Padre Mário – IGREJA e Igrejas

No dia 29 de junho deste ano, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou o Documento em vista de esclarecer alguns aspectos da Doutrina sobre a Constituição da Igreja. O ponto crucial do Documento concentra-se na pergunta:

Onde está a Verdadeira Igreja de Cristo?

A resposta se encontra no Documento do Concílio Vaticano II: “Na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele” (LG, n. 8). O motivo é que só Ela está em continuidade histórica com as origens e possui todos os elementos instituídos por Cristo. As outras Igrejas e comunidades eclesiais não-católicas, pelo fato de carecerem de alguns elementos de verdade e santificação, não são Igrejas em sentido pleno. As Igrejas Orientais e as nascidas da Reforma Protestante poderão ser chamadas de “comunidades eclesiais” e não Igrejas em sentido próprio. Um dos elementos do Diálogo Ecumênico é a clareza, e a Igreja Católica quer se apresentar sem ambigüidades de maneira que não restem incertezas neste campo, para que também todos saibam qual é a sua identidade.

Percurso histórico da Igreja Católica

Surgimento de outras Religiões, heresias e Cismas no decorrer da História:
No início, no ano 124, no interior nas primeiras comunidades cristãs nasceu a heresia do gnosticismo (mistura de religião e filosofia – inteligência orgulhosa). Heresia é quando se nega uma ou mais Verdades da Fé. Por volta do ano 240 nasceu no mundo pagão a heresia do maniqueísmo (atribuía ao demônio poder divino).
No ano de 610, surge o Islamismo: Seu fundador foi Maomé. O Deus do Islamismo é o mesmo dos cristãos: o Deus de Abraão, Isaac, Jacó, de Moisés. Com uma diferença: não aceitam Jesus como Messias ou Salvador e se dizem filhos de Abraão por meio de Ismael, filho de Agar, a escrava de Sara e de Abraão, enquanto que os Judeus se dizem filhos de Abraão por meio de Isaac, filho da promessa.
Ano 1054: Cisma do Oriente: A Igreja de Constantinopla separou-se de Roma e surge a Igreja Bizantina. Roma e Constantinopla eram os dois pólos do mundo. Assim o Imperador Bizantino tornou-se Papa da Igreja do Oriente.
Ano 1378: Cisma do Ocidente: nesta época passaram a existir dois papas: um na França, em Avinhão, o Papa Clemente VII e um outro em Roma, Urbano VI.
Ano 1520: Lutero rompe com a Igreja, nasce o Protestantismo. Para Lutero, a única fonte de Fé é a Bíblia. Lutero foi Monge Agostiniano. Na realidade, o que se pensou foi em fazer uma reforma na Igreja, mas com isso Lutero acabou fazendo outra Igreja. Ele acabou negando as verdades da Fé, querendo corrigir a indisciplina da Igreja, como diz o ditado: “Com a água da bacia, jogou fora também a criança”.
No ano de 1522, surgem os Anabatistas, seita de iluminados. Eles rebatizavam as crianças. Faziam o livre exame e interpretação da Bíblia. Eles bateram de frente contra o culto Católico, quebraram as imagens e destruíram muitas obras de arte. Os anabatistas ficaram somente com dois sacramentos: a Ceia e o Batismo.
Ano de 1534: nasce a Igreja Anglicana: Esta Igreja nasceu por causa dos amores do Rei Henrique VIII com Ana Bolena. O Papa não aprovou o divórcio do Rei com Catarina de Aragão. Por causa disso, o Rei obrigou os Católicos da Inglaterra a formar uma Igreja separada de Roma. Seus ritos não se diferem muito dos ritos a Igreja Católica, mas foram abolidas as imagens e o celibato. Conservou-se a missa com a comunhão sob as duas espécies. Agora está havendo diálogo entre anglicanos e católicos.
Ano de 1620: surge o Jansenismo. Jansênio afirmava que “Jesus não morreu por todos, mas somente por aqueles que têm a graça de Deus”. O Crucifixo do Jansenismo possui somente a dimensão vertical, ou seja, Cristo direcionado somente para Deus. Falta a dimensão horizontal dos braços abertos de Cristo (o amor ao próximo).
Ano de 1901, nasce nos Estados Unidos o Pentecostalismo, que chega ao Brasil em 1910 com a Assembléia de Deus e a Congregação Cristã do Brasil.
No ano de 1929 foi criado o Estado do Vaticano.
Ano 1931, surgem as Testemunhas de Jeová. Jeová devido a uma mistura das vogais e consoantes das duas palavras Hebraicas referentes a Deus: Iahweh e Adonai. Russel, seu fundador, afirmava que Jesus retornaria à Terra em 1874, de maneira visível; como Jesus não veio, foi adiada sua vinda para 1918 e assim foi sempre sendo remarcada a data da vinda de Jesus.
Ano 1945, surge a Igreja Católica Brasileira. D. Carlos Duarte Costa foi nomeado Bispo de Botucatu e, com o passar dos anos, começou apresentar crise de desequilíbrio na espiritualidade, atitudes políticas não recomendadas, divergências com outros bispos e má administração da Diocese. Foi afastado do cargo de Bispo e foi morar no Rio de Janeiro. Excomungado, fundou Igreja Católica Brasileira. Nesta época nasce também a umbanda.
Ano de 1950, surge a segunda onda do Pentecostalismo com a Evangelho Quadrangular e a Cruzada de Evangelização Nacional. Surge também a Deus é Amor.
A partir dos anos 70, aparece a terceira onda do Pentecostalismo, ou seja, o Neopentecostalismo que deu ênfase à teologia da prosperidade.
Em 1988 aconteceu o Cisma de Lefebvre. Ele teve importantes cargos na Igreja Católica, foi até delegado Apostólico na África Ocidental. Participou de todas as sessões do Concílio Vaticano II e foi contra a reforma Litúrgica, pois para ele isso seria um desvio da tradição da Igreja. Foi excomungado e a Santa Sé lhe proibiu rezar missas. Faleceu na Suíça em 1991.
Em 1995, nascia a Igreja Universal do Reino de Deus.
Neste percurso Histórico da Igreja eu não citei os erros que a Igreja cometeu. No Jubileu de 2000, o Papa João Paulo II pediu perdão pelos muitos erros e pecados cometidos pela Igreja no decorrer da História. Mas a Igreja de Jesus Cristo é santa e pecadora, porque é conduzida por pessoas imperfeitas. É Santa porque Jesus a lavou e a purificou com o seu Sangue derramado na Cruz.
Neste artigo eu quis apenas mostrar que a Igreja permaneceu em toda a História ligada às origens: a Jesus Cristo, às Primeiras Comunidades Cristãs e à Fé Apostólica. Não obstante as turbulências no decorrer da História, a Igreja continua cumprindo o mandato de Jesus Cristo de Evangelizar: “Ide e fazei discípulos meus a todos os povos; batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19; cf. Lc 24, 47-49). Jesus disse também a Pedro logo após a sua profissão de fé: “Eu também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra Ela. Eu te darei as chaves o Reino dos Céus: tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra, será desligado nos Céus” (cf. Mt 16, 16-19).
Encerro este artigo citando uma frase belíssima de São João Crisóstomo, Bispo e Doutor da Igreja: “Sobrevêm muitas ondas e fortes tempestades, mas não tememos afogar, pois estamos firmados sobre a Pedra. Enfureça o mar, não tem forças para destruir a Pedra. Ergam-se as vagas, não podem submergir o Navio de Cristo”… a Igreja.

Pe. Mário Reis Trombetta

Pároco da Paróquia Divino Espírito Santo, em Nuporanga/SP


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