A Igreja Católica – única Igreja de Cristo

Dom Sérgio Aparecido Colombo
Bispo Diocesano de Paranavaí

Irmãos e Irmãs!
Assim lemos no início do Evangelho de Marcos: “Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia, proclamando a Boa Nova de Deus: Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Nova”(Mc1,14-15). Apresenta-se aí a chave de compreensão de toda a atividade de Jesus: Completou-se o tempo e não há mais o que esperar, Ele é a Boa Notícia de Deus, capaz de transformar, pelo amor, todas as estruturas injustas que oprimem e matam as pessoas.

 A partir da visão marcada pela compaixão, que Jesus tem da realidade, algo novo começa a acontecer ou seja: as pessoas vão se juntando ao redor D’Ele, ávidas por uma mudança radical na orientação de suas vidas. São os pobres e explorados, pelo sistema político / social / religioso, pessoas ligadas ao poder e que se deixam questionar por Ele, trabalhadores, camponeses, mulheres, crianças e doentes. Com eles, Jesus começa formar uma nova comunidade, de discípulos e discípulas que farão a experiência do Reino de Deus no compromisso com a justiça e a solidariedade.

Se o agir de Jesus e de seus discípulos orientam-se para a concretização do Reino de Deus, como compreender então a Igreja? Ela nascerá do fato de Jesus em seu ministério, reunir pessoas para fazer a experiência do Reino. Aí, o significado do que será a Igreja: Reunião, Convocação, Assembléia. Sua Missão será conduzir as pessoas a Jesus, para o encontro pessoal com Ele, fazendo com que se tornem discípulas e missionárias. Na perspectiva da missão, dentre os discípulos, Jesus vai escolher os Apóstolos; eles continuarão sua prática, testemunhando o Reino e “fazendo com que todos os povos se tornem discípulos”(Mt 28,19).

Como enunciamos no título acima, a única Igreja de Cristo é Católica.

Vamos compreender o sentido da palavra Católico. “No sentido descritivo significa – universal: a comunhão de todas as Igrejas entre si; no sentido qualitativo significa – aquilo que se destina a todos: a salvação da qual a Igreja é o significante consciente e organizado é oferecida a todo mundo. A Igreja é enviada a todos os povos; no sentido geográfico – a Igreja se encontra presente em todo o mundo; no sentido polêmico – significa verdadeiro e ortodoxo. A Igreja é católica porque acolhe a totalidade da verdade evangélica, em comunhão com as outras Igrejas locais; no sentido antropológico – significa, totalizador, plenificador. A Igreja se torna católica, universal na medida em que assume as causas universais do nosso tempo: ‘as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo’( Vaticano II – Gaudium et Spes, nº1). Sua Catolicidade e Universalidade contemplam hoje, mais que em outras épocas, um processo de abertura e diálogo com irmãos e irmãs de outras Comunidades Cristãs como também de outras religiões com vistas à unidade em Jesus Cristo”(A fé na periferia do mundo, Leonardo Boff, p.76-78).

Não podemos esquecer que nossa Igreja é Apostólica ou seja: ela prolonga na história o envio dos primeiros doze apóstolos. Eles foram testemunhas oculares da prática de Jesus de Nazaré e foram também constituídos por Ele como sustentadores e continuadores da mesma, responsáveis pela organização, direção e unidade das Comunidades. Assim compreendemos o gesto de Jesus, de edificar a Igreja sobre a fé de Pedro e dos demais apóstolos, guardiões da comunhão com Ele e seu Projeto Redentor. Pedro, constituído como o primeiro dentre os Apóstolos, não no privilégio mas no serviço, ontem como hoje, vai à frente, animando, encorajando, edificando e confirmando os irmãos na fé (Lc 22, 32), apresentando o Evangelho não como uma opção entre outras, mas, como fundamento insubstituível para o sentido da vida hoje e seu destino de eternidade, num tempo, marcado por incertezas e buscas. “Pois vai chegar o tempo em que não se suportará mais a doutrina: pelo contrário, como a comichão de ouvir alguma coisa, os homens se rodearão de mestres a seu bel-prazer. Desviarão seus ouvidos da verdade e os orientarão para as fábulas” (2Tm 4, 3-4).

No dia 29 de junho p.p., Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, a Congregação para a Doutrina da Fé, tendo á frente o Cardeal Prefeito Willian Levada, sob a autoridade do Papa Bento XV, confirmou alguns aspectos da Doutrina sobre a Igreja afirmando que “Cristo constituiu sobre a terra uma única Igreja e institui-a como grupo visível e comunidade espiritual, que desde sua origem e no curso da história sempre existe e existirá, e na qual só permanecem e permanecerão todos os elementos por Ele instituídos. Esta é a única Igreja de Cristo, que no símbolo professamos (Credo) como sendo una, santa, católica e apostólica. Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com Ele”. Subsistir na Igreja Católica, significa perene continuidade histórica e a permanência de todos os elementos instituídos por Cristo na Igreja Católica na qual concretamente se encontra a Igreja de Cristo sobre a Terra. “Nas Igrejas e comunidades eclesiais que ainda não estão em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade nelas existentes”.

Desde sua instituição até hoje, a Igreja nada perdeu dos elementos por Cristo instituidos: a Constituição dos doze Apóstolos, o Sacramento da Ordem, o Mistério da Eucaristia… Assim podemos falar da plena identidade Dele com a Igreja Católica. As Igrejas e comunidades, que não contemplam a Sucessão Apostólica estão privadas destes e de outros elementos constitutivos da Igreja. Preservada a sua identidade Católica, que na compreensão de Santo Inácio de Antioquia, desde o séc. I designa a universalidade dos fiéis, a Igreja prossegue o caminho e dá passos significativos rumo ao diálogo inter-religioso e ao movimento ecumênico, com base na verdade, no respeito mútuo e não em perigosas concessões.

Hoje, olhamos com reverência e manifestamos obediência ao Papa Bento XVI, sucessor do Apóstolo Pedro, e a toda a nossa Igreja, na certeza de que o Espírito de Deus nos precede na missão. Ele continua a preparar o caminho para a unidade das Igrejas: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à VERDADE PLENA” (Jo16,13). Na sua força não desfaleceremos e em virtude da sua ação em nós, nos tornaremos servidores e promotores do seu Reino, de vida e de esperança para todos. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”(Mt 28,20).
 

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