Liturgia e Vida

D. Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

O tempo da Quaresma é um tempo importante para todos nós católicos, quando a oportunidade de renovar nossas vidas se abriu na Quarta-feira de Cinzas, e durante os 40 dias a liturgia e as várias atitudes suscitadas durante o ano não podem passar sem que aprofundemos a nossa fé e, principalmente, que nos renovemos na vida crista!


A Semana Santa está chegando, e com ela muitas atividades litúrgicas e também devocionais e tradicionais se unem para nos ajudar a concluir a Quaresma com a disposição de vivermos melhor o nosso batismo.

A sociedade e as atividades das cidades continuam com a rapidez dos tempos e, por isso, podemos perder este tempo precioso deixando-o passar em vão.
A liturgia diária, e, em especial, a dos domingos da Quaresma, são para nós oportunidades preciosas para que aproveitemos de tudo a que os textos nos remetem: conversão, mudança de vida e ânimo novo em nossa vida de discípulos missionários. Sim, porque a mudança de vida deve nos levar a viver muito melhor o nosso discipulado na amizade com o Cristo Senhor e Salvador de nossas vidas, testemunhando-O com muita alegria e entusiasmo renovado na missão de proclamar ao mundo a grande notícia esperada e desejada por todos – a salvação em Cristo Jesus, nosso Senhor!
Na Semana Santa temos as celebrações litúrgicas, às quais a Igreja nos convida a participar com muita abertura de coração e com a consciência da oportunidade que anualmente nos é dada.
O Domingo de Ramos, com a celebração da Procissão de Ramos e a Leitura da Paixão, abrem a semana maior para que tomemos consciência de nossa missão de proclamar a fé, como nos recordam os ramos aclamando o Cristo como Senhor, assim como a escuta da leitura da Paixão, que nos atualiza esses momentos salvíficos de nossa história com a presença de Deus entre nós, dando-nos a Sua vida para que todos nós tenhamos vida e vida em abundância.
As leituras sobre o “servo sofredor”, em Isaias, e os acontecimentos que precedem a Paixão marcam a segunda, a terça e a quarta-feira santas.
Na quinta feira santa temos duas celebrações litúrgicas. Na manhã desse dia a missa que acontece nas catedrais (conforme a Diocese essa data pode mudar), com a bênção dos óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e a consagração do óleo do crisma. Nessa mesma ocasião os presbíteros (e agora em nossa Arquidiocese também os diáconos) renovam a sua consagração, os seus compromissos. À tarde ou noite da quinta-feira santa começa o Tríduo Pascal! É a Páscoa vivida em três momentos, iniciando com a instituição da Eucaristia, tornando presente esse grande mistério da presença de Jesus Cristo conosco na forma do Pão e do Vinho. Nessa mesma celebração, o Lava-pés nos recorda a humildade e disponibilidade de Cristo em servir, quando lava os pés dos discípulos, mostrando que temos que estar sempre disponíveis para servirmo-nos uns aos outros. A oração diante do Santíssimo Sacramento, que é conservada para a comunhão na celebração do dia seguinte, convida-nos a rezar agradecidos por esse grande mistério.
Na Sexta-feira Santa e no sábado não temos celebrações de missas. Na tarde da Sexta-feira Santa os católicos se reúnem para escutar a Leitura da Paixão de Cristo, quando, na grande oração dos fiéis, devem rezar por todas as realidades pelas quais Ele morreu, beijar a cruz, sinal do local onde Cristo deu a vida por nós, e receber a Eucaristia, conservada da celebração do dia anterior. Dia de silêncio, oração, jejum, abstinência – “o esposo nos foi tirado”!
Sábado Santo é dia de grande silêncio e meditação! A única celebração começa com a Grande Vigília Pascal dessa noite, que deverá nos levar à meditação da história da nossa salvação, passando pelo sinal da luz que brilha no meio da escuridão e que nos é sinalizada no Círio Pascal, que permanecerá aceso durante todo o tempo pascal e também durante as celebrações dos batismos. É uma noite batismal, e onde não houver batizado a renovação das promessas batismais deve ocupar um grande momento na liturgia, pois caminhamos durante 40 dias para renovar os nossos compromissos batismais, e isso não pode ser um ato formal, mas deve ser algo que brota de uma vida que realmente deu passos de conversão durante a Quaresma. A vigília se encerra com a Eucaristia solene quando voltamos a cantar a Aleluia e o Glória solenemente. Reaprendemos mais uma vez a viver o grande Mistério de nossa salvação, que iremos depois viver a cada Missa. Nelas, o tríduo pascal é atualizado: a ceia pascal, que Cristo partilha com os seus discípulos, o mistério da cruz, quando dá a vida por nós, e sua presença ressuscitado entre nós, enviando-nos novamente a viver com entusiasmo a nossa missão de seus apóstolos e evangelizadores.
Com o Domingo de Páscoa começa a oitava da páscoa e os 50 dias do tempo pascal, que irão nos ajudar a aprofundar a alegria da presença de Cristo Ressuscitado em nossa história!
Junto com as celebrações litúrgicas temos também as concorridas celebrações tradicionais e devocionais que fazem parte de nossa herança ibérica, como as representações da paixão de Cristo, o sermão das sete palavras, procissões do encontro, do enterro que nos ajudam a uma profunda reflexão sobre esse mistério que marcou a vida e a história da humanidade.
Além disso, a recomendação da Igreja para que façamos uma boa confissão, celebremos a via sacra, façamos jejum e abstinência quer nos ajudar a entrar ainda mais nesse mistério. Tudo isso, é claro, depende muito de cada um de nós e como aproveitamos desse tempo para crescer na fé.
Fazer Páscoa é viver esse mistério, e renovados e com o Cristo Ressuscitado presente em nossas vidas, recolocarmo-nos a caminho, procurando ajudar esse mundo a encontrar o seu destino e suas bases através de nosso testemunho e nossa missão.
É tempo de nos renovarmos, é tempo de voltar a enamorarmo-nos do Cristo Senhor ou aprofundar ainda mais nossa vida batismal! É tempo de recomeçar com renovado entusiasmo a nossa vida cristã, que é um dom que o Senhor nos concedeu!
Tentações para fugir desses momentos, incompreensões sobre o sentido das celebrações, cansaços pelas celebrações mais longas irão acontecer, e principalmente, o aproveitar para os divertimentos do feriado prolongado. Cabe a nós escolhermos sempre o caminho da vida, como nos recorda muito bem o lema da Campanha da Fraternidade, para que vivamos nós e nossas famílias! Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação!

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por Católicos na Rede Postado em Liturgia

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