São Francisco de Assis, celebrado no dia 4 desta semana, continua vivo no meio de nós, envolvendo-nos com sua ternura e carinho e com a pureza do seu sorriso. O santo admirado e respeitado pelos homens de todas as religiões e pelos que não professam religião alguma. Se perguntarmos porque esse santo se tornou universal, admirado e amado por todos, haverá respostas diversas, principalmente na linha da humildade, amor aos pobres, êxtase e admiração pela natureza.
No entanto sou da opinião daqueles que afirmam que São Francisco é o santo mais conhecido e admirado pela sua semelhança com o mistério e o fascínio de Jesus Cristo. Tanto no meu Senhor como em São Francisco existe uma força extremamente simples, transparente, que atrai, envolve e empolga. Diante dessas imagens, do Cristo e de Francisco, se sente, num primeiro tempo, um profundo sentimento de contemplação e oração; mas, devagar, vai nos envolvendo um sentimento de força, coragem e ardor para a luta cotidiana. Ninguém duvida que há uma infinita diferença entre Francisco e Cristo, o Filho de Deus. Cristo é Deus eterno, consubstancial ao Pai; Francisco é o seu fiel imitador, a viva lembrança do seu Senhor, pela sua vida de despojamento e serviço aos pobres.
De fato, “Cristo esvaziou-se de si, fazendo-se semelhante aos homens e, mostrando-se em figura humana, humilhou-se” (Filip. 2,7 e 8).
Da mesma forma, Francisco deixou os bens, o conforto da casa paterna, as honrarias da cavalaria para se fazer pobre, caminheiro pelas estradas da vida. O fato de Cristo se ter feito homem levou São Francisco a valorizar tudo que é humano, embora frágil, doentio. Severo, rigoroso e até austero para se disciplinar a si mesmo e aos outros; mas, profundamente humano, sempre respeitando a fragilidade do homem. Dentre os inúmeros fatos, comprovando a fina sensibilidade do humilde santo, lembramos este fato. Era noite profunda e calma. A comunidade dos frades dormia tranquilamente. De repente, a calma foi interrompida pelos fortes gemidos dum frade, que dormia bem no canto do dormitório. Francisco se levanta, corre até a cama do frade e pergunta o que aconteceu. Respondeu o religioso: “Esse jejum de três dias foi muito pesado, não agüento mais essa fome!” Francisco refletiu: Se esse irmãozinho está com fome, todos os outros também estarão”. Começou tocar o sino, acordando toda comunidade. Levou os frades para a cozinha e lhes disse: “Todos vocês devem estar com muita fome. Acabou o jejum! Vamos fazer comida!”
De fato, o que é verdadeiramente humano está muito próximo do sagrado; merece todo respeito. “Cristo, sendo rico, se fez por nós pobres” (2 Cor. 9) justamente para se tornar semelhante a nós, se sentisse bem em nosso meio e assim, não termos medo aproximar de Cristo; é o nosso irmão. Valorizando o humano, Francisco se tornou aceito e admirado por todos os povos, das diversas raças, independente do seu credo religioso.
São Francisco é o santo que mais conseguiu assimilar Jesus Cristo em sua vida, a ponto de trazer em seu corpo as marcas da paixão e no espírito o ardor do reino de Deus.
Em nossos dias, Francisco de Assis vem se tornando mais procurado, conhecido e amado, porque vem crescendo o desejo dum conhecimento mais esclarecido da pessoa de Cristo. Nas igrejas cristãs cresce o conhecimento da centralidade de Cristo: “CRISTO ONTEM, HOJE E SEMPRE!” (Hebr. 13,8).
*Dom Antônio de Sousa é bispo de Assis – SP
23, Novembro, 2008 às 1:21 am |
Estou honrado em ter sido seu aluno.