Dom Roberto Gomes Guimarães
( Bispo Diocesano de Campos)
No plano divino, a criatura humana é destinada a um estado de permanente alegria. Já o salmo nos adverte: ” Servi ao Senhor na alegria” ( Sl 99,2). Realmente, a alegria proporciona uma saudável disposição para a pessoa, até mesmo no aspecto físico. Um coração alegre favorece as funções hepáticas, e, conforme o dito popular, a alegria “desopila o fígado”.
A vida humana transcorre em constante relacionamento entre pessoas, e, quando existe o clima de alegria, o próprio trabalho se torna mais agradável e frutuoso. O nosso próprio psiquismo, como se beneficia com o cultivo da alegria! Nossa auto-estima cria raízes mais estáveis, e aprendemos a encarar as circunstâncias da vida com muito mais otimismo, mesmo perante os obstáculos.
Encontramo-nos nos dias de carnaval, e, se uma avaliação se fizer, com autênticos critérios, logo se conclui de suas falsas alegrias. Com efeito, a alegria verdadeira jamais se caracterizaria apenas em dissipação ruidosa, estressante, em meio a sons excessivos, na busca de satisfações momentâneas, e sem qualquer senso de moderação. A alegria verdadeira nunca trará a ” ressaca” como conseqüência , pois o seu efeito é repousante e propenso a se tornar permanente.
Se a alegria resulta da posse do bem desejado, evidentemente o coração humano não pode sentir-se realizado totalmente, apenas com a posse de valores terrenos e transitórios. Mais uma vez devemos considerar o pensamento do grande gênio do cristianismo: ” Senhor, Vós nos criastes para Vós, e nosso coração está inquieto, enquanto não repousa em Vós”.
A alegria humana deve reger-se pelos princípios da razão, segundo os quais só mesmo o bem eterno e infinito é capaz de preencher os anseios do coração, sempre sedento de alegria. Jesus, no belíssimo Sermão da Montanha, nos deixou o código perfeito para se alcançar a alegria plena e que se fundamenta na inabalável esperança do gozo celestial: ” Alegrai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos Céus”.
Na carta aos Gálatas, o apóstolo São Paulo inclui, entre os dons do Divino Espírito Santo, a ” alegria e a paz”, a nos fazer compreender que a verdadeira alegria só obtemos com a súplica da ajuda amorosa de Deus.
Não se vivencia a fé a não ser na mais intensa alegria e que nos leva a repetir com a Mãe Santíssima de Jesus: ” Meu espírito se alegrou, em Deus meu Salvador”. ( Lc 1, 47)