Pe. José Antônio de Oliveira- Arquidiocese de Mariana/MG
O povo de Deus estava saindo de uma realidade de escravidão e exploração vivida no Egito. Depois de uma penosa caminhada pelo deserto, vislumbrava a conquista da terra prometida. Uma nova vida estava para começar. Seria uma longa construção.
Já cansado e debilitado pelo peso dos anos e da luta, sabendo que não conseguiria alcançar aquele sonho acalentado por anos e anos, Moisés comunica ao povo uma última e decisiva palavra; não sua, mas do próprio Deus Javé: “Eis que coloco diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade, a bênção ou a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas tu e a tua descendência” (Dt 30,15-19).
Da escolha feita, não com palavras, mas com atitudes, iria depender o futuro e a felicidade daquele povo, chamado a ser uma grande nação, uma gente feliz. Como fizera outras vezes ao longo da caminhada, o povo tem a oportunidade de discernir e fazer a sua opção. É interessante que Deus nunca impõe qualquer coisa. Ele simplesmente propõe. É o que se vê também no início do livro dos salmos: uma proposta de escolha entre dois caminhos. É ainda o que vamos perceber no próprio Jesus Cristo: “Quem quiser me seguir…” (Mt 16,24); “se queres ser perfeito…” (Mt 19,21).
A nossa vida é mesmo feita de escolhas. E são elas que vão ditando os rumos e construindo nossa existência. “Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você”, diz Steve Beckman. E isso acontece no âmbito pessoal, familiar, comunitário e social. Escolhas bem feitas geram vida, alegria, paz, realização; mal feitas podem trazer resultados amargos. Prova disso são as conseqüências que já podemos experimentar do capitalismo selvagem, da exploração desordenada da natureza e outras.
A Campanha da Fraternidade 2008 chega em muito boa hora, com um tema que nos convida a aprofundar essas questões, chama a atenção para uma cultura de morte que vai se alastrando, e nos recorda a proposta de Deus: “Escolhe, pois a vida!”
Fazer a opção pelo consumo, pelo lucro, pela exploração é um risco muito alto para nós e para os que virão depois. O que seria, então, escolher a vida? De que maneira poderemos, pessoal e comunitariamente, optar pela vida?
Quero pedir licença para partilhar com vocês um poema que escrevi, inspirado na Campanha da Fraternidade, e que recebeu uma bela melodia do compositor Paulo Félix, grande músico de Matipó. O poema nos ajuda a refletir.
Eu te confio a natureza, os teus irmãos, os animais. Respeita e ama essa riqueza: ACOLHE a vida e viverás!
Se minha Lei for tua lei, da vida sempre cuidarás. Bem junto a ti caminharei: DEFENDE a vida e viverás!
A fé sem obra é sem sentido; o amor em gesto e dom se faz. Sê solidário, irmão, amigo: PROTEGE a vida e viverás!
Ganância, luxo e ambição não te farão feliz, jamais! Fraternidade é tua missão: REPARTE a vida e viverás!
Há tanta vida abortada; violência e ódio sem iguais. Miséria e fome matam tantos: ESCOLHE a vida e viverás!
Um outro mundo é, sim, possível – e já são tantos os sinais. Sem exclusão, sem preconceito: PROMOVE a vida e viverás!
Espero que as paróquias e comunidades saibam aproveitar essa grande oportunidade da Campanha para uma séria reflexão sobre o tema. E que a reflexão nos leve a ações e atitudes bem concretas de defesa e promoção da vida.
Ponho, então à tua frente dois caminhos diferentes: vida e morte. Escolherás. Sê sensato(a), escolhe a vida! Parte o pão, cura as feridas! Sê fraterno(a) e viverás.
12, Fevereiro, 2008 às 11:03 am |
Ainda hoje esse povo continua a sair do “Egito”… da escravidão. Escravidão das drogas, das coisas que nos prendem, dos falsos profetas, dos líderes políticos absolutos, líderes de comunidade cristãs. Muitos deles autoritários e arbritários.