Dom Irineu – Como vejo os Grupos Bíblicos de Reflexão

02.10.2007
Segundo São Francisco de Assis, nós nascemos com a dívida do amor mútuo e a teremos pela vida toda.

Quando tomei conhecimento de que os Grupos Bíblicos de Reflexão são prioridade pastoral na Diocese de Joinville e que a caminhada já acontece há vários anos, fiquei muito feliz. Com certeza, eles são um modo moderno de ser Igreja, em pequenas comunidades e que permitem seus freqüentadores crescerem juntos na fé: no convívio fraterno, na formação de lideranças, na visitação das casas, na confraternização, no conhecimento mútuo, etc.


Sempre tenho dito que: só pelo fato de as pessoas saírem de suas casas e se encontrarem com os vizinhos, já é um passo importante, pois, a tendência do homem moderno é isolar-se no seu pequeno mundo, como se ninguém existisse ao seu redor. Porém, se sair de casa e encontrar-se com seus vizinhos, construir pontes, laços de amizade já é bom, imaginem o que isso significa, quando as pessoas se encontram à luz da Palavra de Deus, da oração e do espírito fraterno… O diferencial é a presença do próprio Cristo que não nos deixa dúvidas, ao dizer: “Onde dois ou mais se reunirem em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Será que alguém pode ter dúvida do que Ele mesmo disse: “Eu estou no meio”. No meio de quem? De duas ou mais pessoas e não importa quem são elas. Podem ser duas crianças, um jovem e um adulto, uma criança e um adulto, vários adultos, duas, três, sete, dez, quinze, vinte, trintas ou mais pessoas, que estejam “reunidas em seu nome”.
Há uma grande diferença entre estar unidos e estar sós. No estar sós cada um perceberá sua fragilidade, sentir-se-á desorientado, desanimado, sem luz e desmotivado. Com Ele em nosso meio, tudo se torna luz e paz onipotente. O céu desce à terra. E para se ter Jesus em meio são necessárias algumas condições:

- Estarmos unidos em seu nome, na sua vontade, no amor que é sua vontade, no amor recíproco, na unidade de sentimentos, de vontade, de pensamento, se possível, em tudo, mas decididamente na fé.
- Vivermos segundo a vontade de Deus.
- Amarmos como Jesus amou. E Ele amava a todos indistintamente de todo coração, alma e sentimentos. Segundo São Francisco de Assis, nós nascemos com uma dívida e a teremos a vida toda, pois sempre devemos ao nosso próximo o amor mútuo.
- Devemos estar em “acordo” de pensamento e sentimentos, estar em concórdia. Orígenes diz que “Cristo, onde vê dois ou três reunidos na fé, no seu nome, vai para lá e está no meio deles, atraído pela sua fé e estimulado pela sua unanimidade”.

A partir disso, penso que vale a pena sair de casa, para nos encontrarmos com os vizinhos e amigos e, sobretudo, com Cristo que sabe como ninguém aquecer os corações, iluminar as mentes, orientar para ações práticas, propiciar a paz e a reconciliação, envolver os que se sentem distantes sem voz e sem vez, converter os corações endurecidos, faz entender as Sagradas Escrituras, nos santifica e nos envia ao mundo, como missionários e missionárias, revestidos da Palavra do Senhor.
Se até aqui os Grupos Bíblicos de Reflexão já produziram muitos bons frutos nas famílias da Diocese, como podemos atestar pelo testemunho dos que participam, de ora em diante, já mais amadurecidos, poderão produzir frutos ainda mais abundantes.
Convoco os pais de família, as mães e todos os filhos, em especial, os jovens para terem participação ativa. Não podemos parar. Não percamos o entusiasmo. Acendamos e reascendamos a chama da fé que vence o mundo, do amor e da esperança no coração de todos. O mundo atual, sem Deus, vai continuar insistindo e querendo enganar as pessoas com a marca do individualismo, utilitarismo, materialismo, hedonismo, perda do sentido dos valores morais, medo e relativização dos compromissos definitivos, destruição dos valores essências da vida. Constatam-se hoje com grande perplexidade, até de cristãos e católicos, posições negativas em relação aos valores perenes da vida e da família. Muitos vivem num mundo de incertezas e dúvidas de tal alcance que chegam a esquecer e até a perder o sentido de tudo.
Não podemos viver assim, atrás de um paganismo artificial, vazio, cruel e passageiro, em busca de imediatismos. Devemos perseverar no amor e no bem. Pelos Grupos Bíblicos de Reflexão queremos ser instumentos da paz e de uma “civilização do amor”, proclamar em alto tom os valores positivos e perenes da família, célula primária e vital da sociedade, fundamento desta mesma sociedade”. Queremos gritar em alta voz que “a família é um dos maiores bens da sociedade e da Igreja”, que “ela é uma Igreja doméstica, um sacrário doméstico”, que “é a sementeira das vocações” e que “o futuro da humanidade e da Igreja passa pela família”.
Que São Francisco Xavier, Padroeiro da Diocese, grande missionário e proclamador da Palavra de Deus, São Paulo Apóstolo, Padroeiro dos Grupos Bíblicos de Reflexão e Maria, a estrela da Nova Evangelização, derramem do céu as bênçãos necessárias sobre todas as famílias da Diocese de Joinville, para que com seu jeito de ser Igreja, alegre seus habitantes, dê glória a Deus e à humanidade.

Dom Irineu Roque Scherer
Bispo Diocesano de Joinville
Fonte: Bispo de Joinville – Dom Irineu Scherer

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por Católicos na Rede Postado em Artigos

3 comentários em “Dom Irineu – Como vejo os Grupos Bíblicos de Reflexão

  1. Por todos os méritos, sejam técnicos ou espirituais, este é o caminho não só para levar a Boa Nova da nossa Redenção Eterna, mas de nossa realização pessoal e social. a União é a marca de Deus. A DIvisão em que a maioria de nós vivemos é a marca do DIabo (aquele que DIvide). Quanto a questão do esfriamento de alguna não é motivo para escândalo. Já no tempo de Jesus existia. Veja-se a parabola do semeador. O que nos move é a Fé e sobretudo o Amor a Deus!.

  2. Infelismente , os G B R estão cada vez mais fracos .
    falta de devulgação de apoio os levros nao leva a rezar, porque a maioria dos participante Sao pessoas que nao entende muito , a grande maioria dos animadores sao mulheres carregadas de compromisso .

  3. Eu acho que os grupos biblico de reflexão é muito pouco divulgado, e motivado pelo Bispo e pelos padres sendo prioridade da Igreja. Dom Ireneu tem que tomar providencia se quiser que esta pastoral se torne forte .Porque é uma forma de trazer novas lideranças para a igreja. Hoje é comun ver rodizio decoodenadores porque não se traz gente nova pra igreja por falta de apoio. A maioria dos coordenadores não participa dos gruposB.Quem ler este comentário faça chegar na pessoa responsavel.

    Sou coordenadora e Animadora “Ai de mim se não evangelizar”.

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