a morte do Filho era fonte de vida fecunda para todos (cf. Jo12,23-24). O Mistério Pascal de Jesus é o ato de obediência e amor ao Pai e de entrega por todos os seus irmãos. Com esse ato, o Messias doa plenamente aquela vida que oferecia nos caminhos e aldeias da Palestina. Por seu sacrifício voluntário, o Cordeiro de Deus oferece sua vida nas mãos do Pai (cf. Lc23,46), que o faz salvação “para nós” (cf.1Cor1,30). Pelo Mistério Pascal, o Pai sela a nova aliança e gera um novo povo que tem por fundamento seu amor gratuito de Pai que salva” (Documento de Aparecida – DA, nº 143).
Deus está sempre passando e libertando. Depende de nós, de nossas comunidades, grupos, movimentos, organizações da sociedade, fazer com que a Páscoa seja a afirmação da vida que vence a morte. Nós, cristãos que, celebramos a Eucaristia para formar com Cristo e em Cristo um só corpo e um só espírito, devemos dar o exemplo. Estamos dispostos a prolongar a experiência de Jesus, como salvação para toda a humanidade.