No século XVI, a Reforma Protestante dividiu o cristianismo na Europa Ocidental. O Sul da Europa – Itália, Espanha, Áustria e parte da França – permaneceram na maior parte fiel a Igreja Católica. O resto acomodou-se em três principais divisões: Luterana, na Alemanha e Escandinava; Calvinista ou Reformada, na Suíça, Países-Baixos, Escócia, e parte da França;e Anglicana na Inglaterra. Permeados entre estas havia denominações menores, porém mais radicais, fanáticos, primeiro os anabatistas e mais tarde os menonitas, huteristas e puritanos.
No decorrer da história, essas principais divisões esfaleceram-se somando sem parar, em milhares de denominações e seitas protestantes. Que escândalo! Disse Jesus Cristo: “Ai do homem pelo qual o escândalo vem! (Mt 18,7). “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruínas, e uma casa cai sobre outra (Lc 11,17).
“O denominacionalismo é um dos maiores obstáculos na formação e na mobilização da consciência missionária. Têm denominações que se auto-proclamam as únicas verdadeiras ou melhores do que as outras. Além de faltar muitas vezes com a verdade, essas denominações não demonstram humildade alguma. No momento há mais de 27 mil denominações protestantes ao redor do planeta”, vocifera o missionário e fundador da Operação Mobilização (OM) George Verwer. (Ultimato, janeiro-fevereiro, 2007. p.16).
“Somente nos Estados unidos, até 1998, segundo os dados do pastor Dave Amstrong, somavam um total de 33.800 denominações protestantes” (PR, Junho, 2006.p. 256).
“Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito Santo” (Judas v.19).
DIVISÃO
O escritor Duncan Green em seu livro Faces of Latin América (Aspectos da América Latina), escreve: “O movimento evangélico na América Latina dividi-se em inúmeras igrejas. Freqüentemente, essas igrejas giram em torno de um único pastor. Em geral, quando uma delas cresce, dividi-se em pequenas novas igrejas”.
O escândalo da divisão, não é fato isolado na América Latina, é sim, uma realidade caótica no mundo inteiro.
São três fatores que causam a divisão: questões doutrinárias, escândalos financeiros e sexuais.
No Brasil, segundo a revista protestante Eclésia, edição nº 91, já chegaram a um total de 17.000 denominações.
Segundo o consultor de igrejas o pastor americano Wayne Cordeiro, existe mais de 300 mil igrejas evangélicas nos Estados Unidos (1)
Terrível é a incompatibilidade dogmática e o mau relacionamento entre os pastores.
Escreve o ilustre professor Felipe Aquino:
“Não há acordo no protestantismo. O próprio Lutero, amargurado, foi obrigado a reconhecer em 1525, apenas oito anos após o seu rompimento com a Igreja”:
“Há tantas seitas e crenças quantas cabeças. Um não terá nada a fazer com o batismo; outro nega o Sacramento; um terceiro acredita que há outro mundo entre este e o último dia. Alguns ensinam que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros dizem aquilo. Não há rústico, por mais rude que seja, que, se sonhar ou fantasiar alguma coisa não deva ser o sussurro do Espírito Santo, e ele próprio um profeta” (Martinho Lutero, John A. O’Brien, Ed. Vozes, 1959, p.32).
Nos relata O’Brien que, em Ingolstadt, em 1577, trinta e um anos após a morte de Lutero (1546), Cristóvão Rasperger citava duzentas interpretações diferentes das quatro palavras da consagração: “Isto é o Meu corpo”; interpretações sustentadas pelos seguidores da Reforma (The Faith of Millions, J. A. O’Brien, Ind.1938, p.227). Que confusão!
“Negando a Igreja de Cristo, os reformadores aceitaram a fundação de numerosas igrejas e igrejinhas de líderes humanos, todas originadas do subjetivismo dos seus fundadores” (PR, nº 404, 1996, pp.14 e 15).
A maneira subjetiva com que lêem a Bíblia, levou o Protestantismo ao esfacelamento, especialmente da doutrina (2).
Diz Dom Estêvão Bettencourt, OSB:
“O princípio segundo o qual cada crente pode fazer o livre exame da Bíblia, independentemente de algum magistério, torna o Evangelho luterano muito mais fácil do que o Evangelho católico. Na verdade é mais cômodo ser luterano (protestante) do que ser católico. Daí a ampla propagação do protestantismo; cada crente faz a sua religião, sem missa dominical, sem confissão sacramental, sem outras obrigações além daquelas que cada um impõe a si mesmo. O crente que não está contente na sua igreja, tem três opções: ou muda de Igreja ou funda sua Igreja própria ou fica fora da Igreja (somente com a Bíblia nas mãos).A quarta opção é do crente desviado: sem Igreja, sem pastor, sem Bíblia nas mãos, sem temor de Deus, desiludido e “perdido”. – Que Jesus tenha misericórdia. Assim Lutero contribuiu fortemente para o esfacelamento do Cristianismo. – Deus leve em conta sua boa intenção!” (3).
CONCLUSÃO
Como fica Lutero e seus seguidores diante do pensamento do Mártir do Coliseu Romano, segundo sucessor de São Pedro, na Igreja de Antioquia, aquele que na Carta de Emirna, escreve pela primeira a monumental expressão “Igreja Católica”, Santo Inácio de Antioquia que diz: “Todo aquele que por sua péssima doutrina corrompe a fé de Deus pela qual foi crucificado Jesus Cristo, irá para o fogo inextinguível e a todos os que lhe escutar?”.
Que exortação horrível para aqueles que está fora da Igreja: Una, Santa, Católica e Apostólica.
“Onde está Cristo Jesus está a Igreja Católica”, afirma Santo Inácio de Antioquia (†110).
“Aquele que abandona a Igreja, não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não terá Deus por Pai, quem não tiver a Igreja por Mãe. Fora da Igreja não há salvação”, declara São Cipriano (†258).
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História de Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
e-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
(1) CORDEIRO, Wayne. Faça de Sua Igreja Uma Equipe, Rio de janeiro: Danprewan, 2002.p. 15.
(2) AQUINO, Felipe. Escola da Fé: I – A Sagrada Tradição, Lorena: Cleofás, 2000.pp.18 e 19.
(3) Pergunte e Responderemos, maio de 2006. p.223.
HOLLENWEGER, Walter J. El Pentecostalismo. Historia Y Doctrinas Buenos Aires: La Aurora, 1976.
O´BRIEN, John A. Martinho Lutero: O Sacerdote Que Fundou o Protestantismo, Petrópolis: Vozes, 1959
PIERRARD, Pierre. História da Igreja, São Paulo: Paulus, 1982.
RANDELL, Keith. Lutero e a Reforma Alemã, São Paulo: Ática, 1995.
WEBER, B. (org) Lutero e a Reforma, São Leopoldo: Sinodal, 1967.
20, Outubro, 2007 às 3:27 pm |
Caro Padre Inácio, gostaria de contribuir com alguns comentários, não tão aprofundados como os da Lúcia.
O tema abordado por seu texto, e a maneira como é abordado é bem coerente. Digo isto por que eu mesmo tenho uma história pessoal ligada a este esfacelamento protestante. Fui criado em uma família onde o pentecostalismo – Assembleia de Deus – era muito forte. Em meu batizado, descobri a pouco tempo, participaram como padrinhos uma tia minha e meu primo mais velho, pois nenhum parente da família de meu Pai poderia participar, afinal são contra o batismo de crianças. Ou seja, partilham de um legalismo quase doentio. Com o tempo fui participando das reuniões da AD – prefiro dizer reuniões – e me aprofundei na leitura da Bíblia e dos preconceitos contra o Catolicismo Romano, contra o estudo da Teologia ou da Filosofia. Para estas pessoas estes estudos significam o seguinte: “a teologia é assunto para ateus e a filosofia é saber humano, portanto,nenhuma nem outra tem qualquer validade para salvação da alma”. O mais incrível é que sempre residi próximo a Igrejas Católicas Romanas, mas o preconeito é tão forte que “nem me passava pela cabeça” entrar em uma delas.
Com o andamento de meus estudos formais deixei de lado todas as questões sobre religião, fé, Deus, etc. Me concentri no mundo, nas coisas do mundo. Contudo, surgiu o dia em que optei por estudar Filosofia e com isto muitas coisas ficaram claras: que eu participara de uam igreja que nem se pode autodenominar protestante, que a falta de estudos de Teologia faz com que os “pastores” não saibam conduzir o rebanho, e que a doutrina Calvinista da Retribuição é muito forte: doença e saúde estão ligadas a ausência de pecado, boa situação financeira também é uma benção divina e prova de aprovação de Deus das ações dquela pessoa, e outras barbaridades destas.
Por fim caro Padre, descobri que a única denominação que não é protestante é a Igreja Metodista a qual infelizmente decidiu adotar, contra a vontade de Wesley, a ideoloia Calvinista. Não sou Metodista pois acredito que o Calvinismo é um retorno às trevas do paganismo. A figura de Wesley é muito inspiradora para a fé, ele saia em caminhada até as igrejas distantes na Inglaterra para ensinar as pessoas a ler a Bíblia e a compreender a tarefa de ser Cristão, mas antes tinha de pedir licença ao cura da Igreja local. Veja que ironia, logo na Inglaterra que seguiu a Reforma de Lutero, não se estudava a bíblia. O pior é que o Metodismo que veio para o Brasil foi aquele do sul dos EUA, ou seja, Calvinistas. O Metodismo brasileiro é totalmente contraditório com a vontade de Wesley, pois ele aceitava os santos, aceitava o catolicismo romano e foi leitor de São Francisco de Sales – A Vida Devota. Foi a partir da leitura desta obra que me “converti” ao Catolicismo Romano. Metodismo e Calvinismo são antípodas.
Também não sou Católico Romano, pois em minhas pesquisas descobri coisas horríveis sobre o que o Vaticano Segundo fez com a Missa Católica: praticamente adotou as posições de Lutero. Assim, ainda espero a oportunidade de encontrar uma Igreja Católica Romana tradicional, com todos os problemas que sei que têm, para me tornar devoto. Minha esposa é católica Romana e está sendo privada de participar da Eucarístia. Não somos casados no Religioso, pois não sou hipócrita a ponto de afirmar que creio em coisas que não consigo crer. Respeito o Catolicismo Romano a ponto de não desejam mentir.
Abraço e parabéns pelo site
12, Janeiro, 2009 às 10:16 am |
Porque nós,os verdadeiros Cristãos, únicos membros da Igreja fundade por Jesus,
fazemos tanta propaganda dos protestantes?
Não seria melhor cuidarmos,cada vez melhor, da nossa CASA que é de Jesus?
Pensemos nisso e mãos a obra!