Dom Estevão Bettencourt, OSB
Em síntese: As seitas vêm-se multiplicando no mundo contemporâneo. Suscitam certa confusão pela
maneira convicta como se apresentam, dando a entender que são as portadoras exclusivas de salvação para a humanidade. Muitos indagam como caracterizar uma seita e diferenciá-Ia da Igreja ou de uma comunidade eclesial. Tais características podem ser compreendidas sob dois títulos:
1) absoluto autoritarismo do líder e de sua mensagem e
2) total submissão do membro da seita, porque fora dela, dizem, só há perdição e unicamente na seita se encontra salvação. – Tal estado de coisas decorre do senso religioso inato em todo homem, que é profundo, mas, no caso, se acha desligado da razão, dando origem a uma mística cega e fanática.
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Têm-se multiplicado grupos religiosos em nossos ambientes civis, proferindo sua mensagem, “portadora exclusiva de salvação”. Donde a pergunta: como reconhecer esses grupos, que são chamados seitas? Como distingui-Ios da Igreja ou de uma comunidade eclesial? – É a estas perguntas que as páginas seguintes procurarão atender.
1. Características
Examinaremos ó comportamento típico do líder e a correspondente atitude do discípulo da seita.
1.1. Da parte do líder
1) Há um pano de fundo decisivo na origem de uma seita, a saber: o mundo vai mal, está entregue a Satanás; terríveis ameaças pesam sobre a humanidade em castigo de suas faltas. Nenhum dos remédios convencionais é capaz de salvar os homens; estes estão decepcionados frente aos tradicionais recursos de reerguimento.
2) Tal pano de fundo propicia o surto de um homem ou de uma mulher tido(a) como carismático(a), que deve ter recebido do Além a mensagem salvífica para que a comunique aos homens, fazendo pressão para que a abracem e se convertam ao Regulamento da seita chefiada por tal líder.
3) O líder goza de autoridade incontestável. Nada e ninguém se lhe pode opor. Não há apelação contra as suas decisões. Ele(a) tem sempre a última palavra.
4) O líder pode ser tido como novo messias enviado pelos Céus e convicto de ter recebido uma missão a ser desempenhada com o máximo ardor.
5) Os princípios doutrinários e as diretrizes éticas da seita podem estar codificados num livro básico, paralelo à Bíblia dos cristãos e ao Corão dos muçulmanos.
1.2. Da parte do(a) discípulo(a)
1) A mensagem terrificante é apregoada com ênfase e calor ao grande público e atinge principalmente os muitos deserdados da sorte em nossos dias; há muitos jovens rejeitados pelos genitores, ou mal sucedidos nos estudos, no trabalho, no namoro… Há também muitos adultos que fracassaram em seu casamento e vivem sós ou numa situação indefinida, sem rumo claro, por vezes morando dia e noite na rua ou ainda entregando-se às drogas e aos vícios. Muitos homens e mulheres se deslocaram do seu torrão natal para conseguir nível de vida mais elevado num imaginário Eldorado, que os deixa frustrados ou mesmo despojados de seus valores materiais e morais… Tais pessoas são facilmente impressionadas pelas promessas de vida feliz e até de salvação definitiva provenientes dos arautos das seitas.
2) Caso dêem sua adesão a um desses grupos, tornam-se discípulos totalmente submissos ao Mestre, cuja doutrinação é capaz de “Ihes lavar o crânio”.
3) São exortados a esquecer familiares e amigos e não mais os procurar a fim de melhor se entregarem às exigências do seu novo reduto.
4) Sofrem rigoroso controle não só no tocante à vida comunitária e às suas normas, mas também no que concerne a sua vida pessoal (modo de se vestir, de se alimentar ou até mesmo de tomar banho… ).
5) São exortados a confessar suas faltas passadas perante a assembléia do grupo, a fim de que eles tomem consciência de estar vivendo uma vida nova.
6) O discípulo da seita se sujeita, a tais vexames, pois está cansado de recorrer aos meios convencionais e ao espírito crítico; já que não conseguiu o desejado bem-estar pelos caminhos da lógica; tenta as modalidades da seita na expectativa de uma solução “carismática”. Não raro é obrigado a seguir um horário de doutrinação e trabalho que o extenua e lhe apaga sempre mais a auto-afirmação e o espírito crítico.
7) Quem pretende abandonar ou abandona a seita, é sujeito a maldição, pois perde o único recurso de salvação neste mundo em que o mal ou o Maligno anda solto.
8) É severamente obrigatório o sigilo a respeito do que acontece dentro da seita.
Em suma, estas características não ocorrem todas ou, ao menos, não ocorrem com igual densidade em cada grupo sectário. Mas é certo que elas definem as linhas-mestras que estruturam o mundo das seitas.
Pergunta-se agora:
2. Por que tanto proliferam as seitas?
Resumiremos as múltiplas causas sob três títulos. 2.1. Um mundo que não inspira mais confiança
É chavão dizer que o mundo não vai bem: a pobreza ou mesmo a miséria, a fome, as doenças, as discórdias e guerras levam a descrer dos valores convencionais. Parece ter fracassado o modo de pensar e viver vigente até o século XX. Este, marcado por duas guerras mundiais e a morte trágica de milhões de pessoas, deixou muitos cidadãos frustrados e céticos frente à civilização ocidental. Daí o recurso pronto às novas correntes de pensamento e conduta, principalmente quando apresentadas como reveladas por extraterrestres ou por espíritos “desencarnados”. As seitas aparecem então como a única tábua de salvação, conforme aliás apregoam os seus arautos.
2.2. O senso religioso inato
A fácil penetração das seitas é favorecida pelo profundo senso religioso existente em todo homem; por vezes essa religiosidade natural fica latente, encoberta por um clima de ateísmo instaurado na sociedade, mas vem à tona quando oportuno. As seitas, com seu “misticismo”, dão testemunho de tal religiosidade espontânea do ser humano. Redundam, porém, em diminuição da personalidade, porque desligadas da razão e orientadas pela fantasia e o sonho. Como quer que seja, o fenômeno das seitas tem como significado profundo demonstrar quanto está arraigado o sentimento religioso no homem dentro dos parâmetros mesmos do materialismo, do consumismo e do hedonismo dos séculos XX e XXI.
2.3. A exploração maliciosa da credulidade
Tem-se dito que um bom meio de se tornar rico hoje em dia é fundar uma comunidade religiosa. Na verdade, parece que a cobiça pouco honesta de alguns espertos contribui para multiplicar as novas agremiações religiosas. Diziam os antigos romanos: “Vulgus vult decipi. O povo quer ser enganado”. Belas histórias, fantasiosas promessas, perspectivas de futuro sorridente falam ao coração do homem mais do que a verdade, a qual é muitas vezes dura e exigente. Daí o surto de arautos de atraentes mensagens, mesmo que destituídas de fundamento, arautos que vão congregando muitos incautos … “docemente” explorados.
A verificação destes fatos sugere a pergunta:
3. Que fazer?
O fiel católico que considera o fenômeno das seitas, não pode deixar de se entristecer. Que resposta se lhe pode dar?
1) Recentes documentos da Igreja afirmam que a causa da defecção de muitos católicos é o contra-testemunho que Ihes é dado por seus irmãos na fé; muitos se escandalizam e abandonam a Igreja. Ora a recíproca será válida, ou seja, o fervoroso comportamento dos fiéis católicos há de ser um testemunho que falará alto ao homem de hoje desgarrado na sociedade; mostrará que os valores clássicos não fracassaram, mas ainda em nossos dias são capazes de estruturar corajosamente a vida de quem os cultive com amor. As seitas assim consideradas vêm a ser um chamariz para que os fiéis se tornem mais fiéis e os seus irmãos, postos à procura da Verdade, a descubram vivenciada generosamente pelos católicos.
Assim poderá acontecer, mais uma vez, que os males redundem em bem. Sejam contemplados os sinais dos tempos!
2) É para desejar também que se intensifique a instrução religiosa dos fiéis católicos. A fé não é um sentimento cego, mas é um ato da inteligência voltada para o seu termo supremo que é Deus. Este ato da inteligência requer credenciais; devo saber por que hei de crer em Jesus Cristo e não em Maomé, por que sou membro da Igreja Católica e não do protestantismo, por que creio no magistério da Igreja … Quem conhece melhor as verdades da fé, se alegra por ter recebido a graça de ser católico. O fiel dá ouvidos ao único magistério da Igreja assistido pelo Espírito Santo, e não aceita magistérios paralelos. A fidelidade à Verdade e ao Bem fala muito alto ao mundo de hoje. É eloqüente resposta a ser dada aos irmãos dissidentes.
APÊNDICE
TESTEMUNHO: “LIBERTEI-ME DA SEITA MOON”
Via internet a Redação de PR recebeu a seguinte mensagem:
Steve Hassan conta como se libertou da seita do rev. Moon, revelando as técnicas de conquista utilizadas pelas seitas.
Um autônomo, um fantoche, pronto para matar ou ser morto a um sinal de comando do revdo. Moon, o líder da Igreja da Unificação. Assim era Steve Hassan, nos anos 70, após ter sido recrutado pela seita, aos 19 anos, e com um promissor futuro de estudioso de literatura inglesa. Por causa de Moon, tinha abandonado tudo: livros, basquete, música e qualquer outro interesse que tinha até então. Não se encontrava mais com os pais nem com os amigos: entregara toda sua vontade de viver e a sua conta bancária à seita de Moon ..
Dessa trágica experiência, Hassan saiu por um milagre. Vítima de um acidente em 1976, devido ao estresse no trabalho, foi obrigado a um período de repouso por alguns meses. Nesse tempo, Hassan voltou a viver na casa dos pais que, havia tempos, não encontrava. Foi nesse momento que seus pais decidiram “desprogramá-lo”, ou seja, obrigaram-no a falar de alguns ex-membros da seita Moon que se tinham desvinculado das garras do líder. Essa conversa fez cm que ele enxergasse a realidade.
Desde então, Steve Hassan vem-se dedicando a combater todas as religiões destrutivas que podem representar um perigo, em particular para os jovens. Publicou vários livros, sendo o último “Como sair de uma seita”. Após sua libertação, conseguiu o título de mestre em Psicologia em Cambridge e dirige em Somerville – Massachusets – EUA, o centro para liberdade da mente (www.fremofind.com)uma organização para ajudar famílias cujos filhos foram conquistados pelas seitas ou grupos para-religiosos.
Pergunta: Prof. Hassan, o que distingue uma seita destrutiva, com efeitos negativos sobre o indivíduo, de um grupo social que tem uma influência benéfica?
Resposta: A primeira característica das seitas é o engano e o logro.
Elas acham que estão acima da lei e não Ihes importa a legalidade dos meios para conseguir arrebanhar os fiéis. A segunda é suprimir no adepto a capacidade crítica diante da seita. Eu, por exemplo, quando fazia parte da seita de Moon, não achava nada de negativo. As seitas têm uma estrutura piramidal: o chefe consegue dominar seus seguidores para que se comportem como ele. Não existe respeito pelo indivíduo nem pela sua livre vontade.
Pergunta: O que é feito para evitar as críticas dos adeptos a respeito da seita?
Resposta: Existem métodos para incutir a técnica de controle mental, que ajudam o adepto a evitar pensamentos críticos a respeito da seita. Por exemplo, Moon possuía uma fábrica de armas, mas, quando meu pai me lembrou esse fato, não acreditei e comecei a fazer umas orações que me ajudassem a rejeitar essa influência satânica que – estava mais do que convencido – se manifestava através das palavras de meu pai.
Pergunta: Por que as pessoas entram para uma seita?
Resposta: Eu não diria que as pessoas entram para uma seita, mas que elas são recrutadas, e isso faz uma diferença enorme, como demonstram minhas pesquisas.
Em geral, nós pensamos que, se uma pessoa é psicológica ou intelectualmente sadia, não entra para uma seita, mas essa é uma convicção totalmente infundada. As seitas possuem técnicas de controle da mente que, conjugadas com mentiras e os enganos, são praticamente irresistíveis. Trata-se de um sistema muito sofisticado: se você é uma pessoa culta, eles falam de cultura; se é uma pessoa espiritual, de espiritualidade, e assim por diante, em outros casos.
Eu, por exemplo, havia me separado recentemente de minha namorada e fui abordado por um grupo de mulheres que não disseram claramente ser seguidoras de Moon. Se tivesse sabido que eram adeptas de Moon, eu teria ficado atento para não ser pego, mas não foi assim.
Pergunta: Como a seita consegue controlar o comportamento da pessoa?
Resposta: As seitas seguem aquilo que eu chamo de bitemodel cuja sigla bite significa behaviour (comportamento), information (informação), thoutght (pensamento), emotion (emoções).
Controlando todas essas tarefas da vida de uma pessoa, as seitas controlam o indivíduo, criando uma falsa identidade, isto é, uma identidade fundada sobre um sistema de valores diferentes daqueles que o indivíduo seguiu até aquele momento. Em se tratando de uma falsa identidade, acontecem alucinações e alterações no estado psicológico, mas isso é considerado pela pessoa como uma,nova “experiência espiritual”.
Um ponto muito importante a ser destacado é que essa nova identidade, construída sobre a identidade do líder, reprime, mas não elimina, a verdadeira. Os seguidores são levados a pensar, sentir, agir como o líder.
Pergunta: Um pouco como acontece com as crianças?
Resposta: Justamente, mas com uma diferença. Enquanto a dependência das crianças em relação aos pais ajuda a entrar na realidade e construir sua individualidade, seus interesses, suas capacidades específicas, no caso dos seguidores das seitas, as características da individualidade são demolidas, através do afastamento da realidade. Incutiram em mim que eu não tinha mais pais e que Moon e sua mulher eram meus genitores; que a poesia, a literatura e o basquete eram coisas satânicas, porque não combinavam com as exigências da nova fé. Os meus amigos que recusaram ser doutrinados, como eu fui, construíram uma influência satânica assim como meus cabelos compridos. Eles diziam que Deus tinha outros planos para mim.
Pergunta: Os líderes das seitas estão conscientes de que estão enganando os adeptos ou, por sua vez, estão convencidos das idéias com as quais controlam as mentes dos seguidores?
Resposta: Pela minha experiência, sua inteligência não funciona de maneira diferente daquela de outros adeptos, ou seja, não estão conscientes de que os seguidores alimentam em si a convicção de serem pessoas de delírio coletivo do qual adeptos e chefes fazem parte.
Os dez princípios do reverendo Moon
1. Jesus Cristo fracassou em sua missão redentora por não ter constituído família.
2. A cruz é o símbolo do fracasso de Cristo porque deveria ter-se casado e gerado uma raça pura.
3. O Espírito Santo não faz parte da Trindade, mas é a fusão de vários espíritos bons que servem para auxiliar os vivos.
4. As orações devem ser feitas em nome do Pai e não em nome de Jesus.
5. Ao invés de ter sido gerado pelo Espírito Santo, Jesus foi concebido a partir de uma relação sexual de Maria.
6. O livro Princípios Divinos, que contém as revelações de Moon para seus seguidores, tem mais autoridade que a Bíblia.
7. Somente através do matrimônio é possível entrar em comunhão com Deus. Quem é solteiro, não pode alcançar a plenitude espiritual.
8. Orientado por revelações, o rev. Moon determina pessoalmente o casamento dos seguidores,
9. As palavras do Novo Testamento perderão sua luz, quando vier o Senhor do Segundo Advento com uma nova palavra.
10. Os espíritos dos mortos influenciam e ajudam os vivos. Sem comentários …
Publicado na Revista “Pergunte e Responderemos” – Ano XLVIII – Dezembro 2007 – nº 546
5, Junho, 2009 às 7:20 pm |
queria muito tirar essa duvida!!!
eu sempre fui católica , hoje estou frequentando a igreja sagrada família (renovaçao carismática) e acho maravilhosa, e a uns sete meses estou mais firme na igreja , pois fiquei doente , tenho sindrome do pânico e é a igreja que está me ajudando a melhorar ,a levantar.. neste ano entrei na faculdade, achei que nem conseguiria ,mas graças a Deus deu certo , passo mal direto mas to firme. E acontece que por me sentir um tanto insegura , eu > procurei um grupo de oração que tem>> lá na faculdade mesmo , nos nus reunimos na hora do almoço umas 3 vezes na semana, porém eles são evangélicos e estão me>> ajudando muito, me sinto segura e bem com isso! Só que eles são da VIDEIRA, e minha mãe está me dizendo que essa > igreja é uma ceita!>> que não são pessoas do bem e que usam o nome de Deus pra nos enganar.o padre da minha igreja tb falou isso, eu nao consigo acreditar nisso ,pois eles lêem sempre a bíblia > , falam de Deus, pregam só o bem ,ajudam as pessoas, quando estamos no grupo de oraçao ,nós louvamos a > Deus, rezamos pelos outros,>> cantamos…e eles falam tb de namoro santo…>> não consigo ver nada de errado, eu nao tenho vontade de mudar de > religião , mas me sinto bem>> nesse grupo ,me sinto mais segura lá na faculdade, pois sinto que > existem pessoas boas , que estao>> dispostas a me ajudar e que falam de Deus!>>
queria tirar essa dúvida ,pois nao consigo intender, a > VIDEIRA é uma seita? mas como pode isso?>>>> obrigada pela atenção!!!!!