Dia 1º. de janeiro celebramos a festa da Mãe de Deus e o Dia Mundial da Paz. Como todos os anos, o Papa
na sua mensagem oferece a toda a humanidade uma reflexão recordando algumas bases para a construção da paz. Este ano, Bento XVI escolheu a “Família humana” ou seja a comunhão entre um homem e uma mulher cultivada no amor desinteressado gerando vida e relacionamentos solidários. A Família humana constitui o “Lugar privilegiado da humanização da pessoa e da sociedade, berço da vida e do amor. Por isso, a família é justamente designada como a primeira sociedade natural, uma instituição divina colocada como fundamento da vida das pessoas, como protótipo do ordenamento social”.
Numa vida de família “sã”, diz o Papa, encontramos alguns elementos fundamentais para a paz: “A justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função da autoridade dos pais, o serviço carinhoso aos mais fracos, idosos e doentes, a mútua ajuda nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e se necessário, perdoar-lhe. Por isso, a família é a primeira e insubstituível educadora para a paz. Devido a isso, a comunidade humana não pode prescindir do serviço que a família realiza”. O Papa continua dizendo que a linguagem familiar usa um vocabulário de paz. “Na inflação das linguagens, a sociedade não pode perder a referência àquela “gramática” que cada criança aprende dos gestos e olhares da mãe e do pai, antes mesmo das suas palavras”.
“Deste modo quem, mesmo inconscientemente, combate o instituto familiar, debilita a paz na comunidade inteira, nacional e internacional, porque enfraquece aquela que é efetivamente a principal “agência” de paz. Tudo o que contribui para enfraquecer a família fundada sobre o matrimônio de um homem e de uma mulher, aquilo que direta ou indiretamente refreia a sua abertura ao acolhimento de uma nova vida o que dificulta o seu direito de ser a primeira responsável pela educação dos filhos, constitui um impedimento objetivo no caminho da paz”. Bento XVI recorda que as necessidades básicas da família devem ser garantidas pela sociedade e pela política, caso contrário, deixam de prestar um serviço essencial para a paz.
O Papa recorda também em sua mensagem que a humanidade é uma grande família. “Para prosperar a comunidade familiar tem necessidade do consenso generoso de todos os seus membros. É preciso que esta consciência se torne convicção partilhada também por quantos são chamados a formar a família humana comum. Não vivemos uns ao lado dos outros por acaso, estamos percorrendo um caminho como irmãos e irmãs. Desta forma, é essencial que cada um se empenhe por viver a própria vida em atitude de responsabilidade diante de Deus, reconhecendo Nele a fonte originária da existência própria e alheia”
“A família precisa de uma casa, de um ambiente, e no caso da família humana , esta casa é a terra, o ambiente que Deus criador nos deu para que habitássemos com criatividade e responsabilidade. Respeitar o ambiente não significa considerar a natureza material ou animal mais importante do que o homem…Não se hão de esquecer os pobres, em muitos casos excluídos do destino universal dos bens da criação”. O Papa lembra que a economia e a moral são exigências fundamentais para a paz nas famílias e na humanidade. “A humanidade não está sem leis”.
O Papa conclui a sua mensagem dizendo: “Convido a todo homem e a toda mulher a tomarem consciência mais lúcida da sua pertença comum à única família humana e a empenharem-se por que a convivência sobre a terra espelhe cada vez mais esta convicção da qual depende a instauração de uma paz verdadeira e duradoura”. Em seguida Bento XVI convida a “implorar de Deus o grande dom da paz. Os cristãos sabem que podem confiar-se à intercessão daquela que sendo a Mãe do Filho Deus encarnado para salvação da humanidade inteira, é Mãe de todos”.
Desejo a todos um Ano Novo Feliz!